O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.
Esse espaço é um complemento às notícias do site.
Recurso Exclusivo para
membros SD Select.
Gratuito
O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.
Esse espaço é um complemento às notícias do site.
Você terá acesso DE GRAÇA a:
Diante de um carrego tão alto e com commodities mais caras, sobretudo agora com este rali do petróleo diante do novo corte da Opep, o dólar, objetivamente, não tem sido um bom hedge
Que Ulisses foi um camarada corajoso e um grande guerreiro parece ser consenso. Agora, me surpreende o quanto o cidadão foi visionário, sujeito de vanguarda, capaz de alinhar-se ao autocomprometimento físico, aquela barreira material autoimposta recomendada por psiquiatras e psicanalistas para se evitar o consumo excessivo de substâncias ou comportamentos de alta dopamina, com alto poder viciante e, na maior parte das vezes, bastante deletérios.
Voltando da guerra de Troia, sabia dos perigos de se ouvir o canto das sirenas, aquelas criaturas aquáticas sedutoras, que atraiam marinheiros para o fundo do mar a partir de suas melodias irresistíveis. Para escapar da tentação, Ulisses ordenou a introdução de cera de abelha nos ouvidos dos tripulantes e forçou sua própria amarração ao mastro do veleiro.
Como explica a Dra. Anna Lembke, psiquiatra e professora da Escola de Medicina da Universidade de Stanford, “uma forma de autocomprometimento é criar barreiras físicas literais e/ou distância geográfica entre nós mesmos e a nossa droga de escolha.”
Se você gasta demais, talvez tenha de cancelar o cartão de crédito e usar apenas dinheiro. Se é um alcoólatra inveterado e vai viajar, possivelmente seja prudente pedir ao hotel para retirar o frigobar do seu quarto. Se não consegue sair do celular, quem sabe a única saída seja colocado dentro de um cofre a partir de determinado horário do dia.
A mesma lógica poderia valer para determinados vícios e comportamentos financeiros, diante de sirenas capazes de emitir cantos e narrativas sedutoras para nos empurrar ao fundo do mar.
Cerca de um século atrás, ali pelos fins de 2022, só havia uma conversa inteligetinha: vamos tirar nosso dinheiro do Brasil e correr para as montanhas do dólar. O movimento foi geral, de gente muita rica atendida pelos multi family offices aos investidores de varejo, numa corrida em direção às corretoras com acesso ao mercado internacional.
Leia Também
Passamos pelo primeiro trimestre do ano e o dólar saiu de R$ 5,28 para R$ 5,07. Houve quem ganhou dinheiro, claro: as corretoras com acesso ao mercado internacional e as empresas que montam estruturas em BVI.
Há algumas nuances da história do dólar. Existe um certo consenso no exterior de um ano favorável para mercados emergentes, o que historicamente significou dólar mais fraco.
Modelos econométricos construídos de várias maneiras apontam um valor justo do dólar em torno de R$ 4,60/R$ 4,80. É natural haver algum prêmio, sobretudo em momentos de muita incerteza local, como o atual.
No entanto, com o carrego muito alto, dado que o juro por aqui não deve cair muito e tão cedo, o peso das variáveis financeiras no curto prazo acaba sendo maior do que os fundamentos do mercado de bens — apenas uma variação do já antigo modelo de overshooting do Rudi Dornbusch.
Diante de um carrego tão alto e com commodities mais caras, sobretudo agora com este rali do petróleo diante do novo corte da Opep, o dólar, objetivamente, não tem sido um bom hedge.
Em 2023, esse papel tem sido bem desempenhado pelo caixa (o CDI é um maratonista incansável, que corre bem rapidinho, embora seja pouco sedutor a priori), pelo ouro e, talvez surpreendentemente, pelo bitcoin, diante da sinalização de fim iminente do ciclo de alta de juro nos EUA e do temor com o sistema bancário norte-americano, o que aumenta o apelo das finanças descentralizadas.
Por falar em petróleo, eis outra narrativa sedutora recente que acaba de cair.
A ideia era de que a crise bancária norte-americana trazia um aperto monetário não-deliberado e, com isso, seria inevitável uma recessão nos EUA, com consequências marcantes sobre o preço da commodity. Ocorre que o mercado já estava bastante apertado, sofrendo com dificuldades para expandir a oferta.
Em adição, os EUA precisavam (e ainda precisam!) recompor sua reserva estratégica e sempre contamos com a possibilidade de, num mercado oligopolizado, o cartel resolver controlar a produção.
“Gradually, then suddenly”, para citar Hemingway pela enésima vez. As coisas parecem calmas, até que subitamente mudam por completo.
O petróleo sobe quase 7% enquanto escrevo. O mercado corre para comprar petroleiras e vender o que é sensível a taxas de juro, possivelmente mais altas diante da inflação gerada pelo combustível mais caro. Tudo que é growth (crescimento) cai, bancos sobem com juros maiores. Volta o case, ao menos temporariamente, do reflation trade (compramos o que gera caixa no presente, vendemos o resto).
