Assustado com a conta de luz? Veja se vale a pena adotar energia solar em casa
Energia elétrica residencial ficou quase 20% mais cara só em 2021, e o brasileiro ainda encara risco de apagão e racionamento. Mas qual é a economia e em quanto tempo se paga a instalação de um sistema de geração de energia solar em casa?

Com a atual crise hídrica e a disparada na conta de luz, os brasileiros buscam formas de economizar, até porque não foi só a energia elétrica que ficou mais cara. Essa situação reacendeu o interesse por fontes alternativas para residências, como a energia solar.
As buscas pelo termo no Google inclusive deram um salto a partir de agosto, quando os primeiros efeitos dos reajustes mais recentes na conta de luz começaram a ser sentidos. A alta nos preços da energia elétrica residencial no país foi de 17,76% nos nove primeiros meses de 2021 e de 28,82% nos 12 meses terminados em setembro, segundo o IBGE.
Mas afinal, vale mesmo a pena instalar um sistema de geração de energia solar em casa? Bem, a resposta curta e grossa é de que sim, vale a pena, desde que a residência em questão tenha certas características e atenda a determinadas condições de consumo.
Aliás, quanto mais alta a tarifa de energia, mais vantajosa é a adoção da energia solar. Em períodos de escassez hídrica, como o que estamos vivendo, os custos de geração de energia ficam mais elevados, uma vez que as fontes alternativas adotadas, as termelétricas, são bem mais caras.
Esta matéria é a primeira de uma série de três reportagens sobre a adoção de energia solar em casa:
- Energia solar vale a pena? Com alta na conta de luz, veja se compensa instalar sistema em casa (você está aqui)
- Quer instalar energia solar em casa para economizar? Descubra se é para você
- Quanto custa adotar energia solar em casa? Fizemos as contas para você
Segundo o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), a crise hídrica deve aumentar em 255% o custo de geração de energia neste ano. Esse gasto extra é bancado pelas bandeiras tarifárias, que acionam valores adicionais à conta de luz.
Em junho entrou em vigor a bandeira vermelha - patamar 2, até então a de valor mais alto do sistema, que atualmente acrescenta R$ 9,49 à conta de luz para cada 100 kWh (quilowatts-hora) consumidos.
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Em setembro, entrou em vigor uma nova bandeira, ainda mais cara, a de escassez hídrica, que eleva este adicional para R$ 14,20. Esta bandeira deve permanecer em vigor até abril de 2022, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Economia de mais de 90% da conta de luz
A adoção de um sistema de energia solar em casa, seja para geração de eletricidade, seja para aquecimento de água, não é capaz de eliminar a conta de luz, uma vez que não é possível fugir da tarifa mínima, nem da taxa de iluminação pública, mas pode gerar uma imensa economia.
No caso da energia fotovoltaica, para geração de eletricidade a partir de painéis solares, há ainda uma pequena ineficiência tributária, relativa ao ICMS. Ainda assim, a redução na conta de luz, para quem instala um sistema fotovoltaico, pode ultrapassar os 90%.
A Holu, plataforma que permite orçar projetos de energia solar fotovoltaica com diversos fornecedores e fazer a contratação online, disponibiliza uma calculadora que ajuda a simular essa economia a partir do estado onde fica localizada a residência do usuário, o valor médio mensal da conta de luz e o sistema - se monofásico, bifásico ou trifásico.
Por exemplo, para uma conta média mensal de R$ 500, em uma residência com sistema bifásico no estado de São Paulo, o gasto com energia elétrica em 30 anos é estimado em R$ 552.471,54, e a economia atingida na conta de luz com um sistema fotovoltaico é de 92%.
Já para uma residência com sistema trifásico no estado do Rio de Janeiro e conta de R$ 700 por mês, o gasto de energia em 30 anos chega a R$ 773.460,16, e a economia na conta de luz com geração solar é estimada em 85%.
Já no caso do aquecimento solar de água, o gasto relativo a chuveiros elétricos e eventuais aquecedores elétricos de piscina é de fato eliminado da conta de luz. Segundo a Associação Brasileira de Energia Solar Térmica (Abrasol), o uso de chuveiro elétrico no horário de pico (das 17h às 21h) corresponde a até 37% do valor da conta.
Energia solar e casa é investimento de longo prazo
Porém, embora a economia já possa ser sentida imediatamente após a adoção da energia solar em casa, o investimento inicial é elevado e leva alguns anos para se pagar. Ou seja, a redução de gastos não compensa o valor investido imediatamente.
No caso dos equipamentos fotovoltaicos, o retorno do investimento se dá num prazo que varia de quatro a cinco anos, dependendo da região do país - basicamente, quanto mais alta a tarifa de energia de determinada localidade, mais rápido o investimento se paga.
“O Rio de Janeiro, por exemplo, tem uma tarifa de energia 50% mais alta que São Paulo. Já fizemos projetos para o Rio que se pagaram em dois anos”, diz Rodrigo Freire, CEO da Holu.
Percebe-se que, de fato, não se trata de um investimento de retorno rápido, mas ainda vale a pena quando se considera a vida útil dos equipamentos: os módulos duram de 25 a 30 anos, enquanto os inversores duram de 13 a 15 anos. “A rentabilidade anual é muito alta, podendo chegar a 30%, 40% ao ano”, diz Freire.
Além disso, hoje já existem linhas de financiamento para a aquisição de painéis solares. Embora os juros ainda sejam salgados, é possível fazer uma instalação sem qualquer desembolso inicial, apenas substituindo o valor da conta de luz pelas parcelas do financiamento, por um prazo geralmente inferior a dez anos - ou seja, ainda com um período de 15 a 20 anos pela frente de economia na conta de luz.
Já os aquecedores solares têm preço bem mais acessível e se pagam em um prazo de cerca de dois anos. No caso do aquecimento de piscina, é possível dizer que o retorno se dá em quatro meses, pois só a energia elétrica que seria gasta para aquecer uma piscina neste prazo já paga o equipamento e a instalação de aquecimento solar.
E se tiver um apagão?
Bem, um dos temores atuais dos brasileiros é a possibilidade de haver um apagão ou um racionamento de energia. Nesse caso, sistemas fotovoltaicos de geração de eletricidade ligados à rede de distribuição - modalidade mais comum no país - também seriam atingidos.
Segundo Rodrigo Freire, da Holu, em casos de interrupção do fornecimento de energia, os geradores de energia solar precisam seguir as regras da distribuidora. O mesmo acontece quando falta luz, até para que seja possível efetuar reparos na rede sem risco para os trabalhadores.
Já no caso dos aquecedores solares isso não acontece. Como eles são totalmente independentes da rede de distribuição, ao menos água quente o usuário continua tendo em caso de apagão, racionamento ou falta de energia.
Se você ficou interessado, na próxima reportagem eu explico com mais detalhe quais são os tipos de sistema de geração de energia solar e para quais perfis de residência e consumidor é vantajoso adotá-los. E no vídeo a seguir eu faço todo um resumo da questão. Aproveite para se inscrever no nosso canal de YouTube e compartilhar o vídeo com seus amigos e conhecidos que podem se beneficiar da instalação de painéis solares em casa.
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