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Passada uma semana da publicação do Terra Revival Plan, os usuários preferiram queimar criptomoedas a fazer uma divisão da rede
Uma semana após a publicação do Terra Revival Plan (plano para ressuscitar a Terra, em tradução livre), com as diretrizes para trazer de volta a criptomoeda Terra (LUNA), o fundador da rede (blockchain), Do Kwon, se mostrou resistente a uma das propostas amplamente aceitas pelos usuários.
A proposta de queima (burn, ou, simplesmente, destruição) de criptomoedas LUNA foi aprovada em votação na rede.
Até mesmo o CEO da Binance, Changpeng Zao, conhecido como CZ, achou a proposta melhor do que o plano de divisão da blockchain, conhecido como hard fork — que, inclusive, já foi usado tanto no bitcoin (BTC) quanto no ethereum (ETH) após problemas em suas respectivas redes.
Nos capítulos anteriores da crise da Terra Network — que engloba tanto a criptomoeda Terra (LUNA) quanto a stablecoin TerraUSD (UST) —, um dos problemas apontados como gatilho para o sumiço dos projetos foi o aumento da emissão de tokens LUNA.
A emissão desenfreada fez com que a criptomoeda perdesse valor rapidamente, passando de pouco mais de US$ 73 antes da crise para US$ 0,0001 após os problemas.
Assim, a destruição de parte do suprimento de LUNA seria uma saída mais adequada do que simplesmente começar a rede do zero, como pretendia o fundador da criptomoeda, Do Kwon.
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Apesar desse método já ter sido utilizado nas maiores criptomoedas do mundo, o fork de uma blockchain é equivalente a uma borracha no sistema — leia mais sobre os diferentes tipos de fork na nossa matéria sobre a atualização do ethereum. Ele começa uma rede nova do zero e as informações anteriores são deixadas para trás.
Isso inclui as criptomoedas — portanto, o dinheiro dos investidores. No plano de Do Kwon, havia a proposta de recompensar usuários que ainda possuíssem LUNA e UST, mas a proposta foi rejeitada pela rede.
Dessa forma, o burn é considerado um método menos drástico de reduzir o suprimento de LUNA disponível e tentar fazer a criptomoeda voltar a valer algo.
Do Kwon se pronunciou sobre o tema, disponibilizando a wallet para destruição dos tokens, mas não sem antes cutucar os usuários:
“Deixando claro, como falei várias vezes, não acho que enviar tokens para este endereço para queimar tokens seja uma boa ideia — nada acontece, exceto que você perde seus tokens. Quero que não haja confusão alguma”, escreveu ele no Twitter.
Apesar de os usuários não estarem nada contentes com o sumiço do protocolo, existem algumas considerações a se fazer sobre o desaparecimento da Terra (LUNA).
A primeira delas é que dificilmente o projeto conseguirá retomar os dias de glória, ainda que a proposta para salvar a blockchain anime alguns setores do mercado. Até mesmo os analistas estão céticos de que a Terra possa voltar a crescer.
O valor dos projetos está ligado à confiança dos investidores no protocolo, e a Terra se mostrou pouco confiável. Essa perda de credibilidade dificilmente será restaurada.
Esse foi, inclusive, o tema do nosso último Papo Cripto com Ray Nasser, CEO da Arthur Mining. Dê o play e saiba mais!
Como foi dito, a própria rede decidiu por um caminho diferente do que seu fundador gostaria, provando assim que o modelo colaborativo de desenvolvimento de criptomoedas funciona — mas vale lembrar que só saberemos se foi a melhor escolha nos próximos capítulos.
Por fim, é preciso ressaltar que Do Kwon é considerado uma pessoa pouco amigável em suas redes sociais, além de já ter tomado uma série de decisões na rede Terra por conta própria, o que desagradou ainda mais os especialistas e entusiastas do mercado.
Apesar de Do Kwon continuar falando grosso no Twitter, o governo da Coreia do Sul está de olho nos negócios dele e da Terraform Labs, responsável pela Terra (LUNA) e pela TerraUSD (UST).
De acordo com a acusação da procuradoria de Seul, Do Kwon é acusado de dever mais de US$ 78 milhões aos cofres públicos coreanos.
Além disso, cinco investidores locais perderam o equivalente a US$ 1,1 milhão após problemas na Terra Network, que engloba a criptomoeda Terra (LUNA) e a stablecoin TerraUSD (UST).
As autoridades coreanas estimam que 280 mil usuários possuíam um total de 70 bilhões em LUNA — o equivalente a mais de US$ 6 trilhões espalhados por toda a Coreia antes do projeto começar a perder valor, em 7 de março.
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