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Sim, o setor de petróleo está com os dias contados, mas ainda pode trazer ótimos retornos para você, por mais contraditório que pareça
Você sabia que quase metade dos empreendimentos no Brasil fecham as portas antes de completar quatro anos de vida?
Esses são dados do IBGE e mostram a dura realidade de abrir empresas por aqui. O Seu Dinheiro, que acaba de completar os seus primeiros quatro anos de vida com muita saúde e competência, é praticamente uma exceção.
Eu juro que não quero amedrontar nem desencorajar você.
Eu apenas gosto de lembrar desses números porque eles dizem muito sobre a dificuldade de empreender, de antecipar tendências, de saber quais serão as perspectivas dos setores de atuação de uma empresa quatro anos à frente.
Mas isso não vale só para quem quer abrir uma empresa, vale para o investimento em ações também. O sujeito compra ações de uma importante varejista de moda hoje e um ano depois uma tal de Shein aparece oferecendo produtos por um terço do preço e rouba toda a sua clientela.
Por isso, nesta edição de aniversário que traz uma tese de investimentos para os próximos quatro anos, vamos fazer um exercício diferente: não vamos tentar encontrar o setor que tem ótimas perspectivas de crescimento para o futuro, porque daqui a quatro anos tudo pode mudar.
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Hoje eu proponho o oposto: falar de um setor que está com os dias contados e que, por mais contraditório que pareça, pode trazer ótimos retornos para você caso dure apenas alguns anos a mais do que o esperado.
Dá uma olhada no gráfico abaixo. A barra verde mostra o valor de uma companhia listada na bolsa, em bilhões de reais. As barras pretas mostram a geração de caixa livre esperada em bilhões de reais para ela nos próximos 4 anos.
Lembrando que nessa geração futura já está descontada pelo custo do dinheiro no tempo (taxa Selic), bem como já embute uma piora das perspectivas para o setor.
Mesmo assim, a expectativa é de que em menos de quatro anos essa empresa tenha um fluxo de caixa livre suficiente para retornar mais de 100% do investimento feito nela hoje, e tudo o que vier além disso poderia ser tratado como "bônus".
Bom demais para ser verdade? Onde está a pegadinha?
Se você ainda não descobriu, essa tal empresa é a Petrobras (PETR4), e como você já deve saber, boa parte do mundo acredita que o petróleo terá vida curta, por isso os preços baixos da companhia neste momento.
Não precisa ser nenhum gênio para entender que estamos caminhando para um planeta cada vez menos dependente de combustíveis fósseis. Isso não está em questão aqui.
Mas será que essa transição será assim tão rápida? Será que o mundo estará livre do petróleo tão cedo para que a Petrobras e várias outras empresas do setor negociem como se fossem "fechar as portas" em menos de quatro anos?
Antes de responder a essa pergunta, eu vou mostrar algumas projeções importantes sobre o cenário de energia no mundo nas próximas décadas.
Segundo o Plano Decenal de Expansão de Energia brasileiro, a matriz energética daqui a dez anos será composta da seguinte maneira:
Repare que Eletricidade, Demais Fontes e Derivados da Cana ganham mais de 3 pontos percentuais de participação no total, mas os Derivados de Petróleo continuam sendo a fonte mais importante de todas em 2031.
Na verdade, a estatística é ainda pior para os que pregam que o fim do consumo de petróleo está próximo: apesar da perda de representatividade, já que as renováveis crescem de forma mais acelerada, a expectativa é de que o crescimento do consumo de derivados fósseis aumente de 101 milhões para 116 milhões de toneladas equivalentes de petróleo (Mtep).
Esse número conversa com as projeções para 2050 do U. S. Energy Information Administration (EIA).
Apesar de um crescimento muito mais acelerado das fontes renováveis nas próximas décadas e da perda de participação dos derivados fósseis na matriz global, o consumo de petróleo e seus derivados não vai cair.
Na verdade, é o contrário: a expectativa é de que o consumo cresça, porque as fontes renováveis não vão conseguir suprir todo o crescimento da demanda por energia nas próximas décadas.
Isso quer dizer que podemos investir tranquilamente numa petroleira até 2050?
Não, nada garante que as projeções estejam certas. Pode ser que o custo de geração de energias renováveis caia tanto que viabilize um aumento ainda maior da penetração dessas fontes na matriz.
Pode ser que exista uma mobilização tão grande que empurre os países para uma transição ainda mais acelerada, e preferimos não contar com projeções tão distantes.
Ainda assim, os estudos mostram que o cenário não é tão desolador para as petroleiras no médio prazo. Além disso, se havia uma grande intenção de vários países em incentivar as energias renováveis num passado recente, neste momento, boa parte desses mesmos países têm outros problemas aparentemente mais urgentes para resolver.
Novas fontes de “energia verde” custam caro. E, em grande parte, essas fontes renováveis só são competitivas por causa dos subsídios, que aumentam ainda mais as contas de energia já elevadas.
"Subsídios Verdes aumentarão a conta de energia no Reino Unido acima do esperado. Escritório Nacional de Auditoria diz que as contas de luz residenciais ficarão £ 17 mais caras do que o planejado anualmente em 2020 por conta da instalação de painéis solares. The Guardian.
Com o avanço da inflação e milhões de pessoas ao redor do mundo descontentes com a alta de preços, é provável que essa deixe de ser uma prioridade dos governos e que as produtoras de petróleo tenham uma sobrevida ainda maior.
Não sei se a demanda continuará tão forte até 2050, mas pelos preços que elas negociam, nem precisamos de tanto tempo assim.
