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Rotação setorial coincide com esgotamento da valorização das ‘big techs’ em Wall Street e inflação desacelerando nos EUA
Na semana passada, o mercado de ações dos EUA passou por uma esperada rotação setorial, fenômeno aguardado por muitos investidores.
O Dow Jones Industrial Average, que reúne empresas tradicionais da economia americana, e o Russell 2000, composto por empresas de menor capitalização, apresentaram um desempenho notável.
Este resultado contrasta com o S&P 500 e o Nasdaq Composite, que vinham liderando os ganhos ao longo do ano, mas que corrigiram recentemente.
Nos últimos meses, o mercado de ações foi dominado pelas "Sete Magníficas" — grandes empresas de tecnologia que se destacaram como líderes de mercado.
No entanto, essa tendência começou a mostrar sinais de esgotamento.
Investidores, motivados por um relatório de inflação mais moderado do que o esperado, começaram a redirecionar sua atenção dessas gigantes da tecnologia para ações anteriormente negligenciadas, diversificando assim seus portfólios para outros setores.
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A possibilidade de uma desaceleração na inflação permitindo ao Federal Reserve iniciar um ciclo de redução das taxas de juros em setembro representa uma excelente notícia para a maior parte do mercado acionário.
As empresas de menor capitalização, que geralmente possuem maior endividamento em comparação às grandes corporações tecnológicas com amplas reservas de caixa, tendem a se beneficiar particularmente dessas expectativas de cortes nas taxas.
Historicamente, os ciclos de afrouxamento monetário nem sempre favorecem as ações de menor capitalização em relação às de maior capitalização.
No entanto, desta vez, o contexto proporcionou um impulso significativo. O Russell 2000 teve um desempenho extraordinário nos cinco dias subsequentes ao dado, comparável apenas aos períodos de recuperação pós-crise.
Essa rotação foi provavelmente intensificada pela superexposição anterior aos grandes nomes da tecnologia, que estavam sobrevalorizados.
Desde o lançamento do ChatGPT em novembro de 2022, as "Sete Magníficas" se tornaram a aposta recorrente dos investidores.
A influência crescente dessas plataformas tecnológicas passou a ser percebida como desproporcional.
De acordo com a pesquisa global de gestores de fundos do Bank of America em julho, 78% dos entrevistados apontaram o "Long Magnificent Seven" como o investimento mais popular do mundo pelo 16º mês consecutivo, pouco antes da rotação de mercado.
Para contextualizar, no ponto mais baixo em julho, o Russell 2000 estava sendo negociado ao nível mais baixo em relação ao S&P 500 desde 1999.
Isso desencadeou uma reação em cadeia, com o ETF Russell 2000 registrando dias de fortes entradas de capital.
Além disso, as vendas no varejo superaram as expectativas, sugerindo que o consumo dos clientes permanece robusto.
A temporada de resultados, que está ganhando tração, também contribuiu para essa mudança.
Os indicadores apontam que os resultados corporativos se tornarão mais diversificados nos próximos trimestres.
Embora as grandes empresas de tecnologia continuem a registrar crescimento nos lucros, é possível que esse crescimento desacelere, enquanto as empresas que estavam em desvantagem nos trimestres anteriores podem começar a melhorar.
Essa dispersão no crescimento dos lucros dentro do índice está ajudando a justificar essa redistribuição dos investimentos.
Dada a expressiva diferença de desempenho e a disparidade de valuations entre grandes e pequenas capitalizações, há um considerável potencial de crescimento para as pequenas capitalizações. No entanto, a continuidade desse impulso é incerta.
Eventos negativos, como um aumento na inflação, podem desencadear uma correção desproporcional nos mercados. Com base nos dados de inflação do último trimestre, os investidores parecem não ter grandes preocupações no momento.
Simultaneamente, as ações de Big Tech têm uma real possibilidade de recuperação. Este segmento pode continuar a se valorizar, impulsionado pelo entusiasmo em torno da inteligência artificial, um fenômeno semelhante à ascensão da Internet na segunda metade da década de 1990.
Naquele período, até meados de 1999, as ações de pequena capitalização frequentemente apresentavam desempenho inferior às de grande capitalização. Quando a bolha tecnológica estourou em 2000, seguida pela recessão de 2001, o cenário mudou.
