🔴 HERANÇA EM VIDA? NOVO EPISÓDIO DE A DINHEIRISTA! VEJA AQUI

Mercado em 5 Minutos: Quando a ressaca da recessão global insiste em não passar

Um fator de piora foram as projeções econômicas do Fed, que sugeriu taxas de juros ainda mais agressivas nas duas últimas reuniões do ano para combater a inflação elevada

23 de setembro de 2022
10:45 - atualizado às 10:46
Homem de ressaca
Homem de ressaca - Imagem: Pixabay

Bom dia, pessoal. Lá fora, os mercados ainda parecem de ressaca das decisões de política monetária anunciadas nesta semana.

Na Ásia, as ações fecharam em queda nesta sexta-feira, acompanhando as movimentações negativas dos mercados globais durante o pregão de ontem, diante das preocupações com a possibilidade de recessão após os recentes aumentos agressivos das taxas de juros pelo Fed e outros grandes bancos centrais.

Na Europa, a manhã é de queda para os ativos de risco, assim como se observa nos futuros americanos.

Um fator relevante de piora foi o compêndio de projeções econômicas do Fed, que sugeriu taxas de juros ainda mais agressivas nas duas últimas reuniões do ano, à medida que o banco central continua seus esforços agressivos para combater a inflação elevada.

O Brasil, por outro lado, tem conseguido se desvencilhar dessa realidade, mas com ADR brasileiras caindo lá fora nesta manhã, como Petrobras e Vale, que reagem à queda das commodities, fica difícil estar animado nesta sexta-feira.

A ver...

00:38 — Desafiando o Copom

No Brasil, nem a fala agressiva do Banco Central na noite de quarta-feira (21) foi capaz de assustar os investidores, que ficaram animados com as perspectivas otimistas do final do ciclo de aperto (pelo menos por enquanto). 

O fato de o Brasil ter se adiantado com relação à política monetária nos coloca numa posição privilegiada.

Talvez tenha até havido uma euforia em demasia sobre a curva de juro, que recuou bem em todos os vértices, apesar da necessidade de se manter a taxa de juros elevada por mais tempo. 

Ainda assim, a perspectiva de uma flexibilização monetária na segunda metade de 2023 permite um certo tom mais relaxado sobre os ativos de risco.

Ninguém tem ligado muito para a política, essa é a verdade, com exceção dos torcedores (dos dois lados). 

Nos aproximamos das eleições e na semana que vem teremos o último debate na Globo, na quinta-feira — Lula não participará do debate no SBT, no sábado, mas estará na Globo (Bolsonaro irá nos dois se for esperto). 

O mercado não tem acompanhado tanto o ambiente político, na expectativa de que qualquer um dos dois favoritos para o segundo turno não seriam muito prejudiciais para os mercados nos próximos anos, contanto que as questões fiscais sejam devidamente endereçadas e o ambiente internacional não seja muito impeditivo.

01:30 — Se preparando para a recessão

Em meio ao sentimento de aversão ao risco, o dólar americano se valorizou cerca de 20% por meio do DXY, sendo aproximadamente mais de 16% só em 2022. 

As demais moedas fortes têm perdido força gradualmente, diante dos problemas da União Europeia (euro), Japão (iene) e Reino Unido (libra). 

Existem duas forças principais por trás do recente declínio das grandes moedas em relação ao dólar.

A primeira se relaciona com o comércio global

Os países importadores de energia, com pouca produção doméstica significativa de petróleo ou gás, precisaram trocar mais de suas respectivas moedas por dólares para comprar essas matérias-primas, uma vez que os preços das commodities dispararam neste ano.

A segunda força diz respeito às políticas monetárias

Como sabemos, o Federal Reserve vem elevando as taxas de juros e reduzindo o tamanho de seu balanço este ano. 

Por outro lado, os demais bancos centrais, ainda que também tenham começado a apertar a política monetária, ficaram para trás do Fed. 

