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ISENTOS NA MIRA

‘Marota’, contraditória e catastrófica: o que o ex-BC Arminio Fraga acha da política de isenção de IR para alguns investimentos

Em artigo publicado no jornal “O Globo” deste domingo (12), o economista defende o fim do benefício fiscal para títulos como LCI, LCA e debêntures

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12 de outubro de 2025
14:42 - atualizado às 14:28
Arminio Fraga, ex-presidente do Banco Central. - Imagem: HSM Brasil

Na semana que se passou, o Congresso derrubou uma medida provisória proposta pelo governo que previa a tributação de alguns investimentos atualmente isentos de Imposto de Renda. Proposta, aliás, que já havia sido praticamente desfigurada após tantas mudanças ao longo do seu caminho político.

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Houve quem comemorasse, mas também quem acredite que a discussão tinha que ir até mais a fundo. Neste segundo caso se encontra o ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga, que escreveu um artigo para o jornal “O Globo” deste domingo (12) cujo título é “hora de parar com emissões de títulos isentos do IR”.

Entre esses investimentos incentivados com a isenção do IR estão títulos como debêntures privadas, Letras de Crédito Agrícola (LCAs), Letras de Crédito Imobiliário (LCIs), Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) e outros.

Segundo Fraga, essa política de incentivo é fundamentalmente falha por cinco razões principais:

1. É altamente regressiva: o benefício fiscal é altamente regressivo, pois os compradores desses títulos pertencem, com certeza, aos 10% mais ricos da população, e provavelmente aos 2-3% mais ricos. Ou seja, beneficia os mais ricos.

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2. Distorção da alocação de recursos: a isenção distorce a alocação eficiente de recursos na economia. Fraga questiona a razão para que especificamente esses setores (agrícola, imobiliário, infraestrutura) sejam beneficiados e sugere que, mesmo no setor de infraestrutura, seria necessária uma criteriosa avaliação de custo e benefício.

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3. Fiscalmente catastrófica: a política é considerada porque compromete a já fragilizada situação fiscal do país.

4. “Marota"(Oculta): os subsídios concedidos por meio dessas isenções não são computados no Orçamento do país.

5. Contradição com a política monetária: a política de isenção entra em contradição com a política monetária, que já está "estressada", afirma o economista.

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O custo da isenção para as contas públicas

Fraga se aprofunda no aspecto do custo fiscal. Além da perda direta de receita tributária que pode chegar a R$ 50 bilhões por ano, a isenção tem um impacto severo no custo da dívida pública.

A isenção pressiona o custo da dívida pública porque os títulos isentos competem com a dívida do Tesouro Nacional pela poupança do país.

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O economista ilustra o alto custo dessa pressão: com os juros atuais (15% ao ano), um aumento nas taxas pagas pelo Tesouro em seus títulos, equivalente à metade da diferença (cunha) entre os ativos isentos e os não isentos (metade de 15% de imposto sobre 15% de juros sobre a dívida), custa cerca de R$ 240 bilhões. 

Esse mecanismo, portanto, encarece a conta dos juros que o país precisa pagar, aponta Fraga.

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Para Fraga, esse subsídio "não faz o menor sentido".

A eliminação imediata dessa política reduziria o custo de captação do Tesouro e sinalizaria à sociedade que políticas de má qualidade, como essas isenções, não serão mais toleradas, defende o ex-BC.

Outras críticas de Fraga

Fraga insere essa crítica em um contexto de aumento do gasto público no Brasil ao longo das décadas. Ele nota que o gasto primário (excluindo juros) subiu de 23% para 34% do Produto Interno Bruto (PIB) nos últimos 45 anos. Para compensar esse aumento, foi necessário elevar a carga tributária. Atualmente, a dívida pública se aproxima de 80% do PIB e as taxas de juros explodiram.

Em relação a outras discussões tributárias, Fraga menciona que, em vez de aumentar alíquotas de impostos (como o Imposto de Renda ou a CSLL sobre bancos), seria mais produtivo repensar os mecanismos legais que permitem a redução ou postergação da carga tributária em vários setores. 

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Ele também relembra a crítica de Mario Henrique Simonsen ao Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que desestimula simultaneamente a poupança e o investimento.

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