Com a demanda ainda resiliente por um bom tempo, nos resta saber como estará a oferta nesta história, porque os preços do petróleo são cruciais para determinar a rentabilidade dessas empresas.
Temos boas perspectivas nesse aspecto também. A tal onda verde que temos visto nos últimos anos simplesmente arruinou as perspectivas de grandes novos projetos de extração de petróleo.
Vários países já proibiram a exploração de novos campos de petróleo em seus territórios, e a pressão de investidores focados em ESG fez muitas companhias do setor simplesmente pararem de investir.
Investir em projetos de petróleo está se tornando algo ultrapassado, não por falta de rentabilidade, mas por pressão política e social. Essa falta de investimentos significa menos oferta, o que também implica em melhores preços para a commodity.
Como bem lembrou o chefe da Opep, a Guerra na Ucrânia é apenas um dos fatores responsáveis pela alta do petróleo. A falta de investimentos tem um peso enorme.
O ponto importante aqui é que esse desequilíbrio tem proporcionado preços elevados para o barril, o que tem ajudado várias companhias do setor a baterem recordes de lucros nos últimos trimestres.
Mesmo com o recuo recente por conta dos receios de uma possível recessão, os níveis ainda estão bem maiores do que a média.
Com toda essa história de restrição a novos projetos de exploração, vale lembrar que não esperamos essas mesmas políticas no Brasil.
O petróleo ainda é parte muito importante da economia local, e a Petrobras sozinha devolveu ao governo na forma de dividendos, tributos e royalties aproximadamente R$ 230 bilhões em 2021.
Para o quinquênio 2022 - 2026, a expectativa é de que esse retorno chegue a até US$ 95 bilhões (cerca de R$ 500 bilhões com o câmbio atual).
Para um país que não consegue resolver seus problemas fiscais, não esperamos medidas drásticas contra a produção tão cedo, se é que veremos isso algum dia.
Bom para a Petrobras e para as outras empresas que conseguem atuar por aqui.
Mas eu sei que o bom investidor se preocupa com o pior cenário. E se tivermos pela frente uma combinação de queda da demanda por conta de uma recessão e aumento relevante da oferta com novos projetos saindo do papel para aproveitar os preços elevados da commodity neste momento?
Nesse caso os preços iriam desabar, mas aqui entra uma característica importante da Petrobras.
O pré-sal tem uma produtividade absurda, o que por sua vez dilui os custos de extração por barril para níveis abaixo de US$ 5 dólares, e que devem em breve levar a Petrobras para um breakeven (equilíbrio) próximo de US$ 35 dólares. Ou seja, acima desses níveis, ela é geradora de caixa.
Volte ao gráfico que mostra os preços do petróleo e repare quantas vezes ele veio abaixo desse patamar: pouquíssimas.
Essa é uma dinâmica conhecida do mercado de commodities e que funciona mais ou menos assim: quando a demanda está forte e os preços elevados, muitas empresas com custos elevados são atraídas para o setor e começam a produzir.
Em algum momento, haverá uma desaceleração da atividade, e a queda na demanda combinada com o aumento da oferta faz com que os preços da commodity desabem.
Com preços baixos, os produtores de maior custo começam a fechar as portas, até que em algum momento, a oferta cai tanto que os preços voltam a subir.
Quem conseguir gerar caixa mesmo em um ambiente de preços deprimidos tem uma vantagem absurda sobre o restante do mercado. Com o pré-sal, a Petrobras está cada vez mais próxima de "chegar lá".
Toda aquela restrição de oferta sobre a qual já conversamos é um fator importante para impedir uma queda tão abrupta de preços, especialmente abaixo dos US$ 35. Mas estar entre os produtores de baixo custo é quase uma garantia de sobrevivência em tempos de vacas magras.
De certa forma, a Petrobras tem essa vantagem sobre as rivais brasileiras menores, que não conseguem arcar com os investimentos necessários para extrair petróleo do pré-sal. Neste momento, ela está muito barata, gera muito caixa, paga ótimos dividendos e, se o governo não interferir muito, o potencial de valorização é enorme.
Mas existe outro nome um pouco mais arriscado, mas com um potencial de alta muito maior também: a 3R Petroleum (RRRP3). Ela não tem tamanho nem dinheiro para apostar no pré-sal, mas tem uma outra estratégia bastante interessante.
Para focar no pré-sal, a Petrobras precisa parar de investir em campos menores e acaba vendendo esses ativos por preços muito baixos. Na outra ponta está a 3R, que aproveita os descontos e, após alguns investimentos, faz esses campos produzirem bem mais óleo do que antes.
Por exemplo, o Polo Rio Ventura praticamente dobrou a produção após a 3R Petroleum assumir a operação.
Por não ter a mesma escala, um balanço tão robusto e um lifting cost tão competitivo como o da Petrobras, a 3R acaba sendo uma história mais arriscada e sensível à variação dos preços da commodity.
Como tudo na vida, isso também tem seu lado positivo: a combinação dessa maior percepção de risco com as perspectivas negativas para o petróleo logo à frente faz a 3R Petroleum ser a empresa mais barata do setor, o que também significa que se a demanda por petróleo persistir por mais do que apenas quatro anos — como comentamos aqui — os retornos também tendem a ser bem maiores também.
Gostamos dessa combinação Petrobras e 3R como exposição ao setor, cada uma com suas vantagens e fraquezas, mas que tendem a se aproveitar muito de uma demanda que ainda não parece estar nas contas do mercado.
A primeira está no Vacas Leiteiras pela ótima perspectiva de dividendos, enquanto a segunda faz parte da série Microcap Alert pelo grande potencial de crescimento nos próximos anos.
Um grande abraço e até a semana que vem!
Ruy
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