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Monique Lima

Monique Lima

Repórter de finanças pessoais e investimentos no Seu Dinheiro. Formada em Jornalismo, também escreve sobre mercados, economia e negócios. Já passou por redações de VOCÊ S/A, Forbes e InfoMoney.

ÚLTIMO DO ANO

Selic se mantém em 15% ao ano e Copom joga balde de água fria nos mercados ao não sinalizar corte nos juros

O Copom não entregou a sinalização que o mercado esperava e manteve o tom duro do comunicado, indicando que os cortes na Selic podem demorar ainda

Monique Lima
Monique Lima
10 de dezembro de 2025
19:07 - atualizado às 14:27
Presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, com a mão na cabeça.
Presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo - Imagem: Flickr Banco Central

Não havia qualquer dúvida entre os agentes financeiros que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteria a taxa Selic em 15% ao ano nesta última reunião de 2025. Dito e feito.  

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A decisão desta quarta-feira (10) manteve a taxa básica estável pela quarta vez consecutiva.  

Mas o que o mercado — a indústria, a política e demais participantes da economia — realmente aguardavam com ansiedade, não era a decisão sobre a Selic, mas o comunicado do comitê.  

A expectativa era muito grande em relação a alguma sinalização no comunicado que indicasse a possibilidade do início dos cortes na Selic nos primeiros meses de 2026, para não dizer em janeiro mesmo.  

E a sinalização não veio.  

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Assim como nos comunicados anteriores, o Copom descreveu um cenário ainda fora das expectativas do comitê. O texto desta quarta-feira destaca o mercado de trabalho resiliente, as expectativas de inflação futura ainda fora da meta e o tom de "comitê vigilante".

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Um dos trechos que a maioria dos economistas indicou que poderia sair, no caso de uma possível sinalização de corte, era a parte que diz que o Copom "não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso julgue apropriado". O comunicado desta quarta introduz um "como usual", que não tinha anteriormente, mas não exclui o trecho.

Outra expectativa de mudança no texto que não veio era a introdução de um trecho que fala sobre a "dependência dos dados para avaliar a estratégia em curso", que a manutenção do nível corrente da Selic, em 15% ao ano.

Um ponto positivo, entretanto, foi a revisão da inflação no horizonte relevante de análise do comitê — que é de 18 meses à frente, o segundo trimestre de 2027. Nesta data, o Copom revisou a projeção de 3,3% em novembro, para 3,2% agora em dezembro.

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Janeiro ou março, eis a questão  

A maior parte do mercado se dividia entre a expectativa de um primeiro corte da Selic em janeiro (48,4%) ou março (43,5%).  

Com a (falta de) sinalização de hoje do Copom, é possível que as apostas para o início do ciclo de cortes em março, ou depois, se fortaleçam. A ata do Copom, prevista para ser divulgada na próxima terça-feira (16), deve dar mais informações sobre as análises dos diretores do Banco Central e embasar melhor as projeções dos agentes financeiros.  

A sinalização sobre “manter juros altos por período bastante prolongado” também continuou no comunicado. Entretanto, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, falou em entrevistas recentes que não precisaria tirar esse trecho para iniciar os cortes na Selic.  

Para Galípolo, essa frase diz respeito a uma política monetária restritiva, e mesmo diante de sucessivos cortes, os juros básicos continuarão apertados ao longo de todo o próximo ano.  

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Segundo uma pesquisa do BTG Pactual com 62 agentes financeiros, mais de 70% das estimativas para a Selic ao final de 2026 se concentram na faixa de 12% (36,7%) a 12,50% (36,7%).  

Considerando a estimativa de inflação para o próximo ano, de 4,2% ao ano, ainda estamos falando de um juro real no nível de 8% — o que é considerado bastante restritivo. A taxa neutra (que não impulsiona e nem contrai a economia) é de 5%.  

