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Para analistas, o resultado do 4T24 foi neutro, em uma combinação de lucratividade e rentabilidade dentro do esperado e de um aumento nas despesas
Mesmo após entregar um lucro de R$ 5,4 bilhões no quarto trimestre de 2024, o Bradesco (BBDC4) se vê no vermelho da bolsa brasileira nesta sexta-feira (7).
As ações BBDC4 fecharam o dia em queda de 3,93%, negociadas a R$ 11,99. No acumulado do ano, porém, o banco marca alta de 6,3% na B3.
Para os analistas, o resultado do 4T24 foi neutro, em uma combinação de lucratividade dentro do esperado, rentabilidade atrás dos principais concorrentes privados e de um aumento dos custos do bancão.
Segundo o BB Investimentos (BB-BI), as despesas continuaram ofuscando os avanços operacionais do banco, com alta de 9,1% na comparação trimestral e de 9,9% frente ao quarto trimestre de 2023.
| Indicador | Resultado 4T24 | Projeções - Bloomberg | Variação (a/a) | Evolução (t/t) |
| Lucro Líquido | R$ 5,4 bilhões | R$ 5,315 bilhões | +87,7% | +3,4% |
| ROAE | 12,7% | 12,9% | +5,8 p.p. | +0,3 p.p. |
| Margem financeira líquida | R$ 16,995 bilhões | — | +5,4% | +6,2% |
| Carteira de crédito ampliada | R$ 981,7 bilhões | — | +11,9% | +4% |
Na avaliação do BTG Pactual, ainda que a receita Bradesco do quarto trimestre tenha sido apoiada por resultados comerciais mais fortes, é improvável que esse panorama se repita nos próximos trimestres.
Não à toa, o banco anunciou previsões mais cautelosas para 2025, especialmente para a concessão de crédito, diante de taxas de juros em alta, inflação persistente e ambiente fiscal deteriorado.
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“Transformar o banco seria um empreendimento significativo, mesmo em uma economia em crescimento com taxas de juros em declínio. Fazer isso em meio à piora das condições macroeconômicas torna o desafio ainda maior, sugerindo um processo mais longo e lento”, avaliou o BTG.
Para os analistas, o Bradesco (BBDC4) tem pouco espaço para erros devido ao seu “poder de lucro” ainda abaixo da média do setor e a um cenário competitivo e regulatório difícil.
É por isso que, ainda que a ação possa parecer barata, negociada a um múltiplo de 0,8 vez o preço sobre valor patrimonial, o banco permanece “cauteloso” com a tese.
“Alguns anos atrás, era praticamente inimaginável o Bradesco entregar ROEs abaixo de 20%. Após a espiral de resultados negativos nos últimos anos, o banco aos poucos vem se recuperando, mas o caminho ainda é longo, especialmente com o ambiente macro mais deteriorado. Vai ser um ano difícil para operar crédito e a competição segue acirrada”, disse Felipe Moura, sócio analista da Finacap.
Para Moura, a primeira milha deste longo processo de recuperação a ser conquistada pelo Bradesco será recuperar o patamar de 15% de rentabilidade.
Na visão do Itaú BBA, os investidores precisarão de tempo antes de "comprar" a visão de crescimento de lucros do Bradesco, especialmente devido aos riscos de execução e à perspectiva macro incerta.
Os analistas destacaram que o banco está trabalhando em seus desafios em um ritmo gradual, mas mantiveram recomendação “market perform”, equivalente a neutro, por verem “melhores jogadas de valor em outras partes do setor”.
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