Banco enxerga ameaça para a ‘galinha dos ovos de ouro’ da MRV (MRVE3) nos EUA e corta preço-alvo das ações; papéis caem forte na B3
A incorporadora norte-americana Resia deve enfrentar desafios no segmento no qual atual, o multifamily

Houve um tempo em que a Resia, incorporadora norte-americana que é subsidiária da MRV (MRVE3), apresentava uma performance tão positiva que ganhou o apelido de “galinha dos ovos de ouro” da construtora brasileira.
Mas esse tempo pode ter ficado para trás após uma mudança no cenário para o segmento no qual a empresa atua, o Multifamily. Segundo o Santander, o mercado de desenvolvimento de condomínios de pequenos edifícios ou casas deve enfrentar diversas ameaças.
O banco revisou para baixo suas estimativas para a Resia após concluir que, embora os prospectos de médio e longo prazo do setor ainda inspirem confiança, a perspectiva de curto prazo é desafiadora.
Além disso, a nova política da companhia de queima zero de caixa também pode afetar o crescimento da operação. Vale relembrar que a Resia queimou R$ 443 milhões no terceiro trimestre e terminou o período com um prejuízo líquido de R$ 14 milhões.
Com as estimativas menores, o Santander — que recomenda compra para a construtora — optou por cortar também o preço-alvo das ações MRV (MRVE3) para R$ 16 em 2024. O preço-alvo anterior, de R$ 20, contemplava um upside 20% maior para os papéis no próximo ano.
Ainda assim, a cifra é cerca de 56% superior à cotação atual da construtora, que opera em forte queda na bolsa nesta terça-feira (21). Por volta das 11h50, as ações recuavam 3,48%, a R$ 10,25.
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Por que o cenário está mais desafiador para a subsidiária da MRV?
Entre os empecilhos que a Resia deve enfrentar nos próximos anos, os analistas do Santander citam quatro desafios principais:
- Encargos elevados e crescimento da inadimplência dos consumidores, o que indica pouco espaço para alta nos aluguéis;
- Custos salgados para a construção dos imóveis;
- Taxas maiores nos financiamentos construtivos;
- Perspectiva incerta em relação às taxas de capitalização (cap rate) de saída dos empreendimentos — ou seja, quanto a Resia lucrará com a venda dos imóveis.
“Esta combinação de fatores, na nossa opinião, deverá resultar numa perspectiva mais difícil para a Resia durante os próximos anos, o que nos levou a rever para baixo as nossas estimativas”, indicam os analistas.
A projeção para o Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da incorporadora foi reduzida em 85% para 2024 e 70% para 2025.
Além disso, a estimativa do lucro líquido consolidado da MRV&Co caiu para R$ 501,2 milhões em 2024 e R$ 1,1 bilhão em 2025. Os valores são 40% e 28%, respectivamente, inferiores às estimativas anteriores.
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