O melhor time de jornalistas e analistas do Telegram! Inscreva-se agora e libere a sua vaga

2022-05-12T16:47:52-03:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico. Em 2020, foi eleito pela Jornalistas & Cia como um dos 10 profissionais de imprensa mais admirados no segmento de economia, negócios e finanças.
A SoftBolha estourou?

No SoftBank, um rombo de R$ 140 bilhões com o Vision Fund põe em xeque o investimento nas empresas de tecnologia

O conglomerado japonês é conhecido por financiar fintechs e startups mundo afora através desse fundo de investimento em específico

12 de maio de 2022
13:28 - atualizado às 16:47
Masayoshi Son, fundador do SoftBank, fala do desempenho do Vision Fund e do banco como um todo em 2021
Masayoshi Son, fundador do SoftBank, fala do desempenho do Vision Fund e do banco como um todo em 2021 - Imagem: Divulgação SoftBank

Tempos difíceis para as empresas de tecnologia: nos mercados globais, a ordem é fugir do risco — e esse setor é quase sinônimo de perigo em tempos de juros em alta. Portanto, era de se imaginar que o SoftBank e seu Vision Fund, o bilionário fundo de investimentos especializado nas techs globais, sofreria um baque em seus resultados financeiros; o tamanho do impacto, no entanto, surpreendeu até os mais céticos.

O conglomerado japonês reportou na manhã desta quinta-feira (12) seu balanço referente ao ano fiscal de 2021, encerrado em 31 de março. E somente o Vision Fund — conhecido por seus aportes volumosos em companhias como Uber, WeWork, Rappi e Loggi — teve uma perda de 3,5 trilhões de ienes no período; pelo câmbio atual, estamos falando em incríveis R$ 140 bilhões de prejuízo.

Colocando essa cifra em perspectiva: o Santander Brasil (SANB11), sexta empresa mais valiosa da bolsa brasileira, tem valor de mercado de 'apenas' R$ 121 bilhões; B3 (B3SA3) e Suzano (SUZB3), somadas, são estimadas em R$ 135 bilhões.

O rombo deixado pelo Vision Fund afetou o resultado do Softbank como um todo: a instituição teve um prejuízo acumulado de 1,7 trilhão de ienes no ano, pouco mais de R$ 68 bilhões — um recorde de perdas para o grupo. Como resultado as ações da empresa na bolsa de Tóquio desabaram 8% hoje; não há BDRs negociados por aqui.

Esses resultados, naturalmente, colocam em xeque a estratégia agressiva do SoftBank. Em meio à alta de juros nos EUA e no mundo, às incertezas relacionadas à guerra da Ucrânia e à rigidez do governo da China com as empresas de tecnologia do país, o cenário parece mais desfavorável que nunca para o investimento no setor.

Afinal, companhias de tecnologia, em especial as que estão no estágio inicial da vida — as preferidas do Vision Fund, diga-se —, representam uma espécie de tela em branco no mercado financeiro. Todas prometem pinturas belíssimas e sofisticadas, mas, para tal, precisam de recursos e investidores.

Ou seja: fintechs, startups e outras empresas do tipo estão atrás de alguém que tope correr o risco de aportar dinheiro num negócio que ainda não dá lucro — mas que, se tudo der certo, dará retornos polpudos no futuro.

Só que, num ambiente cheio de entraves no presente, muitos preferem não correr o risco; em outras palavras, procuram destinos mais seguros para os investimentos. Com isso, há uma corrida em direção às chamadas 'ações de valor' — empresas mais tradicionais e sólidas. E, aí, as techs e o SoftBank se veem numa sinuca de bico.

SoftBank e Vision Fund: e agora, Son?

Questionar os rumos do SoftBank é questionar diretamente o seu fundador, Masayoshi Son. O Vision Fund, afinal, é a 'visão' do executivo para a economia global: viabilizar uma 'revolução' a partir dos investimentos em empresas novas e inovadoras.

Em teleconferência realizada mais cedo, Son disse que o conglomerado japonês entrará em "modo de defesa" daqui em diante, mas isso não quer dizer que sua filosofia de atuação mudará radicalmente. O Vision Fund continuará de olho no setor de tecnologia e em empresas promissoras, mas os critérios de investimento ficarão "mais rigorosos".

