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Otávio Preto

Otávio Preto

Formado em Jornalismo pela PUC-SP, atua como repórter no Money Times e no Seu Dinheiro, onde também já trabalhou como analista de mídias sociais, com experiência em produção de conteúdo para diferentes plataformas digitais. Antes disso, foi repórter no site Monitor do Mercado.

UM DOS MAIORES ROUBOS DA HITÓRIA

Em meio a roubo de joias históricas do Museu do Louvre, a peça principal ficou para trás; veja o que foi levado

Criminosos invadiram o Museu do Louvre e levaram oito joias da coroa francesa, em um dos maiores roubos da história; o diamante Régent, avaliado em US$ 60 milhões, ficou para trás

Otávio Preto
Otávio Preto
20 de outubro de 2025
17:25 - atualizado às 16:56
Tiara da imperatriz Eugénie roubada do Museu do Louvre, em Paris
Roubo no Louvre: criminosos levaram oito joias históricas da coroa francesa, mas deixaram para trás o diamante Régent — a peça mais valiosa da coleção, avaliada em mais de US$ 60 milhões. - Imagem: Divulgação/Museu do Louvre

Paris foi palco de um dos maiores roubos de joias da história no fim de semana. Em uma ação rápida e ousada, criminosos invadiram a Galerie d’Apollon e levaram oito peças valiosas das joias da coroa francesa. Elas estavam expostas no Louvre.

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Surpreendentemente, porém, o “Diamante Régent”, estimado em mais de US$ 60 milhões, não foi alvo dos ladrões — ele era o item mais caro da coleção.

O que foi levado do Louvre

O ministro do Interior, Laurent Nuñez, lamentou o crime e afirmou que as peças roubadas tinham "valor inestimável".

"Eles claramente fizeram um reconhecimento prévio. Parecem muito experientes. Essas joias tinham valor inestimável, eram um verdadeiro patrimônio", declarou o ministro.

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Dentre os itens levados estavam:

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Diadema, colar e brincos de safira

O conjunto de joias de diamantes e safiras roubado do Louvre tem quilates dignos da realeza. As peças já foram usadas por figuras como a rainha da Holanda, Hortense de Beauharnais; a rainha consorte da França, Marie-Amélie; e a duquesa de Guise, Isabelle d’Orléans.

O destaque da coleção é um diadema — adorno de cabeça tradicionalmente usado pela nobreza — que reúne 24 safiras do Ceilão e 1.083 diamantes. Segundo o museu, as pedras podem ser removidas e transformadas em broches.

A origem exata do conjunto ainda é desconhecida, embora especialistas apontem que ele possa ter pertencido à rainha Maria Antonieta.

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Mesmo sem portar marcas dos grandes joalheiros franceses da época, as joias refletem o refinamento e a habilidade dos artesãos parisienses do início do século XIX, destacou o Louvre.

Brincos do do conjunto de joias da rainha Marie-Amélie e da rainha Hortense • Divulgação/Museu do Louvre
Tiara do conjunto de joias da rainha Marie-Amélie e da rainha Hortense • Divulgação/Museu do Louvre
Colar do conjunto de joias da rainha Maria Amélia da França e da rainha Hortense • Divulgação/Museu do Louvre

Colar e brincos de esmeralda da esposa de Napoleão

O conjunto de joias ornamentado foi um presente de casamento de Napoleão Bonaparte à sua segunda esposa, a imperatriz Maria Luísa da Áustria, em março de 1810.

Criadas pelo renomado joalheiro François-Régnault Nitot, as peças são compostas por 32 esmeraldas lapidadas com técnica complexa e 1.138 diamantes.

Após o colapso do Império Napoleônico, Maria Luísa deixou o conjunto — que incluía uma tiara, um colar e um par de brincos — como herança a um parente, e as joias foram sendo passadas de geração em geração.

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Mais tarde, a tiara foi vendida e modificada, tendo suas esmeraldas substituídas por pedras de turquesa por um colecionador americano. Essa versão alterada hoje integra a coleção do Smithsonian, nos Estados Unidos.

Já o colar e os brincos permaneceram em sua forma original e foram adquiridos pelo Museu do Louvre em 2004, por cerca de 3,7 milhões de euros (R$ 23,1 milhões).

Colar de esmeraldas do conjunto Marie-Louise • Divulgação/Museu do Louvre
Par de brincos de esmeralda do conjunto Marie-Louise • Divulgação/Museu do Louvre

Broche da imperatriz Eugénie

A imperatriz Eugénie de Montijo, esposa de Napoleão III e considerada uma das mulheres mais elegantes do século XIX, foi a primeira proprietária de um broche relicário de diamantes criado especialmente para ela.

A peça foi confeccionada em 1855 pelo joalheiro Paul-Alfred Bapst, segundo o site do Louvre. Condessa espanhola, Eugénie foi imperatriz da França entre 1853 e 1870 e conhecida por seu refinado gosto artístico.

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O broche, que contém uma relíquia sagrada — símbolo da fé católica da imperatriz —, é formado por 94 diamantes, incluindo os históricos Mazarin 17 e 18. Essas pedras foram originalmente doadas ao rei Luís XIV pelo cardeal Mazarin em 1661, e aparecem espelhadas no centro da joia.

No verso, o broche dourado traz gravuras delicadas de folhagens e folhas, que reforçam o trabalho artesanal da época. A peça foi adquirida pelo Museu do Louvre em 1887 e integra hoje o acervo das joias da coroa francesa.

Broche relicário roubado do Museu do Louvre, em Paris • Divulgação/Museu do Louvre

Diadema de pérolas e broche de diamantes

Originalmente, o broche de prata, ouro e diamantes fazia parte de um cinto com cerca de 4 mil pedras preciosas, exibido na Exposição Universal de 1855, antes de ser usado pela imperatriz Eugénie, segundo o site do Louvre.

Confeccionado pelo joalheiro François Kramer, o cinto foi usado por Eugénie em duas ocasiões marcantes: durante a visita da Rainha Vitória ao Palácio de Versalhes, em agosto de 1855, e novamente em junho de 1856, no batismo do Príncipe Imperial.

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Posteriormente, a imperatriz decidiu transformar o cinto em um broche, encomendando a um de seus joalheiros a criação de uma peça independente e mais sofisticada. O novo design recebeu borlas de diamantes em cascata, tornando-se uma das joias mais exuberantes de sua coleção.

Em 1887, o broche foi adquirido em leilão pelo joalheiro Émile Schlesinger por 42.200 francos franceses, a pedido da socialite nova-iorquina Caroline Astor, segundo a casa de leilões Christie’s.

A joia permaneceu na família Astor por mais de um século, até ser recomprada pelo Museu do Louvre em 2008, retornando à França. De acordo com a Fundação Napoleão, o museu pagou 6,72 milhões de euros — o equivalente a mais de US$ 10 milhões na época — para readquirir a peça histórica.

O diadema, por sua vez, foi confeccionado pelo joalheiro Alexandre-Gabriel Lemonnier em 1853 e contém 212 pérolas e 1.998 diamantes, de acordo com o Louvre.

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Broche corpete que pertenceu Eugênia, que foi roubada do Museu do Louvre • Youtube/Museu do Louvre
Tiara da imperatriz Eugénie roubada do Museu do Louvre, em Paris • Divulgação/Museu do Louvre

Coroa da imperatriz da esposa de Napoleão

Os ladrões tentaram roubar a coroa da imperatriz Eugénie, mas a peça acabou sendo encontrada do lado de fora do Museu do Louvre, segundo o Ministério da Cultura da França.

Feita de ouro ornamentado, a coroa é adornada com 1.354 diamantes e 56 esmeraldas. De acordo com o jornal Le Parisien, a joia foi danificada durante a tentativa de roubo, mas permanece sob custódia das autoridades francesas.

Coroa da Imperatriz Eugénie, esposa de Napoleão III • Divulgação/Museu do Louvre

A principal joia que não foi roubada no Louvre

Apesar do roubo digno das aventuras do gentleman cambrioleur da literatura francesa, Arsène Lupin, o item mais caro da coleção não foi levado.

O diamante Régent.

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A história da peça inclui a descoberta na Índia em 1698, a lapidação em Londres e a aquisição pelo regente francês, Filipe II, Duque de Orléans, em 1717.

A pedra preciosa tem de 140 quilates e está avaliada em US$ 60 milhões (cerca de R$ 377 milhões), segundo estimativas da casa de leilões Sotheby's.

Diamante Régent - Divulgação Museu do Louvre

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