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Lá fora, os mercados asiáticos sobem com entusiasmo derivado da possibilidade de fusão no mercado de semicondutores. A Europa acompanha o bom humor, depois de já ter entregado bons resultados ontem (14) com o otimismo global. O mesmo pode ser dito dos futuros americanos, que também sobem nesta manhã
Bom dia, pessoal!
Lá fora, os mercados asiáticos sobem com entusiasmo derivado da possibilidade de fusão no mercado de semicondutores. As ações da maior fabricante de chips do mundo, a Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (ou apenas TSMC para os íntimos), subiram mais de 4% depois que seu CEO confirmou relatos de que planeja abrir uma joint venture no oeste do Japão com a Sony Corp.
Diante da escassez de semicondutores, a união nos parece adequada para o longo prazo. Os bons resultados da companhia estimularam uma alta no resto da região. A Europa acompanha o bom humor, depois de já ter entregado bons resultados ontem (14) com o otimismo global. O mesmo pode ser dito dos futuros americanos, que também sobem nesta manhã.
A ver...
Assim como foi temido para a China no pregão de quinta-feira (14), o Brasil flerta hoje com a perspectiva de estagflação, à medida que temos dados de inflação e de atividade para colhermos hoje. Pelo menos, as expectativas para o IGP-10, a ser divulgado nesta manhã, são de deflação no mês de outubro até agora (prévia) – fato que ajuda a mitigar esta preocupação, mas não esvazia os receios de inflação.
Nesta semana, vale lembrar, o Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou negativamente as projeções de crescimento para o Brasil, apesar de ter melhorado as estimativas das contas públicas brasileiras de forma expressiva ante o estimado em abril – o país pode registrar superávit primário em 2024, melhor do que o ano de 2026 anteriormente previsto.
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Sobre o crescimento, vale acompanhar hoje o IBC-Br de agosto, que também deve desacelerar. Já em relação ao fiscal, as secretarias estaduais da Fazenda temem o efeito do novo ICMS para combustíveis aprovado nesta semana, que poderá ter um impacto de R$ 24 bilhões para as finanças estaduais e de R$ 6 bilhões para os municípios. As duas discussões se dão em meio aos esforços do BC para estabilizar o câmbio, evitando que ele se converta em mais inflação.
As ações americanas tiveram um bom desempenho na quinta-feira (14), com o S&P 500 entregando seu maior ganho em um dia desde a primeira semana de março – os 11 setores do índice fecharam pelo menos 1% acima ontem. Enquanto isso, o Dow Jones Industrial Average fechou apenas 2% abaixo de seu recorde histórico de meados de agosto, e o Nasdaq teve seu maior ganho em um dia desde maio, tendo subido quase 2,5% em apenas dois dias.
Apesar da força positiva recente, a alta parece continuar. Os fatores que motivam tal movimento são: i) dados econômicos robustos, como o menor patamar de pedidos de auxílio-desemprego semanais desde o início da pandemia; ii) inflação ao produtor mais fraca do que o esperado, o que alivia a pressão sobre os juros dos títulos do Tesouro; e iii) continuidade da temporada de resultados em níveis de entrega satisfatórios por parte dos grandes bancos.
Para hoje, mais resultados são aguardados de nomes pesados, como Goldman Sachs. Além disso, dados de vendas no varejo e o índice Empire State de atividade estão previstos para serem apresentados. Sobre o primeiro, os gastos do consumidor devem cair 0,1% em relação a agosto, para US$ 618 bilhões. Excluindo automóveis, as vendas no varejo devem aumentar 0,6% na comparação mensal, o que seria uma desaceleração frente ao 1,8% anterior.
Agora é um fato que a Índia está à beira de uma crise de energia, em linha com o que tem acontecido com o mundo – vale conferir o vídeo produzido pela Empiricus sobre o tema. Só neste mês, 80% das 135 usinas movidas a carvão da Índia tinham menos de oito dias de abastecimento de carvão e mais de 50% das usinas tinham dois dias de combustível restantes – a média de quatro anos de estoque de carvão foi de pouco mais de duas semanas.
Ou seja, a escassez de carvão deixou as redes de energia com o pior déficit em anos, em linha com o que tem acontecido com a China e a Europa. Veja, muitas questões surgiram nas últimas semanas sobre o ritmo da transição energética à medida que uma crise de energia toma forma em todo o mundo. Todos parecem concordar que o mundo não está gastando o suficiente com as necessidades futuras de energia.
Neste contexto, há um risco iminente de mais turbulência para os mercados globais de energia. Os gastos com petróleo e gás natural foram reduzidos por colapsos de preços entre 2014 e 2015 e novamente em 2020. Se o lado da oferta se afastar do petróleo ou gás antes de os consumidores globais o fazerem, o mundo poderá enfrentar períodos de aperto e volatilidade do mercado.
Aqui, o grande destaque está na divulgação do Banco Central do IBC-Br, considerado como a prévia do PIB, do mês de agosto, enquanto o mercado aguarda desdobramentos novos de Brasília sobre a sequência das discussões fiscais (ontem, a falta de mobilidade neste sentido fez pressão sobre ativos de risco nacionais à medida que a percepção se deteriorava novamente).
Lá fora, além da temporada de resultados nos EUA e vendas no varejo americano, a Universidade de Michigan divulga seu índice de confiança do consumidor para outubro de amanhã, que deve entregar um patamar de 74,8, dois pontos a mais do que os números de setembro.
Apesar da leve correção ontem contra pares globais (medida pelo Dollar Index, ou DXY), o dólar americano continua a se beneficiar de ventos favoráveis – da mínima em 12 meses, o DXY já subiu mais de 5%. O movimento foi ajudado por uma corrida para a qualidade realizada em nível global nos últimos meses e mais recentemente reforçado com o temor fiscal norte-americano (a questão do teto da dívida) e a crise energética global, além da questão envolvendo a incorporadora chinesa Evergrande.
Nos próximos meses, a maior parte do mercado ainda enxerga tendências favoráveis à moeda americana – não confundir exclusivamente com o movimento contra o real, no qual a força do dólar do mundo (DXY) exerce influência, mas não é a única variável impactante.
Isso porque a recente alta nos rendimentos dos EUA parece destinada a continuar para algo entre a faixa de 1,75% e 2,25% para os juros dos títulos com vencimento em 10 anos, ampliando o prêmio do dólar sobre o euro, o franco suíço e o iene, cujos bancos centrais estão mais longe de políticas mais rígidas.
Além disso, com a desaceleração do crescimento global a partir do segundo semestre deste ano e do início do ano que vem, enxerga-se um enfraquecimento dos pares mais cíclicos do dólar, como o euro e o franco suíço. Sem falar nos aumentos dos preços da energia, que beneficiam os EUA como exportador líquido de combustível, em comparação com importadores líquidos, como a Ásia e grande parte da Europa.
Assim, no curto prazo, deveremos continuar a vendo um dólar forte no mundo, o que dificulta a estabilidade cambial brasileira e, consequentemente, poderá gerar mais inflação, forçando o Banco Central a subir mais a taxa de juros e prejudicar ainda mais o crescimento para o ano que vem.
Um abraço.
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