Casa própria vale mais para a qualidade de vida do que viagens e lazer, mas exige cuidado para não virar pesadelo
Segundo pesquisa do Grupo OLX, brasileiros que moram de aluguel se mostram menos satisfeitos com a vida

Quando se fala em qualidade de vida, alguns dos fatores que surgem à mente de primeira são momentos de lazer, ter um bom emprego, dormir bem e viajar, por exemplo. Embora importantes, todos esses aspectos aparecem atrás de um outro elemento em uma pesquisa que mede a satisfação com a vida dos brasileiros: ter uma casa própria.
Um estudo realizado pelo Grupo OLX mostra que um imóvel próprio é o quarto fator mais importante de contribuição para a qualidade de vida.
Uma casa ou apartamento no nome só perde para saúde física, mental e estabilidade financeira, na percepção dos brasileiros.
Imóvel próprio gera segurança
O levantamento mostra que, em uma escala de 0 a 10 sobre a satisfação com a vida, proprietários de imóveis se mostram mais realizados nesse sentido.
A nota média de qualidade de vida para quem tem a casa própria é de 8,1. Já entre quem mora de aluguel, a estatística cai para 6,9.
Talita Cruz, especialista de dados do Grupo OLX, defende que “a aquisição do imóvel não é apenas um marco financeiro. A diferença nas notas de satisfação entre proprietários e inquilinos indica que a segurança do imóvel próprio vai além do aspecto material e está associada à qualidade de vida, ao equilíbrio pessoal e à forma como as pessoas enxergam o futuro”.
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A planejadora financeira Eliane Tanabe também reconhece a importância dos imóveis para a qualidade de vida.
Embora ela defenda que, antes de assumir uma dívida alta para conquistar a casa própria seja necessário ter algum nível de organização financeira, a decisão de comprar um imóvel não é apenas matemática.
“Tem gente que vive bem com um aluguel, mas outras não se sentem confortáveis sem um imóvel. Se a pessoa fica desempregada e tem um período financeiro apertado, por exemplo, pode ter a insegurança de não saber como pagar para morar. A casa própria gera algum nível de estabilidade”, disse em entrevista ao Seu Dinheiro.
Em linha com o argumento de Tanabe, a pesquisa do Grupo OLX faz uma segmentação de satisfação com a vida financeira.
A nota média nesse caso é de 6,1, mas sobe para 6,7 para os proprietários de imóveis e cai para 5,7 entre quem não possui uma casa própria.
Casa própria gera qualidade de vida, mas exige cautela
Apesar de a casa própria gerar mais qualidade de vida e não poder ser avaliada somente do ponto de vista matemático, Tanabe destaca que a busca pelo imóvel não deve comprometer a saúde financeira da família.
Caso contrário, o que deveria ser um fator para aumentar a satisfação com a vida pode ter como consequência aperto das contas e endividamento — lembrando que, segundo o estudo, estabilidade financeira também aparece como um dos principais pontos de qualidade de vida.
Segundo a planejadora financeira, um dos erros mais comuns é comprar um imóvel acima da capacidade de pagamento, motivado pela emoção ou pelo desejo de conquistar a casa própria a qualquer custo.
"Imóvel entra muito na categoria de sonho. Mas é um sonho que precisa caber no bolso. Senão, ele pode virar um pesadelo", afirma.
Para ela, a compra de um imóvel deve ser acompanhada de um planejamento de longo prazo, principalmente no caso de casas ou apartamentos financiados, que geram uma dívida que acompanha parte relevante da vida financeira das famílias.
Mais estabilidade
O aluguem também tem instabilidade devido à duração dos contratos — cerca de 67% dos inquilinos moram na mesma casa por até três anos.
Essa lógica se inverte no caso de quem possui um imóvel. 25% dos proprietários moram no mesmo lugar há 21 anos ou mais. Mais da metade mora há pelo menos nove anos.
Isso também se reflete no tempo que cada pessoa fica em uma mesma cidade.
Entre quem tem uma casa própria, 66% das pessoas moram na mesma cidade há 21 anos ou mais (incluindo a vida toda). No aluguel, esse percentual cai para 47%, com maior variação de tempo na cidade.
Ou seja, se de um lado o imóvel próprio gera uma maior segurança e estabilidade, o aluguel é bastante usado entre quem busca uma maior flexibilidade.
Qualidade também depende de onde se mora
Além disso, a qualidade de vida não depende apenas do imóvel em si. Existe também uma preocupação com a localização, seja o bairro ou cidade.
O estudo mostra que, para 81% dos brasileiros, há uma preferência por bairros com predominância de casas.
Para 76%, também é importante estar em ambientes mais tranquilos e com menos circulação de pessoas.
A praticidade também aparece entre as prioridades. Cerca de 73% afirmaram que gostariam de viver em regiões onde fosse possível resolver as atividades do dia a dia a pé, sem depender constantemente do carro.
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