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O produto de edição limitada é lançado em parceria com a grife japonesa Issey Miyake, fundada pelo designer que criou as golas altas pretas usadas por Steve Jobs
Um acessório para iPhone de R$1.216 pode parecer exagero. Mas é justamente a novidade apresentada pela própria Apple nesta terça-feira (12). A marca anunciou uma parceria com a grife japonesa Issey Miyake para o lançamento do iPhone Pocket.
O case em questão trata-se de uma peça de edição limitada que se assemelha a uma pequena bolsa, pensada pelo designer Yoshiyuki Miyamae. O produto, que pode custar até US$ 229,95, será lançado na sexta-feira (14) em países e lojas selecionados. O Brasil, no entanto, não está oficialmente na lista.
Mais do que apenas uma collab, a parceria é um marco que remonta uma relação antiga da gigante de tecnologia com a marca de moda. O criador da grife japonesa, Issey Miyake, foi quem desenvolveu as famosas golas altas pretas que se tornaram marca registrada do cofundador da Apple, Steve Jobs.
O novo acessório, de acordo com as companhias, é uma “construção exclusiva em tricô 3D”. A peça apresenta uma estrutura aberta com textura canelada, que remete aos plissados emblemáticos de Issey Miyake.
“O design do iPhone Pocket reflete a conexão entre o iPhone e seu usuário, levando em conta que um produto da Apple é pensado para ter uma estética universal e uso versátil”, disse Yoshiyuki Miyamae em comunicado oficial. “A simplicidade de seu design reflete o que praticamos na Issey Miyake — a ideia de deixar as coisas menos definidas para abrir espaço a possibilidades e interpretações pessoais.”
Miyamae atualmente lidera a A-POC ABLE ISSEY MIYAKE, marca lançada em 2021 que opera fora dos padrões das coleções de temporada. Seu foco é experimentação têxtil, sustentabilidade e colaboração interdisciplinar.
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O design do iPhone Pocket se baseia no sistema A-POC (A Piece of Cloth). Trata-se de processo inovador de fabricação criado por Issey Miyake em 1998 em colaboração com o engenheiro têxtil Dai Fujiwara.
Neste método, um tecido tridimensional sai de máquinas computadorizadas pronto para ganhar formas e volumes. Depois, ocorre seu recorte nos pontos certos a fim de se transformá-lo no produto final. Neste caso, o iPhone Pocket. Todas as etapas de produção acontecem a partir dessa mesma peça, sem sobras e com facilidade de personalização.

O tecido elástico e inteligente do acessório se expande para acomodar objetos maiores, como os iPhones, mas também se adapta ao tamanho de itens menores, sem ficar excessivamente folgado. É possível, por exemplo, carregar também fones de ouvido, cartões ou chaves. Em relação à portabilidade, dá para segurar na mão, nos ombros, no corpo de forma transversal, ou até amarrar a bolsas.
O acessório terá duas versões. O modelo com alça curta custa US$ 149,95 (cerca de R$ 793) e está disponível nas cores limão, tangerina, roxo, rosa, azul-pavão, safira, canela e preto. Já a versão com alça longa, tem preço de US$ 229,95 (em torno de R$ 1.216), e opções nos tons safira, canela e preto. Ambas têm produção no Japão e compatibilidade com qualquer modelo de iPhone.
Inclusive, Molly Anderson, vice-presidente de design industrial da Apple, afirma que a paleta de cores do iPhone Pocket foi intencionalmente criada para combinar com todas as versões do smartphone.

O venda do novo acessório começa a partir desta sexta-feira (14), em lojas da Apple selecionadas e no site oficial da marca em alguns países. Dentre eles, França, China (incluindo Hong Kong, Macau e Taiwan), Itália, Japão, Singapura, Coreia do Sul, Reino Unido e Estados Unidos.
De acordo com o livro Steve Jobs, lançado por Walter Isaacson, em 2011, o cofundador da Apple fez uma visita à Sony, em Tóquio, na década de 1980. Lá, admirou os uniformes corporativos desenhados por Miyake. Os funcionários usavam uma jaqueta de nylon bege com mangas removíveis, que podia se transformar em colete.
Jobs, então, procurou o designer japonês para criar uma roupa semelhante aos colaboradores da Apple, mas a ideia não teve aprovação quando ele a apresentou à equipe, como indica o livro. A proposta não se concretizou. No entanto, o encontro deu início a uma amizade entre os dois.
“Pedi ao Issey que fizesse algumas de suas golas altas pretas que eu gostava, e ele me fez umas 100 delas”, contou Jobs ao seu biógrafo Walter Isaacson, acrescentando que era o suficiente para durar o resto da vida. Nesta época, o designer japonês tinha fama internacional por suas peças minimalistas, funcionais e inovadoras.
O resto da história, já é conhecido. As golas altas pretas, bem como o jeans Levi’s 501, tornaram-se o “uniforme pessoal” de Jobs e o transformaram em um dos CEOs mais reconhecíveis do mundo.
Mais de 40 anos depois, a conexão da big tech com a grife japonesa volta no formato do iPhone Pocket. “A Apple e a Issey Miyake compartilham uma abordagem de design que celebra o artesanato, a simplicidade e o encanto”, disse Molly Anderson, vice-presidente de Design Industrial da Apple.
Nascido em Hiroshima em 1938, Miyake estudou design gráfico na Tama Art University, localizada em Tóquio. Após graduar e fazer estágios em Paris com os designers Guy Laroche e Hubert de Givenchy, fundou o Miyake Design Studio em 1970, um espaço interdisciplinar de criação, bem como pesquisa e inovação. No mesmo ano, lançou sua marca homônima.

Miyake tornou-se conhecido pelo design de roupas com base em tecnologia. Ele foi pioneiro na técnica de plissagem que virou sua marca registrada e deu origem à linha Pleats Please, em 1993. Diferentemente dos métodos tradicionais, neste processo, a peça é costurada primeiro e depois plissada. Para isso, são usados tecidos sintéticos leves e resistentes, submetidos ao calor para formar pregas permanentes.
Miyake se afastou do comando das coleções principais da marca em 1999 para se dedicar à pesquisa, fundando em 2004 a Miyake Issey Foundation. A instituição se dedica a apoiar novas gerações de criadores. O designer faleceu em agosto de 2022, aos 84 anos, após lutar contra um câncer no fígado.
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