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Nando Parrado encerrou o BTG Summit 2024 com a palestra ‘Lições de Vida’; veja aqui os principais insights da apresentação
“Não há nenhuma possibilidade de que um ser humano possa sobreviver ao que nós sobrevivemos há cinquenta anos”. Você pode até não conhecer Nando Parrado pelo nome, mas com certeza conhece sua história. Não é pra menos: o que ele e seus companheiros viveram foi tão espetacular que já foi eternizado nas telas do cinema duas vezes.
Primeiro, no filme Vivos, de 1993, protagonizado por um Ethan Hawke ainda em começo de carreira.
E mais recentemente, na produção da Netflix que concorre ao Oscar de melhor filme estrangeiro de 2024: A Sociedade da Neve, disponível no catálogo da Netflix.
Hoje um simpático senhor de 74 anos, Nando Parrado esteve nesta semana no Brasil para o encerramento do BTG Summit 2024.
O relato foi destinado a uma plateia formada principalmente por empresários e assessores de investimentos, mas acredito que qualquer um tenha uma ou duas coisas para aprender com ele.
Na verdade, especialmente se você é empreendedor ou investidor, a história de Nando pode ser muito valiosa. Afinal de contas, para vencer no mundo dos negócios, a primeira coisa — e a mais importante — é não desistir.
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E se tem alguém no mundo que pode te ensinar a não desistir, esse alguém é Nando Parrado.
Eu, pelo menos, nunca mais serei o mesmo depois dessa palestra.
“Todos os experts em sobrevivência que nos entrevistaram disseram que só poderíamos ter sobrevivido 36 horas. Sobrevivemos dois meses e meio, a cinco mil metros de altura, somente com um isqueiro.” — Nando Parrado.
Essa é uma história de pessoas comuns que foram obrigadas, pelas circunstâncias da vida, a enfrentar algumas das privações mais intensas a que um ser humano pode ser submetido.
Se você ainda não viu o filme Sociedade da Neve, aqui vai um brevíssimo resumo.
Um avião militar sai do Uruguai em direção ao Chile com quarenta e cinco pessoas, a maioria membros de um time de rugby. A aeronave cai nos Andes e se parte ao meio.
Apenas por um acaso da vida, um rolar de dados do destino, quem estava na frente, sobrevive. Quem estava atrás, não teve chance.

Essas pessoas passam setenta e dois dias enfrentando frio, fome, sede e temperaturas abaixo de zero. Pra piorar as coisas, uma avalanche ainda enterra o avião sob a neve.
E mesmo assim, essas pessoas literalmente desenterraram os próprios corpos, se levantaram e caminharam de volta à vida. O simbolismo desse momento caracteriza um daqueles momentos em que a beleza da vida supera a literatura.
Nando Parrado e seus colegas esperaram o verão chegar, caminharam e escalaram uma montanha próxima, que dava passagem pra um vilarejo.
Essas poucas linhas resumem porcamente os setenta e dois dias de duração de todo esse processo. A experiência mais completa de imersão disponível atualmente é o filme.
E nem isso chega perto dos horrores da realidade.
Infelizmente, este texto também vai tratar de um assunto nada popular: a morte.
Um dia eu, você e todos que nós conhecemos vamos morrer.
Daqui a 150 anos, a menos que haja um avanço formidável da medicina, toda a população atual da terra provavelmente estará morta.
Sei que é uma ideia incômoda, difícil de digerir.
Mas o que a experiência de Nando e seus “sócios” nos revela, mais do que qualquer outra coisa, é que aceitar a ideia de que você vai morrer não é uma coisa ruim.
Pelo contrário. A morte é o combustível da vida. E ninguém melhor que Nando Parrado para relatar essa experiência.
Nando Parrado e seus colegas sobreviventes são uns dos maiores especialistas em fome no mundo.
Não apenas porque eles passaram mais fome do que outras pessoas — mas porque eles viveram para contar como foi.
Os membros da “sociedade da neve” são um objeto valiosíssimo de estudo para as maiores universidades do mundo, justamente porque sobreviveram às piores provações que um ser humano pode enfrentar — e sobreviveram para contar a história.
Em outras palavras, se as maiores universidades do mundo têm algo a aprender com eles, tenho certeza que você também tem.
E de tudo que Nando Parrado ensinou nessa palestra, esse foi o trecho que mais me comoveu:
Depois de passarem fome, frio, serem obrigados a se alimentar dos próprios colegas mortos, serem soterrados por uma avalanche e passarem quatro dias sob a neve, Nando e seus colegas se levantaram e continuaram tentando.
Por quê? Porque nós somos máquinas de sobrevivência.
Passar a porta invisível da morte não é uma experiência reservada apenas para aqueles que, literalmente, quase morrem.
É uma experiência acessível a qualquer ser humano que pare por alguns minutos para refletir sobre a própria mortalidade.
Porque tudo que é vivo, morre. Essa é a única coisa que você, que está lendo este texto, tem em comum com todos os seres da terra — animais, plantas, fungos, insetos, peixes…
E quando você percebe — e aceita — que vai morrer um dia, você entende profundamente que não faz sentido ficar parado.
Não faz sentido não tentar.
Não faria sentido nenhum se Nando Parrado e aquelas outras vinte e oito pessoas que sobreviveram à queda do avião falassem:
“Bom, é isso amigos. A vida foi boa, mas obviamente vamos morrer aqui, então sugiro que cada um cave a própria cova e se enterre, pra organizarmos tudo direitinho. Foi um prazer, até logo.”
Se você já está com data marcada para morrer, então é melhor continuar tentando.
Acontece que todos temos uma data marcada pra morrer.
Todos. Nós apenas não sabemos qual é essa data. Ela chega de surpresa. Quando você encontra esse pensamento e não foge dele, ele começa a mudar o jeito que você encara a vida.
“Estamos mortos. Estamos mortos, mas eu não vou voltar. Vou seguir. Cada passo que eu der, vou estar mais perto do meu pai.”
Nando Parrado
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