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A fusão para a Localiza não apenas elimina (no bom sentido) a sua maior concorrente, como também coloca ao seu lado a equipe muito competente da Unidas
Nesta semana, apesar da derrocada da Bolsa, os acionistas da Localiza (RENT3) e da Unidas (LCAM3) foram agraciados com uma ótima notícia: a Superintendência-Geral do Cade deu sinal verde para a fusão entre as duas maiores companhias do setor de locação de veículos.
Mesmo sugerindo a adoção dos chamados "remédios" para evitar concentração excessiva no segmento de locação (Rent-a-Car), o mercado gostou da notícia e fez as ações dispararem no pregão da última quarta-feira (8), mesmo com o Ibovespa derretendo no dia.
Mas depois desse movimento, será que as ações ainda têm espaço para andar?
Primeiro, vamos tentar entender melhor o que a fusão significa para cada uma das companhias.
Durante muitos anos a Localiza foi o modelo a ser seguido no setor de locação de veículos no Brasil.
Mesmo com o PIB decepcionando em boa parte da década passada, a companhia manteve a rentabilidade muito maior do que a concorrência e isso permitiu a ela crescer mais, mais rápido e com financiamentos bem mais competitivos do que as outras companhias do setor.
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Mas essa diferença entre a competência da Localiza e as demais começou a diminuir nos últimos anos.
Não porque a Localiza piorou, mas porque as outras começaram a tentar replicar o seu modelo vencedor.
Em um mercado no qual a Localiza já estava atingindo uma participação extremamente elevada (mais de 40% no segmento de Rent-a-Car), a Unidas (LCAM3) começou a despontar como a principal ameaça para a sua hegemonia pensando em um prazo mais longo.

Sendo assim, a fusão para a Localiza não apenas elimina (no bom sentido) a sua maior concorrente, como também coloca ao seu lado uma equipe muito competente, que trouxe inovações importantes para o setor e que vem realizando um ótimo trabalho há vários anos.
Mas será que só a Localiza ganha?
Além de um prêmio de cerca de 13% sobre as cotações de suas ações na época da proposta e de eliminarem o risco de um confronto direto com a toda poderosa Localiza, a fusão oferece aos acionistas da Unidas uma vantagem fundamental no segmento para se dar bem no setor: a escala.
De maneira geral, o negócio de locação de veículos é composto por quatro etapas principais. O resultado de cada uma dessas etapas melhora conforme o tamanho da empresa.
As maiores conseguem:
Por ser a maior disparada do setor, a Localiza já era a companhia que mais se beneficiava dessas vantagens, que devem ficar ainda maiores depois da fusão. Já a Unidas, que estava começando a se aproveitar dos efeitos positivos da escala com seu crescimento recente, dá um grande salto após a combinação de negócios.

E mesmo com os tais "remédios" e a venda de parte da frota para evitar a concentração excessiva, a companhia resultante da fusão ainda será muito maior do que a Movida (MOVI3) e conseguirá manter todas essas vantagens estruturais sobre a maior concorrente.
Como você já deve imaginar, um dos grandes impulsos para o mercado de aluguel de veículos foi o aumento do número de motoristas de aplicativo (ride hailing) no Brasil e no mundo.
Mas não foi só isso. Várias empresas também estão substituindo seus veículos próprios pelos serviços de Gestão de Frotas, que também são oferecidos pela Localiza e pela Unidas. Além de não precisarem se preocupar com a aquisição, manutenção, IPVA, entre outras despesas, essas empresas ganham a flexibilidade de poder investir o dinheiro naquilo que importa.
Além de tudo isso, nos últimos anos temos observado uma mudança comportamental nas pessoas, principalmente entre as mais novas.
Na minha geração (e nas anteriores), o grande sonho de um jovem era poder ter um carro e "conquistar a liberdade" para passear ou viajar no momento que quisesse.
Nas gerações mais novas, essa necessidade mudou. A posse vem pouco a pouco dando lugar ao uso.

O dinheiro que antes era usado na compra do carro e nas infinitas prestações pagas ao banco, agora é utilizado em cursos, viagens e, apenas quando necessário, para alugar um veículo.
Outra tendência que tem ganhado força e deve se tornar uma avenida interessante de crescimento é o carro por assinatura (ou leasing), que garante aos clientes carros novos e livres de gastos de manutenção e impostos em troca de uma mensalidade.
Tudo isso em um mercado ainda fragmentado e que deve continuar se concentrando cada vez mais nas maiores companhias, dadas as vantagens de escala que já comentamos.
Por todos esses motivos gostamos das duas companhias. E, como já deu para perceber, gostamos ainda mais delas juntas.
Mas ao invés de apenas comprar as ações, no Flash Trader, minha série focada em opções, fazemos ainda melhor. Lá utilizamos RENT3 em vendas cobertas para aumentar a rentabilidade do investimento nas ações.
A ideia parece complicada, mas a execução é bem simples: compra ações e vende opções.
Com a ajuda dessas rendas extraordinárias com a venda das opções, já conseguimos alcançar uma rentabilidade de 11% com o nosso investimento em Localiza desde 19 de fevereiro.
À primeira vista, pode não parecer grande coisa, mas nesse mesmo período, quem apenas comprou as ações obteve um prejuízo de 9%, enquanto o Ibovespa caiu 4%.
Um outro exemplo interessante é o caso de Weg (WEGE3), outra ação que eu gosto muito e que está trazendo um retorno de 13% aos assinantes da minha série desde que começamos a fazer vendas cobertas com os papéis, no início de março. Nesse mesmo período, quem apenas comprou as ações está com um lucro de apenas 1%.
Moral da história: com essa estratégia é possível aumentar consideravelmente o retorno sobre as suas ações, desde que seja feito com boas companhias e em momentos de mercado propícios.
Se quiser conferir a série Flash Trader, que conta com essa e muitas outras estratégias utilizando opções, deixo aqui o convite.
Um grande abraço e até a próxima!
Ruy
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