Menu
2020-04-28T07:10:52-03:00
Estadão Conteúdo
após saída do ministro

Celso de Mello determina abertura de inquérito para apurar declarações de Moro

Objetivo é apurar se foram cometidos os crimes de falsidade ideológica, coação no curso do processo, advocacia administrativa, prevaricação, entre outros

28 de abril de 2020
7:10
Celso de Melo
Imagem: Ed Ferreira/Estadão Conteúdo

O decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Celso de Mello, decidiu nesta segunda-feira, 27, autorizar a abertura de um inquérito para investigar as declarações do ex-ministro da Justiça Sérgio Moro contra o presidente Jair Bolsonaro. A decisão de Celso de Mello atende ao pedido do procurador-geral da República, Augusto Aras.

O objetivo é apurar se foram cometidos os crimes de falsidade ideológica, coação no curso do processo, advocacia administrativa, prevaricação, obstrução de Justiça, corrupção passiva privilegiada, denunciação caluniosa e crime contra a honra.

Integrantes do Ministério Público Federal (MPF) apontam que, como Aras pediu ao STF a apuração do crime de denunciação caluniosa e contra a honra, o inquérito pode se voltar contra Moro, caso as investigações não confirmem as acusações.

Segundo apuração do Estadão/Broadcast, além de troca de mensagens, o ex-ministro da Justiça possui áudios que devem ser entregues aos investigadores.

Desde que Bolsonaro subiu a rampa do Planalto, o decano se converteu em uma das vozes mais críticas dentro da Corte aos excessos cometidos pelo chefe do Executivo. Celso já disse que o presidente "transgride" a separação entre os Poderes, "minimiza perigosamente" a Constituição e não está "à altura do altíssimo cargo que exerce". "Ninguém, absolutamente ninguém, está acima da autoridade suprema da Constituição da República", afirmou o ministro em agosto do ano passado.

Interferência

Ao anunciar a saída do cargo na sexta-feira, Moro acusou Bolsonaro de tentar interferir politicamente no comando da Polícia Federal para obter acesso a informações sigilosas e relatórios de inteligência. "O presidente me quer fora do cargo", disse Moro, ao deixar claro que a saída foi motivada por decisão de Bolsonaro.

Moro falou com a imprensa após Bolsonaro formalizar o desligamento de Maurício Valeixo do cargo de diretor-geral da Polícia Federal - o ministro frisou que não assinou a exoneração do colega. Segundo Moro, embora o documento de exoneração conste que Valeixo saiu do cargo "a pedido", o diretor-geral não queria deixar o cargo. O próprio Moro, que aparece assinando a exoneração, afirmou que foi pego de surpresa pelo ato e negou que o tenha assinado. "Fiquei sabendo pelo Diário Oficial, não assinei esse decreto", disse o ministro, que considerou o ato "ofensivo". Na visão dele, a demissão de Valeixo de forma "precipitada" foi uma sinalização de que Bolsonaro queria a sua saída do governo.

"O presidente me disse que queria ter uma pessoa do contato pessoal dele, que ele pudesse colher informações, relatórios de inteligência, seja diretor, superintendente, e realmente não é o papel da Polícia Federal prestar esse tipo de informação. As investigações têm de ser preservadas. Imagina se na Lava Jato, um ministro ou então a presidente Dilma ou o ex-presidente (Lula) ficassem ligando para o superintendente em Curitiba para colher informações", disse Moro, ao comentar as pressões de Bolsonaro para a troca no comando da PF.

Comentários
Leia também
DINHEIRO QUE PINGA NA SUA CONTA

Uma renda fixa pra chamar de sua

Dá para ter acesso a produtos melhores do que encontro no meu banco? (Spoiler: sim).

Mudanças

Governo estudará como zerar imposto sobre diesel de forma definitiva, diz Bolsonaro

O governo também vai cortar benefícios dados a pessoas com deficiência na aquisição de veículos e extinguir o Reiq, que concede incentivos para o setor.

calma, gente

XP considera exagerada reação do mercado à alta de impostos sobre bancos

Analistas ponderam impacto que alta do tributo terá no lucro e no valuation e mantêm recomendação de compra para Bradesco e BB

Exile on Wall Street

O Brasil do Doutor Castor

Castor de Andrade foi talvez o mais famoso bicheiro brasileiro. Tinha, quase literalmente, um exército trabalhando para si. Chegou a contar com mais de cem policiais a seu dispor, além de vários servidores públicos, políticos proeminentes e juízes sob sua influência. Apareceu na posição de segundo homem mais rico do Brasil no meio da década […]

MERCADOS HOJE

Dólar bate R$ 5,71 mesmo após duas intervenções do BC; bolsa recua 1,4%

As bolsas pelo mundo operam em movimento de realização de ganhos, o que é uma péssima notícia para o Brasil, que também tem que lidar com os próprios demônios

preparando para batalha

Dasa vai atrás de recursos para competir com Rede D’Or, Hapvida e Notre Dame Intermédica

Grupo de medicina diagnóstica da família fundadora da Amil segue com planos para fazer re-IPO, em meio à consolidação do mercado de saúde

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies