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Em um mercado bilionário movido pelo afeto, tutores buscam experiências de alto padrão que vão de resorts cinco estrelas a terapias holísticas para seus animais. Especialistas analisam os benefícios, riscos e os limites da humanização, em um setor onde o bem-estar animal se tornou um produto de luxo
Um dia na vida de um pet em 2025 pode incluir uma sessão de acupuntura para aliviar dores crônicas, um banho de ofurô com cromoterapia para equilibrar as emoções e, quem sabe, uma consulta com um médium para resolver questões espirituais. Parece exagero, mas essa já é a realidade de um mercado bilionário que nasce na intersecção entre o afeto e o consumo: o de luxo e bem-estar para animais de estimação.
Impulsionado por uma mudança na forma como os humanos enxergam seus animais – agora, membros efetivos da família –, o setor pet cresce para além da venda de ração e brinquedos, explorando um universo de experiências de alto padrão que espelham o estilo de vida de seus tutores.
A oferta expande-se para menus gourmet em hotéis de luxo, tratamentos estéticos com água ozonizada e até comunicação telepática com animais que já faleceram. Essa escalada de sofisticação, no entanto, levanta um debate: a busca incessante por bem-estar é genuinamente benéfica para os animais ou atende, primariamente, às projeções e expectativas de seus “pais humanos”?

Entre os benefícios terapêuticos comprovados e os riscos de uma humanização excessiva, especialistas, empresários e tutores enfrentam os dilemas de um mercado que vende, acima de tudo, uma nova forma de cuidado e afeto.
A força por trás da expansão do setor é um fenômeno sociocultural que especialistas chamam de “humanização pet”. A transição de “animal de estimação” para “filho de quatro patas” não é apenas uma figura de linguagem; é a base de um dos mercados que mais se expandem na economia global. Uma pesquisa da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet) revela que aproximadamente 90% dos tutores no Brasil consideram seus animais como membros da família.
Essa percepção se reflete nos números. O mercado pet global já se consolidou como uma força econômica, com um faturamento anual estimado em US$ 259 bilhões e uma projeção de alcançar US$ 427 bilhões até 2032, segundo o Fortune Business Insights.
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Nesse cenário, o Brasil é destaque: ocupa o terceiro lugar no ranking de maiores mercados do mundo e uma população de pets que superou 160 milhões em 2024, de acordo com dados da Abinpet.
José Edson Galvão de França, presidente-executivo da associação, explica que a solidez do setor se deve a uma “mudança fundamental no vínculo humano-animal”. Segundo ele, os pets hoje são parte central das famílias, que evoluíram para além da ideia do cão que apenas “cuida do quintal”. “O consumidor agora entende mais a personalidade do seu pet, e busca informação, compara produtos e prioriza qualidade sobre preço”, afirma.
Apesar da visibilidade de marcas como Gucci e Louis Vuitton, que já lançaram coleções inteiras para cães, o luxo representa menos de 1% do faturamento pet no Brasil. Sua importância, porém, não está nas vendas diretas. O fato de existir uma coleira de R$ 3.800 muda a noção do que é um gasto aceitável e funciona como marketing, movimentando o mercado e impulsionando as linhas premium de marcas tradicionais, onde realmente está o maior volume de negócios.

“O que acontece é que esse tipo de consumo chama atenção. Tutores de alta renda mantêm gastos enquanto outros migram para produtos mais básicos”, afirma José Edson. A maior preocupação da associação, segundo ele, é a democratização do acesso, ameaçada pela alta carga tributária. “Ainda hoje, a cada R$ 1 gasto pelas famílias com pet food, R$ 0,50 são impostos”.
Longe dos antigos pet shops com gaiolas e atendimento impessoal, surgem espaços que traduzem conceitos de spas e boutiques humanas para o universo canino. Juliana Caravante, proprietária do Stravaganza Pet, conta que sua inspiração veio de sua experiência em um salão de beleza. “A principal lacuna que identifiquei no mercado era a ausência de um cuidado verdadeiramente humanizado, que eliminasse o uso de gaiolas e baias, permitindo que os cães ficassem à vontade”, relata.
O foco de seu negócio é a “dessensibilização”, um processo para ressignificar a experiência do banho para pets traumatizados. “O impacto dessas práticas no bem-estar é imenso. O cão entende que não sentirá dor, desconforto ou estresse. Progressivamente, ele cria uma associação positiva com o espaço, os profissionais e os equipamentos”, conta Caravante, que também utiliza cromoterapia, massagens e musicoterapia.
“A cromoterapia é o uso das cores para promover o bem-estar. Nós utilizamos principalmente as luzes azul e roxa, que induzem a um estado de calma e relaxamento”, explica Juliana. “Essa prática é frequentemente combinada com a musicoterapia, onde usamos músicas clássicas ou faixas específicas para relaxamento canino, semelhantes às que usamos para meditação”.
O público, ela define, não se encaixa mais em classes sociais: “O perfil que nos procura é o de pais de pet. Não são apenas tutores ou donos; são pessoas que tratam seus animais como filhos e esperam que o espaço escolhido faça o mesmo. É esse manejo cuidadoso e transparente que atrai e fideliza o público que nos procura”.
A experiência de alto padrão se estende à hospedagem. No Rio de Janeiro, por exemplo, o Tunghat’s Resort ocupa uma área de 80 mil metros quadrados cercada por reserva florestal, com parque aquático, lagos para atividades e trilhas. Tony Noronha, sócio-proprietário, conta que a filosofia é o bem-estar dos cães, oferecendo um espaço onde eles podem “brincar, cavar, roer” com segurança. Entre as atividades, estão stand up paddle com recreadores, natação e enriquecimento ambiental.

O perfil dos clientes, segundo ele, reflete essa busca por experiências autênticas: “São pessoas com perfil ativo e que gostam de praticar atividades outdoor e que valorizam a natureza e a personalidade de seus cães”. Noronha também aponta para uma nova tendência: o turismo pet friendly. “Atendemos tutores de todo o mundo que viajam com seus cães e encontram no resort uma oportunidade de proporcionar uma viagem divertida também para seus cachorros”.

A tendência se espalha globalmente e vai além. O The Ings Luxury Cat Hotel, no Reino Unido, serve um menu à la carte para gatos com travessas de frutos do mar em pratinhos – de porcelana, aliás. Outro exemplo é o The Barkley Pet Hotel, em Ohio, que oferece suítes com piscina e televisão com programação para os pets.

Do ponto de vista veterinário, a crescente oferta de serviços de bem-estar é vista com um misto de otimismo e cautela. A médica veterinária integrativa Carol Preyer, da AmarVet’s, enxerga a tendência como um reflexo positivo do espaço que os pets ocupam nas famílias.
“Sempre que falamos de serviços que proporcionam relaxamento e tranquilidade, estamos falando também de saúde. Uma massagem bem conduzida, uma sessão de terapia integrativa ou mesmo um banho mais cuidadoso podem trazer benefícios reais para o equilíbrio físico e emocional dos cães”, defende.
Terapias antes restritas a humanos ganham validação no mundo animal. A acupuntura, por exemplo, conta Preyer, “tem eficácia comprovada em casos de dor crônica, doenças ortopédicas, neurológicas e até distúrbios comportamentais”.
Fabiana Volkweis, professora de Medicina Veterinária do Centro Universitário de Brasília (CEUB), complementa que a acupuntura é “uma técnica milenar da medicina tradicional chinesa que possui diversos estudos comprovando sua eficácia”.

Sobre a cromoterapia e a musicoterapia, há mais nuances. Preyer acredita que elas “atuam de forma sutil, mas poderosa, equilibrando o sistema nervoso e ajudando em situações de estresse, ansiedade, internações ou recuperação pós-cirúrgica”. Já Fabiana Volkweis é mais ponderada, afirmando que essas terapias “ainda carecem de mais estudos científicos que comprovem ação direta na saúde, mas podem ser consideradas como auxiliares no bem-estar animal”.
O ponto de alerta entre as especialistas é o risco do excesso. Banhos muito frequentes, por exemplo, podem ser prejudiciais. “O risco de submeter os cães a banhos muito frequentes é a alteração da barreira cutânea”, explica Volkweis, o que pode favorecer o desenvolvimento de dermatites. O uso constante de roupas e acessórios também é uma preocupação.
“Roupinhas são bem-vindas em dias frios, mas o uso constante pode atrapalhar a ventilação da pele e até favorecer problemas dermatológicos”, diz Preyer. Perfumes, por sua vez, podem conter substâncias irritativas para o olfato sensível dos cães.
Para Volkweis, a estética deve vir sempre depois da saúde. Sinais de incômodo como irritabilidade, resistência à manipulação ou ofegância indicam que o limite foi ultrapassado. O conselho de Carol Preyer, portanto, é “respeitar a fisiologia e o bem-estar do animal, sem transformar o cuidado em algo invasivo”.

A linha entre cuidado e excesso é tênue. O fenômeno da “antropomorfização” – a atribuição de características e necessidades exclusivamente humanas aos animais – é um risco real. Fabiana Volkweis alerta que a humanização excessiva “pode prejudicar tanto a saúde física quanto a mental do animal, levando a alterações comportamentais como ansiedade, agressividade e insegurança, resultado da perda de instintos naturais”.
O excesso de mimos e estímulos, mesmo com boas intenções, pode ser prejudicial. “Um animal que recebe estímulos constantes, sem momentos de silêncio e descanso, pode ficar ansioso, dependente ou até desenvolver comportamentos de hiperatividade”, explica a Carol Preyer. Volkweis concorda, afirmando que o exagero “pode trazer desconforto e gerar estresse, além de mudanças comportamentais”.
Ambas as veterinárias concordam que a base para a saúde mental canina envolve fatores simples: vínculo afetivo, rotina equilibrada, estímulos adequados, exercícios, socialização e descanso. Preyer ainda adiciona: “Por mais estranho que possa parecer, uma boa dieta e saúde intestinal também estão intimamente ligados à saúde mental e emocional”.

Nesse contexto, os serviços de alto padrão podem contribuir positivamente, desde que aplicados com consciência. “Uma sessão de massagem, uma cromoterapia ou até um banho com aromaterapia podem trazer um impacto positivo profundo – não por serem luxuosos, mas porque favorecem relaxamento e equilíbrio emocional”, pondera a veterinária. A questão, para ela, é “não confundir luxo com necessidade”.
A influência do luxo se manifesta de forma explícita na entrada de grifes de alta-costura no mercado pet. Marcas como Louis Vuitton, Gucci, Tiffany e Versace hoje oferecem coleções que vão de coleiras e bolsas de transporte a camas e roupas, transformando os animais em embaixadores do status de seus tutores.

Contudo, a expressão máxima da humanização talvez esteja na crescente busca por serviços esotéricos. O nicho mais extremo inclui a chamada “comunicação intuitiva animal”, que propõe um contato telepático para decifrar pensamentos e sentimentos, a “mediunidade veterinária”, com centros que oferecem tratamento espiritual para cães e gatos, e inclusive a “constelação familiar veterinária”, que estende a técnica de Bert Hellinger ao tratamento de pets e suas relações com o sistema familiar humano.
Para o mercado, o produto vendido não é para o pet, mas para o conforto emocional do tutor, um serviço de altíssimo valor agregado.
Diante de um leque tão vasto e, por vezes, excêntrico, o desafio para os tutores é encontrar o equilíbrio. O conselho dos especialistas é claro: a observação atenta do animal é a melhor bússola.

“Olhe para o seu pet como um ser único, com necessidades próprias. O que encanta um tutor pode não ser o que realmente faz bem para o animal”, recomenda Carol Preyer. Fabiana Volkweis reforça: “Aos tutores que gostam de investir em massagens, roupas e adereços, a recomendação é observar sempre o comportamento do animal”.
O futuro do mercado parece apontar para um caminho de bem-estar autêntico, que alia a sofisticação e o luxo ao respeito pelas necessidades biológicas e instintivas do animal. Afinal, como conclui a Carol Preyer, o cuidado verdadeiro está em permitir que o pet viva experiências autênticas – “correr, brincar, descansar, receber um toque sutil de aromaterapia ou relaxar ao som de uma música – é o que realmente constrói saúde integral”.
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