Com grandes pagadoras de dividendos fora da disputa, Eletrobras (ELET3) será a vencedora do leilão de transmissão?
O mercado cogita que há apenas duas sérias candidatas para vencer o lote com o maior investimento da história dos leilões de transmissão no país

Hoje (15) teremos o segundo – e tão aguardado – leilão de Transmissão de 2023. Mas o que ele tem de tão especial?
Além de ser o maior leilão em termos de investimentos da história — com R$ 21,7 bilhões estimados de Capex —, um dos ativos leiloados, o Lote 1, será uma linha de transmissão de corrente contínua em alta tensão (HVDC), que é bastante incomum no Brasil, onde as linhas são em sua grande maioria de corrente alternada.
Em linhas gerais, a transmissão por corrente contínua costuma ser mais eficiente para longas distâncias por apresentar menor perda de energia, mas ela também é mais complexa e mais cara, e só vale a pena quando as distâncias envolvidas são realmente grandes — acima de 1 mil km.
O Lote 1 envolverá um Capex exorbitante de R$ 18,1 bilhões, o lote com o maior investimento da história dos leilões de transmissão no Brasil.
Serão quase 1.500 km de distância que atravessarão os Estados do Maranhão, Tocantins e Goiás, com o objetivo de escoar parte da produção de energia eólica e solar gerada no Nordeste para a Região Sudeste do Brasil, onde há mais consumo.
O investimento é tão grande que o lote foi dividido em quatro "sub-lotes", para o caso de ninguém conseguir assumir todo o investimento sozinho.
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Mas o que tudo isso significa para o investidor, e qual empresa listada pode se beneficiar?
Mais complexidade, menos disputa
Para começar, a complexidade tecnológica envolvida combinada com os investimentos vultuosos devem contribuir para reduzir a competição pelo lote.
Lembre-se que os últimos leilões de transmissão atraíram uma enxurrada de empresas, por conta de ativos pouco complexos e dos investimentos mais baixos.
Reprodução: Seu Dinheiro
A coisa começou a ficar tão descontrolada que, no leilão mais recente, em junho, o governo teve que desclassificar a grande vencedora porque ela não tinha a menor capacidade técnica e nem financeira para construir as linhas.
Enfim, tudo isso para mostrar que, depois de vários leilões muito competitivos, a disputa de hoje tende a ser um pouco menor.
Por exemplo, empresas relevantes do segmento, como ISA-CTEEP, Taesa, Neoenergia, Cemig e Engie já disseram não ter interesse nessa disputa.
Na verdade, o mercado cogita que há apenas duas sérias candidatas para vencer o tal Lote 1: a Eletrobras (ELET3) e a chinesa State Grid que, além da enorme capacidade de investir, estão entre as poucas que já operam linhas HVDC no Brasil.
Vale a pena investir na Eletrobras por causa do leilão?
Eu não vou mentir para você; a depender dos termos, o Lote 1 poderia representar um gatilho interessante para as ações da Eletrobras. Trata-se de uma Receita Anual Permitida (RAP) que pode chegar a R$ 3,2 bilhões, ajustada pela inflação, por 30 anos.
Assumindo que o vencedor arremate o Lote 1 sem nenhum deságio e consiga entregar o projeto no prazo sem estourar o Capex estimado, estamos falando de um valor presente de aproximadamente R$ 4 bilhões, um número expressivo e que equivale a aproximadamente 5% do valor da Eletrobras na bolsa hoje.
O problema é que investir pensando apenas nesse evento não me parece uma boa ideia. E se a Eletrobras não ganhar? E se, ao contrário do que todos estão esperando, a competição for bastante acirrada e o vencedor levar o lote com condições pouco atrativas?
No momento em que escrevo essas linhas, algumas horas antes do leilão acontecer, é impossível saber o que vai acontecer.
Mas se você está pensando em ganhar dinheiro rápido, apostando numa vitória da Eletrobras nesse leilão, eu entendo que essa não seja uma boa ideia.
