Petrobras (PETR4) lucra R$ 54,3 bilhões no segundo trimestre e supera projeções dos analistas; ADR sobe 6% em NY
A receita líquida e o Ebitda da Petrobras (PETR4) no segundo trimestre também ficaram acima das estimativas do mercado

Os dias têm sido particularmente cheios para os acionistas da Petrobras (PETR4): de novidades ligadas à governança corporativa ao super dividendo de R$ 87 bilhões, o noticiário envolvendo a estatal está agitado — e mais um elemento acaba de entrar em jogo. É que a companhia acaba de reportar um lucro líquido de R$ 54,3 bi no segundo trimestre, uma alta de 26,8% em um ano.
A cifra ficou 32% acima das expectativas do mercado: a média das projeções compiladas pelo Seu Dinheiro com cinco grandes bancos e corretoras apontava para ganhos de cerca de R$ 41,2 bilhões. E as boas/más notícias não param por aí.
A receita líquida da estatal chegou a R$ 170,96 bilhões entre abril e junho deste ano, saltando 54,4% em relação ao mesmo período de 2021; já o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado cresceu 58,6% na mesma base, a R$ 98,26 bilhões — ambos superaram as expectativas do mercado.
A Petrobras foi ajudada por uma série de fatores ao longo do trimestre, com destaque para a valorização do dólar: como a maior parte de suas vendas ocorre no exterior, o fortalecimento da moeda americana implica num crescimento da receita líquida em reais.
O efeito cambial compensou parte da queda do petróleo: após atingir as máximas no primeiro trimestre, em meio à guerra da Ucrânia, a commodity passou por um movimento de baixa em suas cotações ao longo dos últimos meses. Ainda assim, vale lembrar que o barril segue perto dos US$ 100, um patamar de preço bastante atrativo para o setor de óleo e gás.
E, considerando os resultados financeiros da companhia — e os dividendos anunciados mais cedo —, a reação inicial do mercado financeiro tem sido positiva: no after market de Nova York, os ADRs da Petrobras (PBR) subiam 6,20% por volta das 20h (horário de Brasília), a US$ 14,22 no que pode ser uma prévia do que irá acontecer amanhã na B3 com as ações PETR4 e PETR3.
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Petrobras (PETR4): gerando caixa e reduzindo dívida
Mesmo o lucro recorrente da Petrobras (PETR4), que exclui itens especiais da conta, foi bastante expressivo: R$ 45 bilhões, alta de 10,1% em um ano — até mesmo essa cifra ajustada superou a média das estimativas para o lucro feitas pelos grandes bancos.
E, ainda no lado financeiro do balanço, há dois outros pontos que chamam a atenção. Em primeiro lugar, o fluxo de caixa operacional — uma métrica do quanto de dinheiro as operações em si estão gerando — ficou positivo em R$ 71,8 bilhões, aumentando 26,9% em um ano.
Em segundo lugar, há as métricas de endividamento, que continuam em queda. A dívida bruta da Petrobras, que era de cerca de US$ 58,5 bilhões ao fim de março, recuou para US$ 53,6 bilhões em junho; a dívida líquida caiu de US$ 40 bilhões para US$ 34,4 bilhões.
Com a dívida líquida em baixa e o Ebitda em alta, as métricas de alavancagem da Petrobras também tiveram um alívio adicional, atingindo 0,60 vez ao fim do segundo trimestre; em março deste ano, estavam em 0,81 vez e, em junho de 2021, eram de 1,49 vez.
Vale lembrar que a redução do endividamento é uma das metas de médio e longo prazo da Petrobras: seja pela geração de caixa ou pela venda de ativos, a estatal tem conseguido reduzir substancialmente o seu volume de compromissos financeiros.
Além disso, também é importante ressaltar que a política de distribuição de proventos da Petrobras depende do nível da dívida bruta: a empresa precisa ter compromissos inferiores a US$ 65 bilhões para pagar dividendos, o que se verifica — nesse caso, a remuneração pode chegar a 60% da diferença entre o fluxo de caixa operacional e os investimentos.
Custos e despesas sob controle
Mas se é verdade que a receita líquida da Petrobras (PETR4) no trimestre cresceu de maneira robusta, pegando carona no petróleo ainda caro e no dólar forte, também é verdade que a expansão controlada das linhas de custos e despesas tiveram um papel importante no lucro de R$ 54 bilhões apurado no período.
Os custos com os produtos vendidos, por exemplo, somaram R$ 75,1 bilhões, aumentando 39,8% em um ano — uma alta relevante, mas que ocorreu num ritmo inferior ao salto de 54% visto na receita líquida.
E, no lado das despesas operacionais, surpresa: a Petrobras fechou o trimestre com um saldo positivo de R$ 627 milhões — há um ano, a linha foi negativa em R$ 10,1 bilhões. Mas como essa situação é possível?
Bem, tudo se deve a um efeito extraordinário visto no segundo trimestre de 2022, com a Petrobras reconhecendo receitas operacionais de R$ 10,9 bilhões, fruto de um ganho de capital de R$ 14,2 bilhões referente aos acordos de coparticipação nos campos de Sépia e Atapu.
Eis, portanto, um dos itens especiais que são desconsiderados no lucro recorrente.
E&P da Petrobras (PETR4): receita em alta, mas custos também
Analisando os resultados isolados da unidade de exploração e produção (E&P) da Petrobras (PETR4), destaque para o crescimento de 51,2% na receita líquida na base anual, para R$ 108 bilhões; o lucro operacional dessa divisão foi de R$ 80,4 bilhões, e o lucro líquido, de R$ 53,3 bilhões.
O bom desempenho se deve, em grande parte, à valorização do petróleo: o barril do Brent, em média, esteve cotado a US$ 113,78 ao longo do trimestre, cifra 65,3% maior em relação ao preço visto há um ano; em relação aos primeiros três meses do ano, a commodity esteve 12,2% mais cara.
Com o ambiente favorável no lado das vendas, tanto em preço quanto em volume, a área de exploração e produção pode até mesmo lidar com os custos mais caros — a inflação generalizada também afeta as atividades da estatal.
O custo de exploração de petróleo na área do pré-sal, sem afretamento — a especialidade da Petrobras e modalidade em que ela tem uma grande eficiência — ficou em US$ 3,31 por barril equivalente, alta de 31,3% em um ano e de 1,8% em relação ao trimestre anterior.
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