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O mercado não vinha reagindo bem ao noticiário em torno da PEC da Transição e a expectativa é que o assunto siga pressionando os ativos de risco brasileiros
Fez sucesso durante a pandemia o filme “Não olhe para cima”. Parecia um escracho despretensioso, mas o longa-metragem deu combustível a reações apaixonadas. A favor e contra. No filme e na vida real. Afinal, a alegoria do meteoro serve para quase tudo. Inclusive para o teto de gastos.
Idealizado por Henrique Meirelles na condição de ministro da Fazenda de Michel Temer (MDB), o teto de gastos emergiu como uma âncora fiscal que visava limitar o aumento das despesas do governo federal à inflação oficial.
Amado por uns, considerado impraticável por outros, o aparato foi deixado de herança para Jair Bolsonaro (PL). Tornou-se um teto retrátil sob Paulo Guedes. Mas houve tantas distrações nos últimos anos. Pandemia, inflação, guerra, eleição. Ninguém teve tempo de olhar para cima.
As distrações começaram a se dissipar, um novo governo foi eleito, o mercado financeiro finalmente olhou para cima e cadê o teto?
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai tomar posse somente em janeiro, mas já pediu ao Congresso uma licença para colocar R$ 198 bilhões fora do mecanismo.
A intenção é acomodar promessas de campanha já em seu primeiro ano de mandato. São elas um Bolsa Família com benefício mensal de R$ 600 mais R$ 150 por criança de até 6 anos e reajuste do salário-mínimo acima da inflação.
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Argumenta que responsabilidade social e fiscal podem andar juntas e não abre mão da primeira para cumprir a segunda.
O governo a ser empossado em janeiro também pretende direcionar 40% de receitas extraordinárias a investimentos, deixando 60% para o pagamento de juros da dívida.
A aprovação depende do Congresso Nacional. Por se tratar de uma emenda à Constituição, o governo eleito precisa de maioria de três quintos na Câmara e no Senado.
Não é pouco, mas os congressistas têm se mostrado receptivos à proposta. Vão decidir inclusive por quanto tempo vai durar essa licença.
De qualquer modo, os agentes do mercado financeiro não vinham reagindo bem ao noticiário em torno da PEC da Transição. E ela veio quase exatamente como eles temiam.
Ontem, quando a proposta foi entregue, a B3 já estava fechada. Antes, o Ibovespa fechou em forte queda enquanto o dólar e os juros projetados da dívida subiram diante dos temores com o teor da proposta.
Pela reação recente dos investidores, a expectativa para hoje é de que o assunto continue pressionando os ativos de risco brasileiros. Pelo menos na abertura.
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