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Maria Carolina Abe

Maria Carolina Abe

É jornalista formada pela ECA-USP, com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais para Jornalistas pela B3. Tem mais de 25 anos de experiência e passagem pelas principais redações do país - entre elas, Estadão, Folha, UOL e CNN Brasil. Atualmente, é editora de Empresas no Seu Dinheiro.

ENTREVISTA EXCLUSIVA

Crescer no contraciclo: a receita do CEO da SLC Agrícola (SLCE3) para colher bons frutos em meio à baixa do agronegócio e ainda pagar dividendos

Em entrevista ao Seu Dinheiro, Aurélio Pavinato fala da importância da boa gestão de riscos e da diversificação para superar os contratempos do setor e do impacto da guerra comercial de Trump para os negócios

Maria Carolina Abe
Maria Carolina Abe
9 de junho de 2025
6:03 - atualizado às 11:06
Aurélio Pavinato, CEO da SLC Agrícola - Imagem: Divulgação

Quem leva uma vida urbana costuma reclamar quando chove — porque prejudica o trânsito, estraga a praia ou atrapalha os passeios planejados para o fim de semana. Mas para quem é da roça, chuva (na hora certa, claro) é coisa a ser comemorada.

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Ainda mais quando é chuva no Mato Grosso no fim de maio, época de seca no Estado, dando o último gás que faltava para as culturas de milho e algodão. Quem celebrou, no caso, foi Aurélio Pavinato, CEO da SLC Agrícola (SLCE3), uma das maiores produtoras de commodities do país. O executivo conversou com o Seu Dinheiro nos últimos dias do mês passado.

“Está chovendo hoje no Mato Grosso, uma coincidência! Deu uma chuva lá no Sapezal, no oeste do Mato Grosso”, contou o CEO, animado. “As safras de milho e de algodão estão bem encaminhadas. A nossa expectativa é ter um 2025 mais parecido com 2023 do que com 2024, o que a gente considera um ano normal.”

O ano passado realmente não foi dos melhores para a companhia, que viu uma safra com menor produtividade por conta dos efeitos do El Niño, além da queda no preço das commodities, em especial da soja. A empresa encerrou 2024 com lucro líquido consolidado de R$ 481,723 milhões, uma redução de 48,6% em relação ao ano anterior.

Pavinato ressalta que esse “normal” para 2025, na verdade, significa manter a tendência de crescimento ao longo dos anos. “Dentro da eficiência que a gente consegue ter na nossa operação, vamos ter um bom resultado, mesmo, em tese, com preços baixos”, afirma o executivo, filho de pequenos produtores nascido em Vista Gaúcha (RS), que entrou na SLC em 1993 e nunca mais saiu.

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Os dados do primeiro trimestre deste ano já indicaram essa perspectiva. A empresa reportou lucro líquido de R$ 510,7 milhões, alta de 123,1% em comparação com o mesmo período de 2024 e acima das expectativas do mercado.

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A receita do sucesso no agronegócio

Questionado sobre como consegue se sobressair em meio a um setor em crise, Pavinato diz que, na verdade, o setor vive é um ciclo de baixa e que “aqueles que não têm uma gestão eficiente de riscos acabam sofrendo” nesse período. 

A receita do sucesso no agro, afirma ele, é pensar em ciclos de longo prazo e ter uma gestão de riscos bem definida e eficiente, pois a produção agrícola tem sua volatilidade natural, com variações de preços e da produtividade das lavouras em função do clima.

Ele conta que uma das estratégias adotadas pela SLC para mitigar os riscos ao longo do tempo foi a diversificação de produção — a empresa tem lavouras de soja, milho e algodão —, além da diversificação geográfica –= ao todo, tem hoje 26 fazendas em oito Estados brasileiros.

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Adicionalmente aos produtos tradicionais cultivados, a companhia também vem investindo na criação de gado no modelo integração lavoura-pecuária (ILP) e na produção e venda de sementes de soja e algodão sob a marca SLC Sementes.

O plano de Pavinato inclui, ainda, reuniões semanais com os times para discutir estratégias comerciais, incluindo a compra de insumos, que têm um grande peso no caixa da companhia.  

