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política monetária

Não há pressão grande para Fed cortar juros nos EUA, afirma Campos Neto

Para ele, apesar dos juros altos, economias do mundo estão surpreendendo para cima

Dia de decisão sobre a Selic renda fixa campos neto
Roberto Campos Neto. presidente do Banco Central - Imagem: Agência Brasil

O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, disse nesta segunda-feira, 27, não ver pressão sobre o Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) para um corte de juros.

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Isso, de acordo com o banqueiro central, se dá em face de as condições financeiras naquele país continuarem frouxas independentemente da alta da taxa de juros.

"É difícil imaginar desinflação contínua com pleno emprego e isso não vale apenas ao Brasil. Apesar dos juros altos, as economias do mundo estão surpreendendo para cima", alertou.

A inflação nos Estados Unidos tem sido fator predominante na reprecificação do mundo inteiro, disse Campos Neto, em São Paulo.

Atualmente, segundo ele, o Fed está em situação relativamente confortável com os dados econômicos se comportando bem. “Hoje, há a expectativa sobre queda dos juros nos EUA em setembro ou dezembro", disse o banqueiro central.

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O presidente do BC voltou a afirmar que os temas principais - objeto de preocupação número um dos investidores - continua sendo a inflação e o cenário global como um todo.

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Inflação no mundo desenvolvido está acima da média, diz Campos Neto

Campos Neto disse que o nível de inflação no mundo desenvolvido está acima da média dos últimos anos, o que justifica a preocupação dos investidores.

"Velocidade de queda dos núcleos de inflação tem sido menor no que eu chamo de a última milha", comentou. "Temos preocupação com resultados cumulativos de eventos climáticos, porque o aquecimento global pode desorganizar preços de alimentos e de logística", disse.

O presidente do BC disse que não há uma relação mecânica entre política fiscal e a política monetária. Mas emendou que é importante pensar na harmonia entre ambas. "O prêmio de risco é em parte gerado pelo tema fiscal."

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Mais uma vez, Campos Neto enfatizou que o mercado de trabalho está forte sob qualquer ótica que ele for analisado. Contudo, de acordo com ele, o Brasil tem sido capaz de trabalhar com juros reais menores em diferentes ciclos.

O problema no País, de acordo com ele, é que a taxa neutra de juros tem estado mais alta do que em outros países. "Temos que combater isso", disse.

Inflação nos EUA

O presidente do BC afirmou que é difícil se ter convicção de que as taxas de inflação e juros nos Estados Unidos voltarão aos patamares registrados antes da pandemia da covid-19.

Ele voltou a afirmar que o custo de rolagem das dívidas nas economias desenvolvidas vai demandar maior liquidez, ou seja, vai reduzir o nível de liquidez no mundo.

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Inflação no Brasil

Ao tratar novamente do cenário interno, Campos Neto disse que a inflação está convergindo para a meta e que a preocupação com inflação na autarquia tem sido mais centralizada na evolução dos preços dos serviços.

Segundo Campos Neto, a alta da inflação na ponta é um fator temporário. "Entendemos que ao longo do tempo expectativas de inflação devem se estabilizar", disse, acrescentando que a autarquia está vendo uma correlação de serviço intensivo em trabalho e alta de preço, mas incipiente, porém.

Desancoragem das expectativas

Campos Neto disse ainda que as políticas fiscal e monetária têm sofrido questionamentos sobre sua credibilidade. No entender dele, a desancoragem das expectativas e este questionamento à política fiscal têm vários motivos.

"O próprio fiscal, a sucessão no BC, meta do IPCA, exterior e a tragédia no Rio Grande do Sul são motivos de desancoragem", disse Campos Neto. "Temos que manter a serenidade e endereçar o que causou a piora das expectativas", disse.

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Campos Neto, como vem fazendo questão de enfatizar desde a divisão dos votos no Copom, disse que o fato de cinco diretores terem votado pelo corte de 0,25 ponto porcentual da Selic e outros quatro, pela redução de 0,50 ponto porcentual, gerou ruídos no mercado, mas que a autarquia tem se esforçado para comunicar que a decisão foi técnica.

"O tempo vai fazer com que pessoas entendam que decisões do BC são técnicas. Ao longo do tempo, o mercado entenderá que a reunião do Copom foi técnica e que a dúvida foi sobre o custo de não cumprir o forward guidance, que é um critério técnico", disse.

*Com informações do Estadão Conteúdo

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