Assim, os rendimentos significativamente mais altos oferecidos nos EUA aumentaram a demanda por títulos em dólares.

A situação do mundo não é lá muito estável, com esse sentimento de aversão ao risco empurrando ativos para baixo, enquanto os investidores se preparam para uma recessão global que hoje ainda é difícil de mensurar. 

Várias autoridades americanas estão previstas para falar hoje, como o próprio Powell, presidente do Fed, sua vice, Lael Brainard, e outros nomes. As falas devem reforçar o temor do mercado.

02:28 — Fogo no parquinho

Enquanto os investidores acompanham alguns números de sentimento dos consumidores e dos empresários na Europa e nos EUA, o mercado britânico está particularmente mais volátil e negativo. 

Não apenas por conta dos dados decepcionantes do setor de varejo, mas por vetor político também.

Como antecipamos neste espaço há algumas semanas, Liz Truss, a nova premiê britânica, já começou a despejar sobre a economia suas primeiras "Pílulas Dilmáticas" (como eu gosto de chamar as medidas de Truss). 

Por meio de um "mini-orçamento'', o governo endereça o expansionismo fiscal prometido durante a campanha. 

Os mercados enxergam o "mini-orçamento" do Reino Unido de hoje como moldado mais pela necessidade política (foi prometido durante a campanha pela liderança do partido conservador) do que pela economia. 

O temor de déficit estrutural no Reino Unido deve se aprofundar, lançando válidas preocupações do mercado sobre a dívida e enfraquecendo a libra esterlina. O Reino Unido pode sair mais fraco do processo.

03:05 — Nacionalização alemã

A semana foi marcada por um episódio curioso na Alemanha. 

A Europa está na linha de frente da guerra na Ucrânia, enquanto a energia é usada como arma no campo de batalha, com a Rússia fechando totalmente as torneiras do Nord Stream 1 para a Alemanha e outros players.

Antes da invasão, a Rússia abastecia cerca de 40% das necessidades de gás natural da União Europeia, que é usado para tudo, desde aquecer os europeus, até geração de energia para a indústria pesada.

Consequência desse processo foi a nacionalização da Uniper nesta semana, o maior importador de gás da Alemanha.

As ações da companhia caíram bem em Frankfurt com a notícia, após uma queda de mais de 90% desde o início do ano.

A medida drástica segue uma tentativa de resgate anterior de € 15 bilhões, que não conseguiu compensar pesadas perdas financeiras depois de a empresa ser forçada a comprar gás.

As especificidades do acordo farão com que o governo alemão assuma uma participação de 99% na gigante de energia e injete € 8 bilhões na companhia. 

Embora as instalações de armazenamento de gás da Alemanha estejam atualmente mais de 90% cheias (o que significa que problemas sérios ocorreriam somente após este inverno), o governo provavelmente lançará mais suporte de emergência nas próximas semanas.

Existem, inclusive, planos para assumir o controle de dois outros grandes importadores de gás conhecidos, como VNG e Securing Energy for Europe (antiga Gazprom da Alemanha). 

Berlim também disse que assumiria a unidade alemã da Rosneft, incluindo participações em três refinarias de petróleo que respondem por 12% da capacidade de processamento de petróleo do país. O mundo está mudando muito.

04:11 — A força do dólar também reflete o conflito na Ucrânia

O dólar atingiu sua máxima de 20 anos justamente após Putin intensificar seu tom sobre a guerra na Ucrânia. 

Como comentamos, o presidente russo, Vladimir Putin, dirigiu-se à nação nesta semana para ordenar uma mobilização parcial das tropas da reserva enquanto a Rússia tenta manter os territórios do leste da Ucrânia depois que o exército ucraniano recapturou grandes extensões de terra nas últimas semanas.

