A vida de rei vivida por Daniel Vorcaro enquanto o Banco Master crescia às custas do FGC
Enquanto o Banco Master caminhava para o colapso, Daniel Vorcaro manteve uma rotina de luxo que incluiu jatos particulares e uma festa de R$ 15 milhões para sua filha de 15 anos

Antes de o Banco Master ruir, o fundador Daniel Vorcaro aproveitou como poucos o o dinheiro que entrava por meio da instituição — impulsionado principalmente pela venda agressiva de Certificados de Depósito Bancário (CDBs).
A ostentação que marcou o auge de seu padrão de vida veio à tona à medida que o escândalo financeiro do qual é apontado como protagonista se desdobrou, com investigação da Polícia Federal (PF).
Vorcaro vivia uma rotina de luxo digna de reis: era dono de pelo menos três aeronaves registradas em nome da Viking Participações, holding de Belo Horizonte (MG) da qual é sócio.
A pequena frota inclui modelos como Gulfstream e Falcon, usados tanto para viagens pessoais quanto para deslocamentos executivos. Uma das aeronaves, um Falcon 7X avaliado em cerca de R$ 200 milhões.
A vida luxuosa de Daniel Vorcaro antes do Banco Master ruir
O padrão de vida do banqueiro também incluía viagens internacionais frequentes ao lado da namorada, uma influenciadora digital, com passagens por destinos como Capri, Saint Barth’s, Miami, os Alpes Franceses e Trancoso.
Nas redes sociais, eram recorrentes os registros de experiências de alto padrão, em hotéis de luxo, praias exclusivas e eventos restritos.
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Em 2023 Vorcaro promoveu uma festa de 15 anos para a filha em uma mansão de luxo em Nova Lima (MG). Os gastos com o evento foram estimados em R$ 15 milhões.
O line-up reuniu atrações de peso, como Alok, Dennis DJ e a dupla norte-americana The Chainsmokers, que já figurou entre as atrações mais bem pagas do mundo.
Para atenuar as queixas da vizinhança pelo barulho, o banqueiro ofereceu uma estadia na unidade do hotel Fasano estabelecida na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. Os moradores foram avisados de que poderiam fugir dos sons da festança lá se quisessem.
A opção oferecida estava entre as mais caras da hotelaria local. As diárias atualmente começam em R$ 2.986, no quarto padrão de 26 metros quadrados, e chegam a R$ 9.221 na maior suíte disponível, de aproximadamente 80 metros quadrados, para duas pessoas — valores que não incluem café da manhã.
A casa em Trancoso
Além disso, Vorcaro enfrenta uma disputa judicial relacionada à compra de uma residência de luxo em Trancoso, no litoral sul da Bahia. Um corretor de imóveis entrou com uma ação cobrando R$ 18 milhões referentes à comissão pela intermediação do negócio.
A transação, estimada em R$ 300 milhões, teria ocorrido por meio de empresas ligadas ao banqueiro. Em nota à imprensa, Vorcaro afirma que não participa do quadro societário das companhias que adquiriram o imóvel e sustenta que a cobrança é indevida.
O imóvel no centro da disputa é a Villa 21, uma propriedade à beira-mar com 40 mil metros quadrados de área total. O complexo reúne 12 suítes e cinco bangalôs de dois andares. Apenas a suíte master ocupa cerca de 400 metros quadrados.
Entre 2021 e 2022, Vorcaro esteve hospedado no local em diferentes períodos, acompanhado de convidados e com uma equipe de funcionários à disposição.
Vínculos com o futebol
Vorcaro ainda é acionista da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Atlético-MG.
Ele é dono de 20,2% da SAF do Atlético, por meio do Galo Forte Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia (FIP).
A origem desse dinheiro, cerca de R$ 300 milhões, é investigada por possível conexão com o PCC, segundo a investigação da PF.
Master tinha modelo de negócios 100% baseado no FGC
A Polícia Federal investiga suspeitas de emissão e negociação de títulos de crédito irregulares pelo Banco Master. A apuração envolve a criação e a comercialização de papéis que, segundo os investigadores, não teriam lastro financeiro suficiente.
De acordo com a PF, a instituição comandada por Daniel Vorcaro teria estruturado títulos sem lastro ou com informações adulteradas. Na prática, esses papéis eram apresentados ao mercado como ativos legítimos — o que pode configurar crimes como gestão fraudulenta e falsidade documental.
Em depoimento à Polícia Federal, Vorcaro admitiu que o banco enfrentava uma crise de liquidez e afirmou que o modelo de negócios da instituição era “100% baseado no FGC”. A estratégia consistia em captar recursos oferecendo produtos financeiros protegidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Apesar de admitir a forte dependência desse modelo, Vorcaro sustentou que a instituição honrou seus compromissos financeiros enquanto operou. Segundo o banqueiro, o Master “sempre foi solvente” e manteve, ao longo do tempo, um volume de ativos superior ao de passivos.
“O plano de negócio do Banco Master era 100% baseado no FGC e não havia nada de errado nisso, essa era a regra do jogo. E após a gente começar a crescer, muda-se a regra do jogo”, afirmou Vorcaro em depoimento à PF.
CASO MASTER
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