A agência de turismo que se tornou uma das minhas ações de tecnologia favoritas
As agências de turismo digitais, como Booking, Airbnb e Expedia são negócios já antigos e extremamente lucrativos. Conheça a minha favorita

Olá, seja bem-vindo à Estrada do Futuro, onde conversamos semanalmente sobre a intersecção entre investimentos e tecnologia. Nos últimos meses, gastei um tempo considerável estudando as maiores empresas de turismo do mundo.
As OTAs, sigla em inglês para agências de turismo digitais, como Booking, Airbnb e Expedia são negócios já antigos, extremamente lucrativos e suportados por tendências de longo prazo bastante positivas.
A conclusão deste estudo se deu no final de 2022, com a recomendação de compra para as ações do Booking.com (Nasdaq: BKNG | B3: BKNG34), para os assinantes da série Investidor Internacional, da Empiricus.
Hoje, compartilho com os leitores do Seu Dinheiro alguns dos pontos mais interessantes sobre essa tese de investimentos.
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Booking: A maior empresa de turismo do mundo não tem nenhuma propriedade
Enquanto escrevo essas linhas, o valor de mercado das ações do Booking é de US$ 96 bilhões (pouco mais de R$ 500 bilhões).
O portfólio de negócios da companhia é composto pelos sites Booking, Kayak e Rentalcars (os mais populares), entre outros.
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Num segmento notoriamente fragmentado, o valor do agregador se tornou claro nos últimos 10 anos.
Não só o Booking evoluiu para se tornar a maior OTA do mundo, como se tornou também o maior anunciante do Google, uma das maiores referências globais sobre marketing digital de performance e conversão.
"Alugando" o Google
Praticamente a totalidade da linha de despesas de marketing nos demonstrativos do Booking são gastos de publicidade com o Google Search.
Em 2019 (onde os números estão mais próximos de seu equilíbrio de longo prazo, sem efeitos da pandemia), foram aproximadamente US$ 5 bilhões em despesas de marketing.
Essa despesa se transformou em pouco mais de US$ 100 bilhões em "bookings", ou seja, viagens contratadas através da plataforma.
Diferente, por exemplo, do Airbnb, que é super reconhecido na indústria por sua capacidade de gerar tráfego orgânico (e portanto, construir uma marca forte), o Booking "aluga" o Google em vez de se pautar na força da sua marca.
Assim, a empresa concentra seus esforços em decifrar os algoritmos mais importantes do mundo e se posicionar como um agregador natural nessa vertical de pesquisas.
Na época do IPO, um dos grandes argumentos dos investidores de AirBnb era que a empresa podia economizar em marketing, enquanto seu maior concorrente “desperdiçava” bilhões de dólares anualmente com essas despesas.
Um bom argumento teórico, mas que não resiste a um confronto com a realidade: o Booking não só é um muito mais rentável que o AirBnb como tem cada vez mais adentrado o terreno do concorrente.
Gigante, lucrativo e ainda em trajetória de crescimento
Obviamente, a pandemia puxou um freio de mão para toda a indústria de turismo.
Três anos depois, o Booking está finalmente acima dos níveis de 2019, além de ainda contar com enorme espaço para recuperar rentabilidade e seguir surfando uma demanda reprimida nos últimos anos.
Por exemplo, no 4T22, o volume de vendas ("gross bookings", em inglês) nas plataformas do Booking totalizou US$ 27,3 bilhões, crescimento de 43% na comparação anual.
No consolidado de 2022, o volume de vendas totalizou US$ 121 bilhões (ultrapassando os US$ 100 bilhões pela primeira vez na história da companhia), equivalentes a um crescimento de 26% versus 2019.
Esse crescimento foi amparado tanto pelo crescimento do volume de reservas quanto pela expansão do ticket médio. Se você fechou férias recentemente sabe do que estou falando.
Em 2022 a receita do Booking totalizou US$ 17 bilhões, ou 14,1% do volume de vendas da plataforma.
Além do aumento na demanda, outros dois fatores são interessantes na tese de investimentos:
- a internalização do meio de pagamentos pelo Booking e
- a redução estrutural nos gastos com marketing, graças ao aumento da popularidade do seu aplicativo mobile.
O pagamento é um dos grandes gargalos que o Booking enfrentou durante anos.
Seus fornecedores são hotéis dos mais variados tamanhos, a maioria deles sem qualquer infraestrutura de tecnologia. Sem um meio de pagamentos para assegurar a transação, é mais difícil que a empresa gerencie cancelamentos e descontos.
As receitas vindas do processamento de pagamentos, apesar das margens menores, são totalmente incrementais. O objetivo da empresa é alcançar 60% de pagamentos processados dentro de casa, nos próximos anos.
Hoje, esse volume ainda gira em torno de um terço.
O potencial do aplicativo
Agora, sobre o aplicativo, o app do Booking tem ganho representatividade nas vendas totais em todos os anos, nos últimos 5 anos.
Hoje, 44% das viagens fechadas na plataforma ocorrem diretamente no app, sem haja compartilhamento de receitas com parceiros comerciais, como o Google.
Esses fatores, em longo prazo, tendem a beneficiar as margens da empresa, mesmo que o setor se torne mais competitivo.
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Booking: Alto potencial de longo prazo
Há pouco, mencionei que o Booking é altamente lucrativo.
Pelas minhas contas, entre 2011 e 2019 o Booking teve uma geração de caixa livre para o acionista acumulada de aproximadamente US$ 29 bilhões. Desse montante, 75% (ou cerca de US$ 22 bilhões), foram utilizados para recomprar ações.
Com essa dinâmica, entre 2013 e o final de 2022, a quantidade de ações em circulação do Booking diminuiu em 26%, fazendo com o que o lucro por ação crescesse muito mais do que a receita líquida.
Um equilíbrio como esse é o sonho de todo acionista de longo prazo.
Nos últimos 12 meses, por exemplo, a empresa reduziu em 5% a quantidade de ações em circulação.
Ao somar o potencial da empresa de seguir crescendo receitas acima de 10% ao ano nos próximos anos, o espaço para ganhos de margem e o suporte de um retorno aos acionistas de cerca de 5% ao ano via recompra de ações, não é preciso fazer nenhum malabarismo matemático para enxergar o potencial do Booking de ser uma ação entregando um retorno de aproximado de 15% ao ano, em dólares, para os seus acionistas ao longo dos próximos anos.
Hoje, essa é uma das minhas ações de tecnologia preferidas.
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