Menu
2020-09-06T08:50:55-03:00
Estadão Conteúdo
Casa Verde e Amarela

Marinho diz não ter como dar subsídio de 90% a moradia popular

Faixa 1 só contará com novas unidades se Parlamento decidir que há recurso, diz ministro.

6 de setembro de 2020
8:50
Carolina Antunes/PR
(Brasília - DF, 30/07/2019) Ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho. -

O ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, afirma que não há dinheiro para o governo contratar novas habitações para famílias que recebem até R$ 1,8 mil mensais nos moldes do antigo Minha Casa Minha Vida. A chamada faixa 1 do programa - agora substituído pelo Casa Verde e Amarela - concedia subsídios de até 90% do valor do imóvel, com parcelas fixas de no máximo R$ 270.

"Para fazer novos empreendimentos no faixa 1, tem de ter orçamento. Só terão novas (casas) se o Parlamento decidir que há recurso para isso", disse Marinho ao Estadão/Broadcast. Ele afirmou que o governo vai entregar as 200 mil unidades que ainda estão programadas para esse público. Mas, por ora, não há previsão de novas contratações.

Por outro lado, Marinho alega que a redução da taxa de juros vai permitir que mais 1,2 milhão de famílias sejam incorporadas ao novo programa. Lançado por meio de uma medida provisória, o Casa Verde e Amarela prevê o financiamento de imóveis para famílias que recebam até R$ 7 mil mensais, com taxas de juros diferentes para cada um dos quatro grupos de renda.

Em tese, o "grupo 1" do Casa Verde e Amarela absorveria o público-alvo da antiga "faixa 1" do Minha Casa, por ser direcionado a famílias que ganham até R$ 2 mil por mês.



Mas as semelhanças param por aí. No novo programa, os mutuários terão de pagar juros a partir de 4,25% ao ano. Já quem fechou um contrato pela antiga faixa 1 nem chegou a pagar juros, além de ter recebido subsídio de até 90% do valor do imóvel. O cadastro obedecia seleção feita pelas prefeituras, seguindo critérios do governo federal.

O governo Bolsonaro ainda não divulgou quais serão os subsídios concedidos no novo programa. O que se sabe, até o momento, é que o benefício vai chegar somente às famílias que ganham até R$ 4 mil mensais. Como os valores vão ficar de fora do texto da lei, nada impede que o governo volte a contratar, no futuro, casas com as benesses que existiam no faixa 1, dizem integrantes da pasta.

O governo vem sofrendo com o cenário de restrição fiscal há anos, e o Minha Casa Minha Vida exemplifica o problema. Segundo o Ministério do Desenvolvimento Regional, as duas últimas portarias que selecionaram propostas para aquisição de imóveis com recursos do Fundo de Arrendamento Residencial (FAR) - que bancavam o faixa 1 - foram publicadas em setembro de 2018.

"Uma das dimensões do problema é o reconhecimento de que não há como subsidiar mais o antigo faixa 1. Ele existia só no papel. A faixa 1 dependia fortemente de subsídios e, com a crise fiscal, isso não é possível", diz o professor Robson Gonçalves, da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Levantamento da Abrainc, entidade que reúne as incorporadoras, em parceria com a FGV, aponta que o déficit de moradias cresceu 7% em dez anos, de 2007 a 2017, tendo atingido 7,78 milhões de unidades.

Para Marinho, o novo programa tem um viés "extremamente ambicioso". O ministro destacou que o Casa Verde e Amarela permite que os beneficiários do faixa 1 possam renegociar parcelas, o que antes era proibido pela lei. A inadimplência no grupo beira 40%. Segundo ele, isso vai possibilitar que mais de 500 mil famílias regularizem sua situação. Antes, quando o mutuário não conseguia pagar, o governo podia tomar o imóvel.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

Que pi… é essa?

Eu decidi sair do banco, mas não queria entrar em uma enrascada. Bem, acredito que eu tenha encontrado um portal para fugir dessa Caverna do Dragão das finanças. E cá estou para explicar essa descoberta.

fusões e aquisições

Hering dispara 25% após proposta de fusão da Arezzo. Estamos diante do nascimento de uma estrela?

Oferta foi recusada num primeiro momento, mas mercado espera que conversas possam seguir adiante, de olho na formação de nome forte no varejo

Anote na agenda

B3 atualiza metodologia sobre vencimento de opções a partir de maio; confira o que muda

Especialistas do mercado afirmam que essa mudança é positiva para o mercado brasileiro por se aproximar do modelo do exterior

Tem cupom pra isso?

Ações da Méliuz sobem após lançamento de plataforma de empréstimos online

A companhia, que desde 2019 oferece um cartão de crédito sem anuidade e com cashback, vem ampliando a gama de serviços financeiros

MERCADOS HOJE

Instabilidade atinge o Ibovespa e bolsa descola de NY ao zerar alta; dólar recua

Exterior positivo traz fôlego aos negócios locais, mas problemas em Brasília persistem

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies