Como fica a XP após a separação do Itaú? Para o JP Morgan, é hora de comprar as ações da corretora
A equipe do JP Morgan vê as pressões vendedoras nas ações da XP após a separação com o Itaú se dissipando; assim, a recomendação é de compra

Comprar ou vender ações é uma decisão que, em grande parte, leva em conta os riscos associados a uma empresa. Por exemplo: o JP Morgan acredita que, hoje, o panorama de investimentos na XP é menos arriscado do que nas últimas semanas — e, com base nessa avaliação, passou a recomendar a compra dos ativos da corretora na Nasdaq.
Não houve mudança no preço-alvo para as ações da XP no mercado americano: o JP Morgan manteve o patamar de US$ 50, o que representa um potencial de alta de 36,2% em relação ao fechamento da última sexta-feira (15), a US$ 36,71. Na B3, os BDRs da XP (XPBR31) valem R$ 200,00.
"Nós vemos fundamentos muito fortes — o que dá suporte ao bom momento dos resultados financeiros", escreve a equipe do JP Morgan. No lado dos riscos, os analistas destacam que a pressão vendedora surgida após a cisão do Itaú está se dissipando, o que reduz uma das principais preocupações dos investidores.
O receio dos acionistas da XP era justificável: a fatia de cerca de 40% detida pelo Itaú foi totalmente separada da estrutura do banco; com isso, movimentos de venda de grandes blocos de ativos da XP poderiam ser disparados — e o aumento na oferta causaria uma queda nas cotações.
E, de fato, essa pressão vendedora foi vista nos últimos dias. Na Nasdaq, as ações da XP estavam na casa de US$ 42 no começo do mês, recuando até US$ 34 na última quinta (14); na B3, os BDRs XPBR31 saíram do patamar de R$ 223 para níveis abaixo de R$ 190 ao longo da semana passada.
Para o JP Morgan, grande parte desses vendedores já ajustou suas posições — e, sendo assim, o que resta são os fundamentos sólidos da XP e seus níveis de valuation bastante atrativos. O banco estima que a relação entre preço e lucro por ação para 2022 esteja ao redor de 26 vezes, o menor nível da série histórica e um desconto de cerca de 50% em relação à média histórica para os ativos.
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E de onde vem todo o apelo da XP?
Bem, vamos voltar um pouco no tempo: a empresa emergiu como uma alternativa aos grandes bancos, atraindo investidores que estavam particularmente interessados no mercado de ações — as taxas de juros no Brasil, afinal, passaram por uma forte baixa entre 2018 e 2020, comprimindo o rendimento dos títulos do governo.
Dito isso, estamos hoje numa tendência contrária de política monetária: o Banco Central tem elevado a Selic num ritmo relativamente elevado — a taxa básica de juros, que estava em 2% ao ano no começo do ano, já chegou a 6,25% e tende a continuar avançando —, o que inverte a lógica recente. Títulos de renda fixa voltam a ficar atrativos, enquanto as ações perdem o brilho.
Mas, para o JP Morgan, esse novo cenário não deve reduzir o apelo da XP — o banco acredita que os investidores buscam a empresa para um conjunto de produtos financeiros, e não apenas ações. "Apesar de a Selic em alta aumentar a demanda por instrumentos de renda fixa, a plataforma da XP acumulou uma experiência positiva suficiente para que os investidores continuem a usá-la para ajustar seus portfólios".
Os analistas ainda lembram que, hoje, as ações representam cerca de 15% dos ativos sob custódia no Brasil — um nível que ainda está bastante abaixo do pico visto em 2007, de aproximadamente 22%.
XP versus bancões: briga em andamento
O JP Morgan ainda destaca que o movimento de fuga dos bancões continua em andamento. "A participação dos bancos no total de ativos sob custódia era de cerca de 65% em 2020; a tendência em direção às assets segue valendo", escrevem os analistas.
Para o JP, a guerra dos escritórios independentes entre as plataformas aumentou a consciência dos investidores quanto às opções de produtos. Dito isso, os analistas ponderam que a XP continua ganhando tração com os clientes que são atendidos diretamente por sua equipe. "Estimamos que 50% dos ativos sob custódia venham de vendas diretas, um dado que, frequentemente, é pouco levado em conta pelos investidores".
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