O índice do dólar americano, que acompanha a moeda em relação aos seis principais pares, já sobe mais de 16% só neste ano. Outros ativos de refúgio, como ouro e títulos do Tesouro dos EUA, também subiram. 

Os preços do petróleo avançam com novas preocupações de que o fornecimento da Rússia, um dos maiores exportadores de petróleo do mundo, seria interrompido, mas caem novamente nesta manhã.

Os comentários de Putin foram amplamente vistos como uma escalada do conflito, principalmente ao apoiar os referendos a serem realizados nos próximos dias em áreas controladas pela Rússia, mais um passo para anexar cerca de 15% da Ucrânia. 

Os temores sobre a desaceleração da China e o alerta da Rússia para intensificar a guerra na Ucrânia também assustaram os mercados, o que deve aprofundar o sentimento de aversão ao risco nos mercados globais.

Compartilhe

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: ChatGPT resiste às tentações de uma linda narrativa?

17 de abril de 2024 - 20:11

Não somos perfeitos em tarefas de raciocínio lógico, mas tudo bem: inventamos a inteligência artificial justamente para cuidar desses problemas mais chatos, não é verdade?

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Ataque do Irã poderia ter sido muito pior: não estamos diante da Terceira Guerra Mundial — mas saiba como você pode proteger seu dinheiro

16 de abril de 2024 - 6:17

Em outubro, após o ataque do Hamas, apontei para um “Kit Geopolítico” para auxiliar investidores a navegar por esse ambiente incerto

EXILE ON WALL STREET

Felipe Miranda: Cinco coisas que deveriam acabar no mercado financeiro

15 de abril de 2024 - 20:01

O sócio-fundador da Empiricus lista práticas do universo dos investimentos que gostaria de ver eliminadas

DE REPENTE NO MERCADO

O que Elon Musk, Javier Milei, Alexandre de Moraes, o halving do bitcoin e a China têm em comum? 

14 de abril de 2024 - 12:00

Acredite: tudo isso movimentou o mercado financeiro esta semana; veja os destaques

Especial IR 2024

Meu dependente paga pensão alimentícia; posso abatê-la no imposto de renda?

13 de abril de 2024 - 8:00

Titular da declaração de imposto de renda declara o pai como dependente, e ele paga pensão alimentícia à mãe dela. E agora?

SEXTOU COM O RUY

Enquanto você se preocupa com a Oi (OIBR3), esta empresa da B3 virou a campeã de qualidade no serviço de internet – e ainda está barata na bolsa

12 de abril de 2024 - 6:07

Para se diferenciar, essa companhia construiu uma infraestrutura de qualidade, que tem proporcionado prêmios de internet fixa mais rápida do Estado de São Paulo, à frente das gigantes de telecom

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Quintal da China, quintal do mundo

10 de abril de 2024 - 19:15

Se a economia chinesa sofre, nós necessariamente compartilhamos dessa desgraça?

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Juro real de volta aos 6%: com bolsa na pior e dólar nas alturas, essa é uma nova oportunidade?

9 de abril de 2024 - 6:40

Uma regra prática comum para investimentos em renda fixa no Brasil sugere vender títulos quando os juros reais atingem 3% e comprá-los a 6%

EXILE ON WALL STREET

Além do bitcoin (BTC): esta carteira já rendeu 447% acima da maior criptomoeda do mercado

8 de abril de 2024 - 20:01

Acredito que exista uma forma melhor de pensar sobre a ciclicidade do preço do bitcoin (BTC), que historicamente nos ajudou a gerar alfa neste mercado

BOMBOU NO SD

Argentina entra na rota de ‘paraíso fiscal’, China encara mesma crise do Japão e inteligência artificial “sugando” o Ibovespa — veja tudo o que foi destaque na semana

6 de abril de 2024 - 13:36

A crise e os seus reflexos no país vizinho no Brasil despertaram o interesse dos leitores do Seu Dinheiro nos últimos dias

Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Continuar e fechar