O que os economistas entenderam

Leonardo Costa, economista do ASA, afirma que o comunicado foi neutro, com o Copom sinalizando que a Selic em 15% ao ano está "funcionando". Para ele, as apostas de corte em janeiro devem se esvaziar e a casa mantém sua projeção anterior, de um primeiro ajuste em março de 2026, de 50 pontos-base, para 14,5% ao ano.

"As pequenas mudanças indicam que o comitê abriu espaço para ficar mais dependente dos dados nas suas próximas decisões", diz Costa.

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Para Carlos Lopes, economista do banco BV, a falta de sinalização no comunicado desta quarta-feira não é "um impeditivo" para o início dos cortes em janeiro, porém "mostra que o Banco Central tem uma baixa convicção" sobre esse primeiro ajuste no próximo mês.

"Na nossa visão, se o Banco Central tivesse uma convicção maior nesse momento sobre um corte de juros em janeiro, várias mudanças poderiam ter sido feitas nessa comunicação. Continuamos vendo janeiro como um mês mais improvável, mantendo o cenário-base de corte de juros se iniciando em março", diz Lopes.

Ele ainda acrescenta que o Copom parece querer ganhar mais tempo para acumular dados sobre inflação, expectativas e evolução da atividade econômica antes de iniciar o próximo ciclo.

Uma leitura diferente da feita por André Muller, economista-chefe da AZ Quest. Para Muller, os diretores quiseram tirar o peso do comunicado e da possibilidade de qualquer antecipação do mercado. Ele acredita que, em janeiro, a inflação no horizonte relevante vai chegar a 3% e o Copom terá espaço para um primeiro corte, de 25 pontos-base.

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Copom renovado em 2026 

A reunião desta quarta-feira também marca a conclusão dos dois mandatos de diretoria do Banco Central: de Diogo Guillen, diretor de Política Econômica, e Renato Dias de Brito, diretor de Organização e Resolução do Sistema Financeiro. 

Até o momento não houve indicação dos substitutos dos dois diretores. A expectativa do mercado é de que os nomes só devem ser apresentados no início do próximo ano.  

Renato Dias de Brito Gomes, diretor de Organização do Sistema Financeiro e Resolução e Diogo Guillen, diretor de Política Econômica do Banco Central
Renato Dias de Brito Gomes, diretor de Organização do Sistema Financeiro e Resolução e Diogo Guillen, diretor de Política Econômica. Foto: Raphael Ribeiro/ Banco Central

A nomeação é feita pela Presidência da República e posteriormente aprovada pelo Senado Federal. O que se especula é que o clima atual entre Executivo e Legislativo não dê margem para um debate sobre o assunto.  

Caso a postergação ocorra, Guillen e Brito devem estender seus mandatos por algum tempo, até que as indicações se confirmem.  

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Isso aconteceu no passado recente, quando, em 2023, o atual presidente do BC foi nomeado para a diretoria de política monetária dois meses após a exoneração de seu antecessor, Bruno Serra.  

As diretorias de política econômica e organização do sistema financeiro foram cruciais ao longo de 2025. A primeira desempenha um papel técnico muito importante para embasar as decisões sobre juros e a forma que isso será comunicado ao mercado.  

No segundo caso, o trabalho de Brito foi fundamental para o indeferimento da compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB).  

Efeito sobre cortes na Selic?  

Para Luis Felipe Vital, estrategista-chefe de Macro e Dívida Pública da Warren Investimentos, a troca não deve afetar a condução da política monetária adotada pelo BC até o momento.  

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Vital acredita que o processo de transição será natural, ainda que possa ter atrasos e ser mais prolongado que o ideal.  

“As informações e análises que embasam a decisão do Copom vêm da equipe técnica do Banco Central. A posição do colegiado trabalha dentro da institucionalidade, com muitas regras. A mudança de um diretor para outro não vai colocar isso abaixo”, diz o estrategista-chefe da Warren.

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