Aproveitando o ciclo de baixa para crescer

O executivo conta que a estratégia da empresa no médio e longo prazo é aproveitar os ciclos de baixa para crescer, não os de alta — portanto, não de forma linear. 

“A gente cresceu muito em 2021, aí em 2022 e 2023 a gente não cresceu, porque foram anos em que o negócio estava muito bom, mas, ao mesmo tempo, estava tudo muito caro. Agora, 2024 e 2025 são anos em que o agro está sofrendo pelos preços baixos, e aí nós crescemos.”

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Para 2026, segundo ele, tudo dependerá das oportunidades, mas a estratégia maior deverá ser de consolidação.

Portanto, enquanto alguns pelejam nesse ciclo de baixa do agro, a SLC aproveitou para “passar o rodo” e fazer uma série de aquisições. Somente no primeiro trimestre, já foram quatro anúncios: 

  • Aquisição da empresa Sierentz Agro Brasil por aproximadamente R$ 775 milhões;
  • Aquisição da Fazenda Paladino, localizada em São Desidério (BA), com 39.987 hectares, por R$ 723 milhões;
  • Aquisição da Fazenda Pamplona, situada em Unaí (MG), com 7.835 hectares, por R$ 190 milhões;
  • Aquisição da participação de 47,8% do capital da SLC-MIT Empreendimentos Agrícola.

Em relatório divulgado em maio, o BTG Pactual destaca esta estratégia da empresa como acertada. “A SLC há muito se posiciona como uma empresa anticíclica — preservando o caixa durante os ciclos de alta, enquanto aproveita as crises como oportunidades de expansão”, escreveram os analistas do banco. 

Impacto da guerra comercial de Trump

Assim que Donald Trump começou a anunciar suas tarifas contra todos os países do mundo, alguns analistas destacaram a SLC Agrícola como uma potencial beneficiada pelas medidas. 

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Para Pavinato, há um impacto direto no curto prazo, com aumento da procura pelos produtos da empresa em substituição aos produtos dos EUA — com exceção do algodão, explica ele, pois neste caso a insegurança em relação ao PIB mundial faz com que a demanda se contraia. 

E, no longo prazo, o Brasil sai fortalecido como sendo um fornecedor global confiável e seguro, avalia o executivo.

Em relatório divulgado em maio, a analista Georgia Jorge, do BB Investimentos, escreveu: “Em nossa visão, a SLC Agrícola está bem posicionada para seguir capturando essas oportunidades comerciais [da guerra comercial de Trump], inclusive com um crescimento contratado de 13,7% em área plantada para a safra 2025/26.”

Sobre os preços das commodities, Pavinato afirma que a expectativa é de manutenção no atual patamar no médio prazo. Segundo ele, o estoque global de soja está alto, mas o do milho não está, então um acaba compensando o outro. 

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Dividendos e relação com acionistas

A SLC Agrícola tem como praxe pagar 50% do lucro em proventos aos acionistas, e a estratégia é manter esse nível de payout, segundo o CEO. Ele estima que a empresa tenha em torno de 70 mil investidores pessoa física no Brasil atualmente.

O papel opera hoje na casa dos R$ 19, acumulando valorização de quase 10% neste ano.

A ação SLCE3 é acompanhada por analistas de 12 casas e conta com cinco recomendações de compra: Itaú BBA (com preço-alvo de R$ 25), Morgan Stanley (R$ 25), BTG Pactual (R$ 24), Ativa Investimentos (R$ 24,60) e Banco do Brasil (R$ 24,90).

  • LEIA TAMBÉM: Onde investir no 2º semestre de 2025? Evento gratuito do Seu Dinheiro reúne as melhores recomendações de ações, FIIs, BDRs, criptomoedas e renda fixa

A ação também é recomendada pela Empiricus, integrando a carteira geral da gestora, a carteira Vacas Leiteiras (que inclui as melhores pagadoras de dividendos) e o fundo Empiricus MAB FIA.

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Na opinião dos analistas do BTG, “o comportamento das ações da SLC frequentemente acompanha os preços das commodities no curto prazo. No entanto, suas melhorias de produtividade e seu perfil de investimento anticíclico tendem a amplificar seu desempenho quando os preços se recuperam”. Por isso, afirmam, “vemos este como um momento atraente para COMPRAR. SLC continua sendo uma das nossas principais escolhas.”

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