No entanto, se você tiver um pouco de paciência e quiser investir em uma tese que tem potencial de render bons frutos num prazo maior, a Eletrobras pode ser um ótimo investimento, mesmo que não consiga levar o Lote 1.
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Muito mato para cortar
A Eletrobras possui não só um quadro inchado de colaboradores (58% mais funcionários por MW que a Engie) como o salário médio da companhia é incrivelmente alto na comparação com qualquer outra empresa do setor, reflexo das décadas de farra com o dinheiro público quando ela ainda era controlada pelo governo.
Agora que a companhia foi privatizada, ela pode tentar se aproximar dos níveis da Engie e Auren, antiga CESP, que também era bastante inchada antes da privatização. Isso reduziria as despesas com Pessoal em torno de R$ 2 bilhões por ano.
Outro dado impressionante é o de empresas dentro do "guarda-chuva" da Eletrobras. Eram mais de 170 em 2016, número que já caiu para cerca de 70, mas que vai ficar ainda menor.
Entre salários, despesas administrativas, vendas etc., o potencial de redução de gastos ultrapassa os R$ 3 bilhões, como você pode ver abaixo, na projeção feita pela própria companhia.
O mais importante aqui é entender que isso não depende de leilão, onde os resultados estão fora do controle da companhia. Essa redução nas despesas depende apenas dela, e já vem acontecendo.
Além disso, também temos visto uma maior agilidade na resolução dos empréstimos compulsórios, cujo estoque já caiu de R$ 26 bilhões para R$ 19 bilhões desde a privatização, o que também deve continuar ajudando a reduzir a percepção de risco.
Para fechar, há um outro ponto que eu gosto de chamar a atenção. O mercado está precificando a Eletrobras com base nos preços de energia atuais, que estão extremamente baixos por conta da sobreoferta de energia e o elevado nível de chuvas dos últimos anos.
Não temos como prever o preço da energia no futuro, mas, nos níveis atuais, a assimetria me parece favorável, e qualquer perturbação (menos chuvas, maior crescimento do PIB, menos subsídios renováveis) deveria ajudar a levar os preços para níveis mais normalizados. Tenha em mente que para cada R$ 10/MWh que os preços da energia sobem, as ações da Eletrobras deveriam se valorizar algo em torno de R$ 4.
Por esses motivos, a Eletrobras é uma das recomendações da Empiricus.
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O leilão é opcionalidade para a Eletrobras
Para falar a verdade, eu enxergo o leilão de hoje como uma opcionalidade: se ela conseguir arrematar o Lote 1 com boas condições, ótimo. Se não, ela ainda segue como uma tese bastante interessante.
Outra companhia que pode se beneficiar do leilão de hoje é a Alupar, já que também teremos dois lotes menores, menos complexos e com menor necessidade de investimentos.
O Lote 2 terá direito a uma RAP máxima de R$ 452 milhões, com investimentos estimados em R$ 2,6 bilhões. O Lote 3 contará com uma RAP máxima de R$ 176 milhões, e investimentos da ordem de R$ 1 bilhão.
Mas também para a Alupar o leilão é uma opcionalidade. Gostamos da disciplina financeira da companhia, do seu histórico de execução e do potencial de crescimento de dividendos daqui para a frente. Se ela conseguir arrematar bons empreendimentos no leilão de hoje, melhor ainda.
Com boas perspectivas pela frente, independente do leilão, a Eletrobras e a Alupar fazem parte da série Double Income, focada em renda, já que as duas têm perspectivas interessantes para distribuir dividendos num futuro próximo.
Além delas, a série possui vários outros ativos geradores de renda, incluindo esses 5 Títulos de Renda Fixa que depositam dinheiro na sua conta todo mês, livre de IR.
Se quiser conhecer a lista completa com esses ativos e muito mais por apenas R$ 1, deixo aqui o convite.
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Um grande abraço e até a próxima semana!
Ruy
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