O desempenho de algumas das estrelas do portfólio do fundo ajuda a entender as enormes perdas contabilizadas em 2021. A Coupang, empresa sul-coreana de e-commerce, abriu seu capital nos EUA no ano passado e, de lá para cá, amarga uma desvalorização de 60%.

Situações semelhantes são vistas na Grab, de Cingapura, e na Doordash, dos EUA — ambas atuam no setor de transportes e entregas, num modelo de negócio semelhante ao do Uber e do Rappi.

As gigantes chinesas de tecnologia também tiveram um papel importante nas perdas do SoftBank no ano; o grupo japonês tem posições relevantes no Alibaba e na Didi, duas companhias que sofreram nos últimos meses com a postura mais firme de Pequim em relação às grandes corporações do país.

O pesadelo das techs

O mau momento do setor de tecnologia afeta até mesmo as gigantes americanas: empresas como Apple, Microsoft, Google e Amazon amargam perdas expressivas no mercado de ações; a Nasdaq, bolsa tech dos EUA, está nas mínimas desde outubro de 2020.

E o movimento vendedor foi ampliado nos últimos dias: com o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) elevando os juros do país em 0,5 ponto, para a faixa de 0,75% a 1%, e dando a entender que novas elevações estão a caminho, as big techs foram ladeira abaixo em Wall Street.

Nos três pregões posteriores à decisão do Fed, as gigantes de tecnologia dos EUA perderam US$ 1 trilhão em valor de mercado; as quedas continuaram nos dias seguintes e, ontem (11), a Apple perdeu o posto de empresa mais valiosa do mundo — agora, a petroleira Saudi Aramco ocupa o topo do ranking. Veja abaixo o top 10 global:

EmpresaPaísValor de mercado (US$ bi)Código da açãoAlta/baixa da ação em 2022*
Saudi AramcoArábia Saudita2.3822222.SR24,90%
AppleEUA2.286AAPL-17,30%
MicrosoftEUA1.905MSFT-22,40%
Alphabet/GoogleEUA1.482GOOG-21,20%
AmazonEUA1.092AMZN-36,80%
TeslaEUA749TSLA-30,50%
Berkshire HathawayEUA672BRK-A3,80%
Meta/FacebookEUA547FB-43,90%
Johnson & JohnsonEUA460JNJ3,60%
TSMCTaiwan448TSM-26,60%
*Em moeda local. Fonte: CompaniesMarketCap/Seu Dinheiro

*Com informações da CNBC

Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

App da Pi

Aplique de forma simples, transparente e segura

CVM recua e libera distribuição de dividendos do fundo imobiliário Maxi Renda FII (MXRF11) com base no ‘lucro caixa’ — relembre o caso

A xerife do mercado de capitais reconheceu “a existência de obscuridade e contradição” na decisão original

Superou o trauma? Bitcoin (BTC) segue no patamar de US$ 30 mil; saiba se a maior criptomoeda do mundo sustentará esse nível

BTC terá também que superar os críticos às moedas digitais, que não pouparam esforços para injetar ainda mais medo nesse mercado já extremamente desorientado

CEO do JP Morgan leva cartão vermelho de acionistas e pode ficar sem bônus milionário, entenda a decisão rara

A desaprovação foi a primeira desde que o conselho do banco norte-americano enfrentou um voto negativo sobre compensações desde que as regras foram introduzidas, há mais de uma década

SEU DINHEIRO NA SUA NOITE

Hapvida, Magazine Luiza e Nubank tombam, mas Ibovespa fecha o dia no azul; confira os destaques desta terça-feira

O maior apetite ao risco e a expectativa de manutenção no ritmo de alta no juro nos Estados Unidos ajudou o Ibovespa, que teve um dia de ganho

FECHAMENTO DO DIA

Ibovespa sustenta alta após susto inicial com Powell; dólar cai abaixo dos R$ 5

O Ibovespa fechou o dia longe das mínimas, mas o dólar caiu 2% com o apetite por risco no exterior

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies