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MUDANÇA NO C-LEVEL

No Santander Brasil (SANB11), mais uma troca no alto escalão: Angel Santodomingo deixa o cargo de CFO após nove anos

O executivo migrará para a matriz espanhola do Santander, onde passará a se reportar diretamente a Ana Botín, chair executiva do grupo

Agência do Santander Brasil (SANB11)
Imagem: Divulgação - Santander Brasil

O Santander Brasil (SANB11) vive dias turbulentos: depois de um resultado do quarto trimestre mais fraco que o esperado pelo mercado — e o imbróglio envolvendo Sergio Rial e a descoberta do rombo contábil nas Americanas (AMER3) —, o banco agora anuncia uma troca relevante em seu alto escalão.

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Angel Santodomingo Martell, que ocupou por nove anos o cargo de vice-presidente executivo do braço brasileiro do Santander, com atribuições de CFO (diretor-financeiro) e de diretor de relações com investidores, deixará o cargo em 20 de março. Em seu lugar, ficará Gustavo Viviani, que desde 2019 comanda as finanças da área de varejo do banco.

Santodomingo, no entanto, não está deixando a casa: ele, na verdade, foi promovido a chefe de estratégia do Grupo Santander e se reportará diretamente a Ana Botín, a chair executiva do banco espanhol.

"O Sr. Angel chegou ao Brasil no início de 2014, assumindo um papel-chave no crescimento do nosso negócio, tendo sido um dos líderes mais importantes na construção do que hoje é o Santander Brasil", diz o banco, em fato relevante enviado há pouco à CVM.

Santander Brasil (SANB11): turbulência recente

Ao longo dos últimos anos, o Santander Brasil (SANB11) conseguiu crescer e ganhar participação de mercado, passando a rivalizar diretamente com Itaú Unibanco (ITUB4) e Bradesco (BBDC3) no segmento de varejo; num passado não muito distante, o banco conseguiu índices de rentabilidade superiores aos dos concorrentes.

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No entanto, os resultados do quarto trimestre de 2022 ficaram aquém das expectativas dos investidores: o lucro líquido gerencial somou R$ 1,689 bilhão, queda de 56% na base anual e 44% abaixo do consenso estimado pela Bloomberg; na base trimestral, o tombo foi de 46%.

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Boa parte desse mau desempenho se deve às provisões feitas pelo banco em função do evento Americanas: o Santander Brasil provisionou 33% de sua exposição à dívida — uma postura bem menos conservadora que a de Itaú e Bradesco, que optaram por lançar 100% dos créditos devidos pela empresa já no quarto trimestre.

Ainda assim, o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE, na sigla em inglês), ficou abaixo da linha dos 10% nos três últimos meses de 2022, encerrando o período em 8,35% — uma baixa de 7,3 pontos percentuais em relação ao período imediatamente anterior. O Itaú, apenas a título de comparação, teve ROE de 19,3% entre outubro e dezembro.

Ou seja: Angel Santodomingo deixa sua passagem de quase uma década no Santander Brasil numa nota baixa, apesar dos inúmeros bons momentos dos últimos anos.

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Rial, Americanas e dúvidas

Vale lembrar, também, que a atuação de Sergio Rial, ex-presidente do Santander Brasil, na descoberta do rombo contábil das Americanas ainda é alvo de muita especulação. Ele foi anunciado como CEO da varejista no fim de 2021, mas, oficialmente, permaneceu pouco mais de uma semana no cargo.

Rial ainda ocupava a presidência do conselho de administração do Santander Brasil em meio à eclosão da crise nas Americanas — tanto é que, em 20 de janeiro, deixou o posto. O banco tem R$ 3,6 bilhões a receber da varejista, que agora está em recuperação judicial.

Quanto ao cargo de CFO, haverá um período de transição entre Angel Santodomingo e Gustavo Viviani até o dia 20 de março; o novo número 2 do Santander Brasil está há 23 anos no banco, com passagens pelas áreas de risco, corporate, recuperações e varejo.

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