Ozempic perde patente no Brasil: veja o que acontece com o preço (e a verdade sobre genéricos)
Concorrência deve aumentar após quebra de exclusividade, mas novas versões ainda dependem de aprovação da Anvisa

A farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk vive seus últimos dias de exclusividade sobre o Ozempic no Brasil. A patente da semaglutida — princípio ativo também presente em medicamentos como o Wegovy — expira nesta sexta-feira (20), abrindo espaço para uma nova fase no mercado.
Inicialmente desenvolvidas para tratar diabetes tipo 2, as chamadas “canetas emagrecedoras” ganharam destaque global como tratamento para obesidade e acabou transformando a indústria farmacêutica.
Em nota, a Novo Nordisk afirmou que "o encerramento de uma patente é etapa natural no ciclo de vida de qualquer inovação" e que "está preparada para atuar com solidez neste novo contexto".
Agora, com o fim da proteção patentária após cerca de 20 anos, a tendência é de mais concorrência, mas os efeitos no bolso do consumidor não devem ser imediatos.
Ozempic perde patente: o que muda agora
Com o fim da patente, outras empresas passam a poder produzir medicamentos à base de semaglutida. Na prática, isso significa:
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- Mais opções de marcas no mercado;
- Aumento da concorrência;
- Possível queda de preços ao longo do tempo.
Ainda assim, há um ponto importante: os novos medicamentos precisam ser aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) antes de chegar às farmácias. Ou seja, o efeito da quebra da patente não será imediato.
Farmacêuticas se movimentam
Empresas brasileiras já se movimentam para aproveitar a nova janela de oportunidade.
A EMS afirma ter investido mais de R$ 1 bilhão para produzir canetas injetáveis de semaglutida. A companhia inaugurou, em 2024, uma fábrica com capacidade de até 40 milhões de unidades por ano.
Já a Cimed informou que submeteu projetos à Anvisa e trabalha no desenvolvimento de medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1. O lançamento, porém, pode ocorrer apenas a partir de 2027.
“Olhando para o futuro, há uma grande oportunidade. Esse abismo de patentes do GLP-1 poderia remodelar significativamente o cenário farmacêutico no Brasil, reduzindo os preços, expandindo o acesso dos pacientes e criando oportunidades para empresas farmacêuticas locais e internacionais”, diz o BTG Pactual, em relatório publicado na segunda-feira (16).
- Leia também: O real efeito Ozempic — as ações que podem engordar ou emagrecer com a liberação da patente no Brasil
Vai ter genérico de Ozempic?
Apesar da expectativa de queda mais acentuada nos preços, a nova fase não deve trazer genéricos no formato tradicional.
A semaglutida é classificada como medicamento biológico, produzido a partir de células vivas. Nesse caso, o equivalente regulatório são os biossimilares — versões altamente semelhantes ao original, mas não idênticas.
Ainda assim, nem todos os produtos seguirão esse modelo. A EMS, por exemplo, afirma que pretende registrar seu medicamento como um produto novo, já que utiliza uma tecnologia diferente, mesmo com o mesmo princípio ativo.
Os preços vão cair?
A queda de preço do Ozempic e de seus concorrentes ainda é incerta. Antes da venda, os valores precisam ser aprovados pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), responsável por definir o teto de preços no país.
Sem a exigência de desconto mínimo, como ocorre com genéricos, os novos medicamentos podem não ser tão baratos no início. Por outro lado, a entrada de concorrentes tende a pressionar os preços gradualmente.
Entre aprovação regulatória, produção em escala e definição de preços, a expectativa é de que o acesso a versões mais baratas da semaglutida aumente — mas de forma gradual.
Para o consumidor, isso significa que o Ozempic pode até ficar mais acessível no futuro, mas não imediatamente após a quebra da patente.
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