EUA e Irã: com acordo final previsto para sexta-feira, como posicionar a carteira de investimentos?
A semana de decisões monetárias pode trazer reviravoltas após o acordo prévio estabelecido entre os países? Entenda cenário.

O anúncio do acordo entre Estados Unidos e Irã chegou ao mercado no início desta semana dando um alívio para indicadores relevantes pressionados. O fim do conflito de vinha se desenrolando desde 28 de fevereiro prevê a abertura do Estreito de Ormuz, principal canal fluvial de relevância energética, os incentivos econômicos a Teerã e a cessação de ataques militares entre as nações.
Apesar do alívio, alguns pontos sensíveis permanecem em foco, como as tarifas americana de exportação e as definições sobre o programa nuclear iraniano.
Na segunda-feira (15) pela manhã, os principais mercados globais reagiam positivamente à notícia:
- Bolsas na Ásia, na Europa e nos Estados Unidos subindo;
- Preço do barril de petróleo em queda;
- Recuo do dólar;
- Recuperação do apetite ao risco, refletindo a redução do temor de uma interrupção prolongada no Estreito de Ormuz.
No Brasil, o Ibovespa também reagia positivamente, voltando a superar a marca dos 170 mil pontos no intradia da segunda-feira (15).
“O acordo também devolve protagonismo aos bancos centrais em uma semana marcada por decisões monetárias”, comenta o analista da Empiricus, Matheus Spiess.
Nesta semana, as reuniões do Copom e do Federal Reserve (a primeira com Kevin Warsh na presidência) se concentram com o encerramento na quarta-feira (17), além das decisões do Banco do Japão (terça, 16) e do Banco da Inglaterra (quinta, 18).
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“Ainda assim, o alívio geopolítico não elimina os desafios inflacionários”, comenta Spiess, em referência ao aumento nos custos de produção e transporte de diversos produtos em escala global, para além do choque inicial sobre a oferta global de petróleo.
Alerta parecido veio de Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu, que alertou que os preços elevados de energia já começam a se transmitir para outras partes da economia europeia. Além disso, “investidores também seguem atentos ao risco de efeitos secundários sobre salários, inflação subjacente e política monetária”, explica o analista em sua newsletter diária, Mercado em 5 minutos.
Com o fim do conflito se aproximando, onde investir?
Para Spiess, enquanto o acordo reduz um importante risco energético global, o estrago da crise que vivemos já foi feito.
Além disso, o especialista acredita que o preço do petróleo ainda deve trazer novas oscilações, com a economia da commodity adquirindo um ritmo diferente do conhecido anteriormente.
“Devemos voltar a ter conflitos na região, até mesmo porque a guarda revolucionária iraniana quase que se beneficia de um estado contínuo de conflito. Ela utiliza de desse ambiente para ampliar sua força dentro do Irã e na região como um todo”, afirma Spiess.
Contudo, enquanto o acordo se sustentar, o mercado deverá ver o dólar mais comportado, juros menores, menos risco global brando, “uma descompressão de risco importante”.
Diante desse cenário, marcado por mudanças rápidas e diferentes possibilidades de desdobramentos para os mercados, a forma do investidor preparar seu portfólio pode ser decisiva para os seus lucros.
Como parte da equipe de analistas da Empiricus Research, Spiess explica que as carteiras recomendadas pela casa foram estruturadas justamente para navegar em ambientes de maior incerteza.
Segundo ele, alguns portfólios buscam capturar ganhos caso um cenário mais favorável impulsione os mercados, enquanto outros mantêm exposição a empresas negociadas a múltiplos historicamente descontados, oferecendo potencial de valorização mesmo em contextos mais desafiadores.
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