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Qualidade dos ativos do Santander teve desempenho pior do que o esperado, o que pode vir refletido também no resultado de outros bancos

Ainda que o mercado já antecipasse um aumento da inadimplência no balanço do Santander Brasil (SANB11), o resultado veio pior do que o esperado e provocou reação negativa dos papéis do banco na bolsa brasileira. Ao meio-dia, a ação figurava entre as maiores quedas do Ibovespa, de 4,28%, a R$ 32,20.
No mesmo horário, os papéis de Itaú (ITUB4), Bradesco (BBDC4) e Banco do Brasil (BBAS3) caíam 2,97%, 3,93% e 2,39%, respectivamente.
Conforme mostrou o Santander mais cedo, a inadimplência dos clientes pessoa física subiu no primeiro trimestre a um ritmo mais forte do que o observado nos períodos passados e retomou os níveis de março de 2020, início da pandemia. O índice de empréstimos em atraso acima de 90 dias subiu 0,9 p.p. no ano, para 4%, entre pessoas físicas.
Já o índice total, considerando também empresas, aumentou 0,77 p.p. no ano e atingiu 2,9% em março de 2022.
Chamou a atenção, ainda, a disparada da inadimplência entre 15 e 90 dias, que saltou de um trimestre para o outro. De dezembro de 2021 para março de 2022, esse índice passou de 3,5% para 4,2%. Na pessoa física, foi de 5% para 5,9%.
Dessa forma, o Santander teve de elevar o saldo de provisões para créditos de liquidação duvidosa, que chegou a R$ 28,4 bilhões, alta de 10,4% na comparação com o primeiro trimestre de 2021.
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Para o Credit Suisse, a qualidade dos ativos teve desempenho pior do que o previsto e isso pode vir refletido também nos resultados dos outros bancões.
“Acreditamos que os resultados podem ter uma leitura negativa para o Bradesco, pois fortalecerão a percepção de que o custo da orientação de risco da empresa pode ser excessivamente otimista”, disse o Credit Suisse em relatório.
O Credit reiterou recomendação neutra para o Santander e segue com Itaú e Banco do Brasil como principais escolhas.
Já o UBS BB se mostrou decepcionado com as tendências operacionais do Santander não só devido ao aumento da inadimplência, mas também a uma contração sequencial dos empréstimos e fraca receita com serviços.
O UBS BB também manteve a recomendação neutra e reforçou que a alta lucratividade do Santander deve ser temporária.
Em teleconferência com analistas mais cedo, a direção do Santander Brasil reforçou que adotou as medidas necessárias para limitar a inadimplência em setembro do ano passado.
“Agora estamos num momento em que aquelas decisões estão limitando o crescimento da carteira de crédito, as provisões refletem uma realidade anterior”, disse Angel Santodomingo, CFO do Santander Brasil.
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