IPCA + 8% e outros títulos ‘premium’: receba as melhores ofertas de renda fixa no seu WhatsApp

Matheus Spiess
Insights Assimétricos
Matheus Spiess
É economista e editor da Empiricus
Cotações por TradingView
2021-03-16T06:51:30-03:00
INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Com inflação ameaçando voltar, o que esperar da ‘Super Quarta’, com reuniões do Copom e do BC dos EUA?

No Brasil e nos EUA, inflação parece estar voltando, mas investidores estarão atentos a diferentes pontos das decisões do Copom e do Fomc

16 de março de 2021
6:51
Inflação
Imagem: Shuttertstock

Nos aproximamos mais uma vez do que o mercado costuma chamar de super quarta-feira. Em poucas palavras, nesta quarta, dia 17, teremos dois eventos muito importantes para nós brasileiros, ambos sobre política monetária.

O primeiro deles, mais importante para nossa dinâmica interna, é a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil.

O segundo, já sob uma lógica internacional, se trata do encontro do Comitê Federal de Mercado Aberto dos EUA (Fomc, na sigla em inglês), do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) – basicamente, o Copom americano.

Nos dois casos, os investidores estão bastante atentos, mas por motivos diferentes.

No caso brasileiro, a expectativa é de alta da taxa de juros, levando a Selic Meta dos atuais 2% para algo entre 2,25% e 2,75%. Isto é, a elevação da taxa deverá girar em torno de 25 a 75 pontos-base, a depender do tom do Banco Central.

Já nos EUA, o mercado espera manutenção da taxa de juros e do discurso flexível da autoridade monetária.

Nos dois países, porém, a inflação parece estar ameaçando voltar, ao menos no curto prazo. Para resumir, a característica principal do Banco Central é a de trabalhar no sentido de preservar o poder de compra da moeda. Nos EUA, soma-se a necessidade de máximo emprego também; ou seja, estabilidade de preços em máximo emprego.

Em solo americano, embora o hiato produto ainda esteja aberto – os americanos ainda consigam crescer ocupando capacidade ociosa –, o mercado teme que ele se feche rapidamente no contexto de um setor industrial em expansão, como vemos no gráfico abaixo.

Neste caso, com a normalização da situação no mundo e com a recuperação da economia, a próxima seria, em tese, a inflação.

A dúvida é: será uma inflação cíclica ou se tornará estrutural?

Como podemos ver acima, os gráficos de longo prazo sugerem que ele tem potencial para se tornar estrutural. No entanto, como o Banco Central americano persegue também um suposto "máximo emprego" e os EUA ainda enfrentam um desemprego acima de 6%, a autoridade monetária tem reforçado seu discurso permissivo para com a inflação de curto prazo, permitindo que ela ultrapasse a meta de 2%, chamando-a de temporária e não sustentada.

O mercado faz a conta

O mercado pondera a chance de o BC estar certo e dele estar errado (neste segundo caso, falamos que o BC ficou behind the curve, ou correndo atrás do próprio rabo).

A expectativa é de manutenção da taxa de juros nos EUA, mas o que importa mesmo é o discurso. Como Powell, na coletiva que sucede a decisão de política monetária, se posicionará sobre a inflação recente, sobre o nível de atividade e sobre o estresse na curva de juros do mercado de títulos.

É para isso que o mercado estará olhando.

Um discurso de continuidade ao tom flexível não deve mudar a dinâmica atual. Agora, se parecer que o Fed mudou o tom de seu discurso, o mercado pode realizar no curto prazo. É um foco de atenção importante.

Mas, afinal, e o Brasil?

Bem, aqui a situação é diferente. Nosso banco central está preso, sem muitas alternativas. Se observarmos a curva de contratos futuros para juros, como no gráfico abaixo, veremos que estes apontam para taxas em alta de 500 pontos-base ainda neste ano, o que explodiria as contas fiscais.

Porque esses são os problemas enfrentados pelo Brasil:

  • sem atividade, mas com inflação (possível cenário de estagflação já começou a ser desenhado por alguns economistas mais pessimistas);
  • câmbio descontrolado, acima de R$ 5,50; e
  • fiscal sem suporte, com equipe econômica fiscalista esvaziada e centrão com muito peso nas decisões.

Para controlar um pouco o câmbio e evitar o efeito de pass-through (inflação no Brasil por conta da alta do dólar), o Banco Central deveria subir um pouco os juros. Mas se ele faz isso, desestimula a economia, que tem dois dígitos de desempregados e não consegue engatar. Ao mesmo tempo, se jogar o juro para cima, compromete ainda mais o fiscal brasileiro, que já está em frangalhos.

Agora, se não fizer isso, o dólar continua descontrolado, a inflação continua a subir e a falta de previsibilidade afastará investimentos, tirando incentivos para o crescimento.

É uma faca de dois gumes.

Para evitar maiores problemas, o BC deverá adotar um tom adicionalmente gradual, evitando movimentos bruscos. Por isso, provavelmente, deveremos ter uma alta entre 25 e 50 pontos-base, para até 2,50% de Selic. Se ele gradualmente fizer o ajuste na curva de juros, poderá evitar um choque monetário muito traumático.

Por isso aguardo um tom tranquilo e ponderado de nossa autoridade. Por aqui, os mercados têm uma longa história de antecipar prematuramente aumentos do BCB e valorizar demais a Selic final.

Veja abaixo como o mercado costuma errar os movimentos do Bacen.

Nossa situação não é fácil, definitivamente.

Escolher investimentos neste ambiente é ainda mais difícil. Entendo que, no final, o melhor cavalo para o mundo segue sendo o de commodities, que captura bem o call de inflação e de retomada do crescimento mundial, além de não ser tão sensível à curva de juros como teses de tecnologia.

Tudo isso, claro, feito sob o devido dimensionamento das posições, conforme seu perfil de risco, e a devida diversificação de carteira, com as respectivas proteções associadas.

Felipe Miranda, estrategista-chefe da Empiricus, a maior casa de análise independente para o varejo da América Latina, costuma indicar para seus leitores os melhores movimentos inclusive para estes períodos mais complicados. Em sua série best-seller, Miranda compartilha suas melhores ideias de investimento para os diferentes perfis. Em um ambiente tão incerto como o de 2021, ler um especialista adequado é imperativo.

Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

Quem é a Pi

Uma plataforma de investimentos feita para ajudar a atingir seus objetivos por meio de uma experiência #simples, #segura, #acessível e #transparente.

CONTÁGIO DA FTX

Mais um ‘chapter 11’: BlockFi dá primeiro passo para pedir falência após FTX ampliar crise de liquidez do mercado de criptomoedas

28 de novembro de 2022 - 15:23

O chapter 11 é o primeiro passo para um pedido de recuperação judicial, quando um tribunal determina datas e exige um plano de reestruturação dos negócios

TEM ESPAÇO PARA CORTE?

Apesar da pressão com governo de transição, Itaú Asset vê espaço para queda nos juros em 2023

28 de novembro de 2022 - 15:19

Para Nicholas McCarthy, CIO da Itaú Asset, a queda do barril de petróleo deve deixar as expectativas de inflação controladas e possibilidade de corte na Selic ainda existe

SEU DINHEIRO NA COPA

Não foi um chocolate: vitória magra contra a Suíça na Copa mantém Brasil como favorito entre apostadores; saiba quanto a seleção está pagando agora

28 de novembro de 2022 - 15:10

Com uma vitória de 1 x 0, a seleção de Tite garantiu a classificação para as oitavas-de-final e se manteve como a mais cotada para levar o caneco para casa, segundo o agregador de sites de apostas Oddspedia

Governança

Banco do Brasil (BBAS3) está ‘blindado’ contra interferência de Lula? Banco diz a investidores que estatutos suportam quaisquer mudanças na diretoria

28 de novembro de 2022 - 13:00

Lula disse durante a sua campanha eleitoral que iria “enquadrar” o Banco do Brasil

ESTÁGIO E TRAINEE

Grupo Volvo, XP e Raízen estão com vagas abertas para estágio e jovem aprendiz; veja oportunidades com bolsas-auxílio de até R$ 2,9 mil

28 de novembro de 2022 - 12:45

As empresas aceitam candidaturas de estudantes e recém-formados, em diversos cursos; o início está previsto entre janeiro e março de 2023

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies