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“Eu quero um corpo perfeito, eu quero uma alma perfeita”. A música Creep, do Radiohead, tocava na academia quando eu cheguei para uma aula na quarta.
Eu estava pensando no tema da coluna de hoje, em uma dessas coincidências que, se estivessem em um filme, pareceriam levemente inverossímeis (tanto quanto tocar Radiohead numa academia).
Quero falar sobre a perfeição, ou melhor: a ânsia por ela nas redes sociais — e como isso pode estar te quebrando (emocional, física e financeiramente). No fim das contas, por que você deveria parar de tentar ser o bastante para o seu feed.
Estude melhor, seja mais focado no trabalho, faça mais exercícios, saia com seus amigos, leia livros, viaje, durma oito horas por dia, acorde cedo, seja “interessante e interessado (a)”, fique longe das telas e aproveite seu tempo off — mas sem deixar de tirar uma foto para postar.
Vou colocar a modéstia de lado para exemplificar meu ponto: eu faço exercícios de alta intensidade pelo menos três vezes na semana, trabalho, curso uma pós-graduação e leio pelo menos um livro por mês.
Ainda assim, quando abro o meu TikTok, parece que sou praticamente uma sedentária crônica e analfabeta funcional.
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O culto ao desempenho nas redes tem ficado insano ao ponto de a minha rotina, que considero bem produtiva, estar me parecendo preguiçosa. Afinal, eu não estou fazendo o suficiente, não tanto quanto a influencer X ou Y.
E se não faço, fracasso. E se fracasso, a culpa é minha, da minha falta de dedicação.
“É esse pensamento que diz que o grande poder não está em Deus, não está na igreja, no acaso, no destino ou no governo ou nem na sua empresa. Está em você. O sujeito é a sua própria salvação e a própria desgraça”, explicam os psicanalistas Andre Alves e Lucas Liedke, no episódio “Culto ao autocontrole”, do podcast Vibes em análise.
No TikTok, rotinas de exercícios e estudos inundam nossos feeds. A hashtag #wellness tem mais de 16 bilhões de visualizações. Já #studytok já conta com milhões de curtidas na plataforma.
E isso faz parecer que todo mundo está mais saudável e equilibrado do que você.
O que nos coloca em uma busca desesperada por reduzir esse gap entre nós e o resto — e cria tendências de comportamento de massa e consumo. Afinal, não basta se exercitar, você precisa da roupa, do suplemento, do tênis, relógio e assim por diante.
Quase 80% dos consumidores globais acreditam que o bem-estar é essencial, e 42% colocam essas atividades entre suas prioridades, de acordo com a McKinsey.
E isso só faz a indústria crescer. Em 2023, o valor do mercado de bem-estar era de US$ 6,32 trilhões, com projeção para atingir quase US$ 9 trilhões em 2028, em um crescimento anual de 7,3%. Os dados são do Statista.
Do lado dos estudos e do trabalho, o TikTok e Instagram criam a ideia de que existe uma forma certa de estar sendo produtivo.
Nos vídeos, a mensagem que fica é: se você não tem o computador Apple, o caderno organizador de R$ 150 e a mesa otimizada, você não está trabalhando/estudando da forma correta.
Até sair das redes virou uma pressão, com o medo sobre o apodrecimento do cérebro (“Brain Rot”), conceito que ficou famoso ano passado. Ou seja, além de manejar todas as demandas que as redes sociais implantam no seu cérebro, você ainda tem que tomar cuidado para elas não o arruinarem.
Mas esse comportamento compulsivo não seria justamente o ápice disso? Se você para de usar as redes sociais por influência das redes sociais, você está mesmo se retirando desse panorama ou é só mais uma trend que você se obriga a seguir?
Diante disso, cresce a ideia de que, para conquistar a vida dos sonhos (dando check em todas as caixas que as redes vendem como a vida perfeita), você precisa apenas de autocontrole e disciplina — que surge como uma das grandes aspirações do nosso tempo.
Ou seja, para se exercitar, estudar, trabalhar, socializar, você precisa de autocontrole e disciplina. Mas e para ter disciplina, como faz?
Surge daí um novo nicho nos qual alguns coaches se fartam: basta controlar o seu “eu preguiçoso”, suas emoções e viver exclusivamente da racionalidade.
Muitos gurus propagam a ideia de que nossas emoções são ferramentas passíveis de controle.
“Daí partimos da premissa de que autocontrole é um traço identitário. Ou você é controlado ou é descontrolado. Como se o autocontrole não fosse um recurso que a gente tem e que vai estar mais ou menos presente em alguns ambientes da nossa vida”, explica o psicanalista Andre Alves no podcast citado acima.
Ele argumenta que não dá para ser hiper disciplinado em todas as áreas da vida, como a ideia no cerne do wellness promete. Como se nós fôssemos capazes de escolher não sentir emoções negativas — e que afetam seu desempenho em várias áreas da vida.
Se tudo é uma questão de disciplina, você é capaz de transformar sua raiva em produtividade, a tristeza em motivação, eliminar a preguiça, ser consistente em tudo o que você se propõe a fazer.
E aqui, não dá para não citar o filme A Substância, que concorreu ao Oscar em 2025. O que mais vi nas redes sociais não foi uma reflexão sobre os padrões que colocaram a personagem principal em uma espiral de desgraças e sim, a falta de autocontrole para “respeitar o equilíbrio”.
Como se essa não fosse a armadilha em si.
E todo esse sentimento pode ser resumido no termo “Síndrome de Wellness”, um livro dos professores Carl Cederström e André Spicer.
Na visão deles, essa síndrome pode ser sintetizada como um esforço descomunal para manter o corpo supostamente são, mas que ignora a substância intelectual por trás disso.
Eles argumentam que, no passado, a ideia de manter o corpo saudável servia ao propósito de manter a mente saudável, mas o que se vê hoje é uma era em que a “atenção plena” é oficialmente promovida como um ideal.
Mas o objetivo não é estimular o pensamento, mas “apaziguar a mente para um estado de aceitação bovina, onde nenhum pensamento a perturbará”.
Diante disso, o que nos resta é nos equilibrar diante de tantos estímulos e olhar com ceticismo para esses movimentos sociais para entender até que ponto isso pode nos servir.
Fora isso, consumir uma curadoria de conteúdos que refresquem sua mente pode ser um bom atalho para sair da bitolação. Afinal, você pode treinar o seu algoritmo para ser menos tóxico, por assim dizer.
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