Dia de correção: minério de ferro cai forte e derruba ações da Vale e siderúrgicas
As ações da Vale, Gerdau, Usiminas e CSN estão entre as maiores baixas do Ibovespa hoje, influenciadas pela cotação do minério de ferro

O minério de ferro segue nas manchetes do noticiário econômico. No entanto, após bater os recordes históricos nesta semana, a commodity passa hoje por um movimento de realização — e as ações da Vale e das siderúrgicas, intimamente ligadas ao produto, seguem a mesma tendência.
O preço do minério físico no porto chinês de Qingdao desabou 12,11% hoje, a US$ 208,79 a tonelada — vale ressaltar que, ontem, não houve cotação por causa de um feriado em Singapura. No começo da semana, a commodity chegou a ser negociada acima dos US$ 230 a tonelada.
- Apesar da queda desta sexta, os preços do minério seguem acima dos US$ 200 a tonelada. Quer entender o que fez a commodity chegar a esse patamar? O Seu Dinheiro explica tudo no vídeo abaixo:
No mercado futuro também houve um baque: os contratos com vencimento em maio negociados na Nymex (TIOM21) recuam pelo segundo dia seguido, ficando abaixo dos US$ 210.
Aqui na B3, o efeito é sentido nas ações do setor de mineração e siderurgia, que dominam a ponta negativa do Ibovespa. Vale ON (VALE3), por exemplo, recua 1,87%; Gerdau PN (GGBR4), Usiminas PNA (USIM5) e CSN ON (CSNA3) têm baixas de 3,85%, 4,68% e 2,96%, nesta ordem.
Mas o que aconteceu? Tudo, mais uma vez, está relacionado com a China, o principal consumidor global de minério de ferro.

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Minério de ferro caro = inflação
Valores elevados do minério de ferro implicam em reajustes cada vez maiores no preço do aço — um produto essencial para a economia chinesa e para a continuidade dos investimentos em infraestrutura do gigante asiático.
Esse efeito em cadeia traz pressão à economia do país: a inflação ao produtor (PPI) chegou a 6,5% em abril, superando as projeções dos analistas e cravando a maior alta em mais de três anos. Ou seja: as indústrias da China estão tendo que lidar com custos cada vez maiores.
Por enquanto, a inflação ao consumidor ainda não sentiu os impactos — o índice avançou 0,9%, ficando praticamente estável na virada de março para abril. Ainda assim, é de se esperar que a alta de preços ao produtor seja repassada num futuro próximo.
Esse cenário desencadeou uma série de movimentos por parte das autoridades chinesas nos últimos dias. O primeiro-ministro do país, Li Keqiang, falou publicamente sobre uma estabilização nos preços das commodities.
No lado do aço, o governo da província de Tangshan anunciou que fará inspeções nas usinas siderúrgicas — quem estiver estocando o produto para elevar artificialmente o preço terá a produção suspensa.
Essa preocupação demonstrada pela China não é exatamente uma surpresa. Analistas e especialistas com quem eu conversei ao longo da semana já diziam que a manutenção dos preços nos patamares acima de US$ 230 a tonelada parecia inviável, e que uma redução nas cotações deveria ser vista ao longo do ano.
Mas, mesmo se o minério de ferro seguir em baixa, o consenso é o de que o setor de mineração e siderurgia continuará com ótimas perspectivas na bolsa.
[captacao]
Vale segue brilhando
Apesar do mau desempenho de hoje, a confiança do mercado nas ações da Vale segue inabalada. A mineradora teve um primeiro trimestre excelente, com forte geração de caixa e lucro líquido recorde — a janela de oportunidade foi muito bem aproveitada pela empresa.
E, mesmo num cenário em que o minério de ferro passe por uma realização mais intensa — até o nível de US$ 150 a tonelada, digamos —, a commodity ainda permanecerá bem acima dos níveis históricos. É um ambiente menos benéfico para a Vale e as siderúrgicas, mas, ainda assim, bastante favorável.
Além disso, as ações da Vale apresentam múltiplos bastante baixos, tanto em relação à média histórica quanto na comparação com outros players relevantes do setor:
| Empresa | EV/Ebitda |
| Vale | 5,81 |
| Rio Tinto | 7,48 |
| BHP | 9,64 |
| Glencore | 11,51 |
Quanto às siderúrgicas, a percepção positiva também continua firme: a demanda doméstica por aço está bastante aquecida, puxada pelo bom momento da construção civil; os preços seguem altos — somente neste ano, as usinas reajustaram o aço em 35%.
Desde o começo do ano, as ações da Vale acumulam ganhos de 31,9%. Gerdau PN sobe 46,4%, CSN ON avança 52,5% e Usiminas PNA tem alta de 47%. O minério de ferro em Qingdao valoriza 30,6%.

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