Após a crise das empresas pontocom, o índice Russell 2000 superou o índice Russell Top 50, composto por empresas de megacapitalização, em 217% ao longo dos doze anos seguintes. Essa recuperação histórica é um dos fatores que atualmente alimentam o otimismo no mercado.
Ao mesmo tempo, a percepção crescente de que uma nova presidência de Trump poderia estar ajudando a rotação nos setores de mercado está ganhando força.
Essa influência deve-se, em parte, à sua conhecida preferência por políticas de desregulamentação e expansão fiscal.
Conforme discutido anteriormente, a probabilidade de Trump retornar à Casa Branca é considerada a mais provável ao longo deste ano.
Essa expectativa também inclui a possibilidade de os republicanos obterem a maioria no Senado.
O mercado está começando a perceber que o cenário de investimento poderia ser drasticamente alterado caso Trump reassuma o controle, juntamente com a Câmara e o Senado.
Atualmente, o chamado "Trump Trade" está sendo negociado a preços elevados, refletindo a antecipação de uma possível reviravolta favorável aos democratas após a convenção partidária.
Esse contexto destaca a importância de se manter atento às dinâmicas políticas e suas implicações nos mercados, especialmente em um período de mudanças significativas.
A política econômica proposta por Trump, centrada na redução de impostos corporativos e na desregulamentação, provavelmente impulsionará o mercado de ações, continuando a tendência de crescimento observada desde sua ascensão política no último ano.
No entanto, suas políticas fiscais expansionistas, combinadas com a promessa de novas tarifas, podem impactar negativamente os títulos de dívida, causando uma inclinação mais acentuada na curva de juros e valorização do dólar — principalmente em relação a moedas de mercados emergentes.
Além disso, o aumento de tarifas sobre produtos chineses pode agravar as tensões comerciais e elevar os preços de produtos importados, gerando pressão inflacionária.
A política de excepcionalismo americano de Trump poderia isolar a China e distanciar os EUA da Otan, enquanto restrições à imigração poderiam aumentar os salários e, por consequência, a inflação.
Em termos microeconômicos, é provável que o setor de defesa receba mais investimentos e incentivos, beneficiando indústrias como a de aço e minério de ferro.
O setor petrolífero também estaria em uma posição vantajosa, enquanto a menor regulamentação poderia favorecer o setor financeiro.
Neste contexto, a decisão do presidente dos EUA, Joe Biden, de não buscar a reeleição tem dominado as manchetes internacionais.
Embora essa notícia já fosse amplamente esperada e refletida nas previsões de mercado, ela levanta questões sobre mudanças nas probabilidades políticas futuras.
Agora, o foco está em quem os democratas escolherão como candidato, sendo Kamala Harris a favorita.
É crucial avaliar se essa escolha alterará significativamente as políticas propostas, o que parece improvável, e como isso afetará as chances dos democratas nas eleições presidenciais e parlamentares. Detalhes concretos sobre esses aspectos surgirão com o tempo.
Em uma carta pessoal, Biden expressou sua gratidão a Harris e a endossou como sucessora. Ele aposta que Harris pode energizar a campanha democrata na que será a corrida presidencial mais curta da história.
Notavelmente, a campanha de Harris arrecadou US$ 81 milhões nas primeiras 24 horas, estabelecendo um recorde histórico para a maior arrecadação em tão curto período por qualquer candidato.
Com Harris posicionada como a principal candidata à nomeação do partido, as especulações agora se voltam para quem ela escolherá como vice-presidente.
Embora eu pessoalmente não acredite que isso altere o resultado antecipado de uma vitória de Trump, é essencial lembrar que só existem cenários e probabilidades, não certezas.
Dependendo das estratégias eleitorais dos democratas, ainda é possível evitar uma "onda republicana".
A falta de urgência em precificar os riscos de um segundo mandato de Trump reflete a predominância das políticas do Fed sobre considerações fiscais.
Um corte esperado nas taxas de juros em setembro poderia minimizar o impacto de possíveis políticas fiscais expansivas no próximo ano.
Paralelamente, devemos continuar observando fenômenos de rotação setorial ao longo do semestre, semelhantes aos recentemente testemunhados.
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