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A polícia equatoriana entrou à força na Embaixada do México, em Quito, prendeu o ex-vice-presidente Jorge Glas; Brasil condenou a invasão
Uma nova crise entre os países latino-americanos surgiu nas últimas 24 horas. O México rompeu relações diplomáticas com o Equador na noite da última sexta-feira (5).
A ruptura aconteceu depois que a polícia equatoriana entrou à força no posto diplomático do México e prendeu o ex-vice-presidente do país, Jorge David Glas Espinel.
O anúncio da suspensão imediata das relações diplomáticas entre os governos do México e Equador foi realizado pelo presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, pela rede social X (antigo Twitter).
O governo mexicano, na página oficial, afirmou que já orientou o embaixador mexicano em Quito a proceder a interrupção das relações diplomáticas legalmente.
O ex-vice-presidente do Equador, Jorge David Glas Espinel. estava refugiado na embaixada mexicana, em Quito — capital equatoriana — e que estava com um pedido de concessão de asilo em tramitação devido à perseguição e assédio sofridos pelo governo.
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Vale lembrar que as embaixadas são consideradas territórios estrangeiros ao país em que está instalada e, por isso, soberanos.
Glas Espinel estava na Embaixada do México desde dezembro do ano passado. Na época, ele disse que era vítima de perseguição e temia por sua integridade, segundo o Ministério das Relações Exteriores do México.
O governo do Equador, por sua vez, divulgou uma nota pública na manhã deste sábado (6) com o título "Defendemos a soberania nacional, impunidade zero”, também na rede social X.
O comunicado explicou que o ex-presidente Jorge Glas Espinel foi condenado à prisão pela Justiça equatoriana e que não pode ser considerado um perseguido político.
Após a detenção na Embaixada do México, o mesmo foi colocado sob as ordens das autoridades competentes do Equador.
Apesar do governo do Equador reconhecer que cada embaixada tem o propósito de fortalecer as relações entre países e de entender que México e Equador lutam contra a corrupção que afeta a ambos, a nota enfatiza que a missão diplomática mexicana cometeu abusos ao abrigar o ex-vice-presidente equatoriano — classificado como delinquente pelo governo sul-americano e para o qual existe uma ordem de prisão.
Por fim, o governo do Equador reafirmou a soberania nacional e a intolerância com a impunidade.
"Equador é um país soberano. Não permitiremos que nenhum criminoso permaneça na impunidade."
Confira a nota na íntegra publicada na rede social X (antigo Twitter):
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Jorge David Glas Espinel, o ex-vice-presidente do Equador, foi condenado em 2017 a seis anos de prisão por associação ilícita no caso de corrupção ligado à empreiteira brasileira Odebrecht (atual Novonor).
Ele é suspeito de liderar uma rede de políticos e funcionários do ex-presidente do Equador, Rafael Correa — que recebeu cerca de US$ 33 milhões da Odebrecht para permitir, em contrapartida, a rápida expansão da empreiteira no país.
Em 2020, a justiça equatoriana considerou Espinel culpado pelo crime de suborno passivo agravado, com a condenação de oito anos de prisão.
Além disso, Espinel está na mira das autoridades equatorianas na investigação de supostas irregularidades no programa de reconstrução do país após o terremoto de 2016.
O governo do Brasil condenou o ingresso de forças policiais do Equador na Embaixada do México, na capital equatoriana Quito, na noite desta sexta-feira (5) e ainda manifestou solidariedade ao governo mexicano.
"A ação constitui clara violação à Convenção Americana sobre Asilo Diplomático e à Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas", diz a nota à imprensa divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE) do Brasil para afirmar que locais de missões diplomáticas são invioláveis.
"A medida levada a cabo pelo governo equatoriano constitui grave precedente, cabendo ser objeto de enérgico repúdio, qualquer que seja a justificativa para sua realização",disse o MRE.
*Com informações da Associated Press, Reuters, CNN, CNBC, Agência Brasil
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