Pequena ressalva sobre fintechs no Brasil: mercado misturou muito joio e trigo. Há coisa que realmente não deveria estar em Bolsa, fake techs inviáveis financeiramente. E há coisas boas, que apenas estavam caras.
Veja Méliuz: acaba de materializar a venda do Bankly e formalmente afirma se preparar para um grande provento extraordinário usando essa grana. Se vier o valor total, seria uma distribuição de R$ 210 M, cerca de 25% de yield.
Voltando ao assunto central, por aqui, as empresas juniores de petróleo devem ser as mais beneficiadas, com destaque para PetroRio e 3R. A primeira não tem posições de hedge relevantes e pega na veia o incremento do óleo. A segunda tem maior lifting cost (custo de extração) e, por isso, tem maior sensibilidade e alavancagem operacional a partir de variações da commodity subjacente.
Sobre Petrobras, já fica aquela dúvida. Um petróleo muito barato é ruim, mas muito caro pode ser ainda pior. Política de preços vai enfrentar seu primeiro teste de fogo.
Se mercado notar alguma intervenção mais direta e mudança importante no apreçamento dos combustíveis, de-rating pode ser grande. Minha preferência é por 3R, mais barata, com sólido prognóstico de crescimento da produção e com o trigger de curto prazo de materializar operação de Potiguar.
Como segunda derivada, as empresas de distribuição de combustíveis também podem se beneficiar, com marcação a mercado positiva à frente. Há poucos meses, ninguém queria e agora a narrativa também começa a mudar.
A melhor recomendação para o segundo trimestre talvez seja passar cera de abelha nos ouvidos.
Na seleção da Ação do Mês, análise mensal feita pelo Seu Dinheiro com 12 bancos e corretoras, os setores mais perenes e robustos aparecem com frequência
Veja como deve ficar o ciclo de corte de juros enquanto não há perspectiva de melhora no cenário internacional
O quadro que se desenha é de um ambiente mais complexo e menos previsível, em que o choque externo, via petróleo e tensões geopolíticas, se soma a fragilidades domésticas
Odontoprev divulga seu primeiro balanço após a reorganização e apresenta a BradSaúde em números ao mercado; confira o que esperar e o que mais move a bolsa de valores hoje
Fiagros demandam atenção, principalmente após início da guerra no Irã, e entre os FIIs de papel, preferência deve ser pelo crédito de menor risco
Na abertura do livro O Paladar Não Retrocede, Carlos Ferreirinha, o guru brasileiro do marketing de luxo, usa o automobilismo para explicar como alto padrão molda nossos hábitos. “Após dirigir um carro automático com ar-condicionado e direção hidráulica, ninguém sente falta da manivela para abrir a janela.” Da manivela, talvez não. Mas do torque de um supercarro, […]
Para ser rico, o segredo está em não depender de um salário. Por maior que ele seja, não traz segurança financeira. Veja os cálculos para chegar lá
Para isso, a primeira lição é saber que é preciso ter paciência pois, assim como acontece na vida real (ou deveria acontecer, pelo menos), ninguém começa a carreira como diretor
Entenda como a Natura rejuvenesceu seu negócio, quais os recados tanto do Copom quanto do Fed na decisão dos juros e o que mais afeta o seu bolso hoje
Corte já está precificado, mas guerra, petróleo e eleições podem mudar o rumo da política monetária
Entenda por que a definição da Selic e dos juros nos EUA de hoje é tão complicada, diante das incertezas com a guerra e a inflação
A guerra no Irã pode obrigar a Europa a fazer um racionamento de energia e encarecer alimentos em todo o mundo, com aumento dos preços de combustíveis e fertilizantes
Guerras modernas raramente ficam restritas ao campo militar. Elas se espalham por preços, cadeias produtivas, inflação, juros e estabilidade institucional
Entenda o que esperar dos resultados dos maiores bancos brasileiros no 1T26; investidores estarão focados nos números que mais sofrem em ciclos de crédito mais apertado e juros maiores
Governo federal corta apoio a premiação internacional e engrossa caldo do debate sobre validade do Guia Michelin
Mesmo sem saber se o valor recebido em precatórios pela Sanepar será ou não, há bons motivos para investir na ação, segundo o colunista Ruy Hungria
A Sanepar não é a empresa de saneamento mais eficiente do país, é verdade, mas negocia por múltiplos descontados, com possibilidade de início de discussões sobre privatização em breve e, quem sabe, uma decisão favorável envolvendo precatório
Aprenda quais são as estratégias dos ricaços que você pode copiar e ganhar mais confiança na gestão do seu patrimônio
O mercado voltou a ignorar riscos? Entenda por que os drawdowns têm sido cada vez mais curtos — e o que isso significa para o investidor
Alta nos prêmios de risco, queda nos preços dos títulos e resgates dos fundos marcaram o mês de março, mas isso não indica deterioração estrutural do crédito