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Essa é a primeira vez que o presidente russo vai para um país que não faz parte da antiga União Soviética desde que o mandado de prisão foi expedido pelo tribunal de Haia; saiba para onde ele vai e o que ele vai fazer lá
Vladimir Putin não pode deixar a Rússia desde março deste ano ou corre o risco de ser preso. Mas, nesta semana, ele vai desafiar o Tribunal Penal Internacional (TPI) mais uma vez para visitar um parceiro que tem sido fundamental para manter a economia russa de pé: a China.
Putin se reunirá com o presidente chinês, Xi Jinping, em uma tentativa de aprofundar a parceria forjada entre os dois maiores rivais estratégicos dos EUA.
O chefe do Kremlin participará do Fórum do Cinturão e Rota em Pequim na terça-feira (17) e quarta-feira (18) — essa é a primeira viagem fora da antiga União Soviética desde que o TPI, com sede em Haia, emitiu um mandado contra Putin pela deportação de crianças ucranianas.
Essa, no entanto, não é a primeira vez que Putin sai da Rússia desde que sua prisão foi ordenada pelo tribunal de Haia. Na semana passada, o presidente russo participou de uma cúpula de ex-soviéticos no Quirguistão.
No entanto, nem na viagem ao Quirguistão nem na visita à China o líder russo correu o risco efetivo de ir para a cadeia. Isso porque os dois países não fazem parte do TPI.
O chefe do Kremlin vai em busca de encher os cofres russo e manter a máquina de guerra funcionando. No entanto, especialistas acreditam que nenhum grande acordo deve ser anunciado desta vez.
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"Putin é definitivamente o convidado de honra. Ao mesmo tempo, penso que a China não está interessada em assinar quaisquer acordos adicionais, pelo menos em público, porque qualquer coisa que possa ser retratada como fornecendo fluxo de caixa adicional ao cofre de guerra de Putin e à máquina de guerra de Putin não é boa neste momento", disse Alexander Gabuev, diretor do Carnegie Russia Eurasia Center, em entrevista para a Reuters.
De qualquer forma, os chefes das gigantes de energia russas Gazprom e Rosneft, Alexei Miller e Igor Sechin, se juntarão à comitiva de Putin à China.
A presença dos executivos tem como objetivo garantir a venda de mais gás natural a Pequim e a construção do gasoduto Power of Siberia-2, que atravessaria a Mongólia e teria uma capacidade anual de 50 bilhões de metros cúbicos (bcm).
Putin e Xi partilham uma visão mundial ampla, que vê o Ocidente como decadente e em declínio. No ano passado, os dois líderes chegaram a falar de uma amizade sem limites para descrever a relação entre os dois países.
Na guerra entre Rússia e Ucrânia, embora os chineses não tenham se posicionado oficialmente sobre o lado em que estão, continuaram a fazer negócios com Moscou, sendo, muitas vezes, a principal fonte de dinheiro de Putin em meio às sanções ocidentais.
A aliança entre Rússia e China, no entanto, ganhou um complicador adicional com a guerra entre Israel e o Hamas.
Pequim tem procurado equilibrar os laços com Israel com as relações econômicas com o Irã e a Síria, que são fortemente apoiadas pela Rússia.
Especialistas acreditam ainda que Xi deve equilibrar os laços pessoais estreitos com Putin com a realidade de lidar com os EUA — ainda a potência militar mais forte do mundo e a mais rica.
*Com informações da Reuters e da AP
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