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Não é tudo isso

Bolsonaro diz que há ‘superdimensionamento’ em relação ao coronavírus

Presidente de novo descumpriu orientação de ficar em quarentena após ter contato com pessoa infectada por coronavírus e deixou o Palácio da Alvorada nesta manhã

Jair Bolsonaro pronunciamento coronavírus
Imagem: Reprodução

O presidente Jair Bolsonaro voltou a descumprir a orientação de ficar em quarentena após ter contato com uma pessoa infectada por coronavírus e deixou o Palácio da Alvorada na manhã desta segunda-feira, 16. Ao deixar a residência oficial em direção ao Palácio do Planalto, seu local de trabalho, ele voltou a minimizar a pandemia da doença, que já matou 5.735 pessoas no mundo.

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"Foi surpreendente o que aconteceu na rua até com esse superdimensionamento. Que vai ter problema vai ter, quem é idoso, (quem) está com problema, (quem tem) alguma deficiência, mas não é tudo isso que dizem. Até que a China já praticamente está acabando", afirmou o presidente, que no domingo (15) participou de manifestação em Brasília, contrariando recomendação do próprio Ministério da Saúde. Em entrevista concedida à Rádio Bandeirantes nesta segunda, Bolsonaro disse estar se sentindo "muitíssimo bem" e que realizará novo exame na terça-feira, 17.

Ele deixou o isolamento que deveria fazer por ter tido contato com pelo menos 11 pessoas que estão infectadas. Análise feita pelo jornal O Estado de S. Paulo do vídeo da participação de Bolsonaro mostra que ele teve contato físico com 272 pessoas em cerca de 58 minutos.

Ao deixar o Alvorada na manhã desta segunda-feira, Bolsonaro disse que não apertaria a mão dos apoiadores que se aglomeravam em uma área cercada na entrada do palácio, mas pediu a eles que se aproximassem. "Vou evitar apertar a mão aí de vocês. Chega mais para a gente conversar. Obrigado pela presença. Alguma coisa aí?", questionou, esperando perguntas do grupo.

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Na China, origem da disseminação do coronavírus no mundo, já foram confirmados 81.048 casos de contaminação, com registro de 3.204 mortes. O avanço da doença está diminuindo, ontem, foram registrados apenas 27 casos novos da doença, segundo dados divulgados pela OMS. A taxa de letalidade somente na China é de 3,95%, ante uma taxa de 3,74% no mundo.

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Enquanto na China há uma redução do número de novos casos, na Itália, já chegam a 21.157 doentes com o novo coronavírus e 1.441 mortes, o que dá uma taxa de letalidade de 6,81%.

No Brasil, são 200 casos confirmados que estão distribuídos por 14 Estados e o Distrito Federal, a maioria em São Paulo. O País tem 1.915 casos suspeitos e 1.470 análises foram descartadas.

Manifestações

Além das críticas por desrespeito às diretrizes de combate a uma doença que se espalhou mundialmente, Bolsonaro também foi atacado por ter participado de manifestações que atacam o Parlamento. Enquanto o presidente cumprimentava simpatizantes em frente ao Palácio do Planalto, manifestantes gritavam "Fora Maia", em referência ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Um deles chegou a pedir que o Bolsonaro fechasse o Congresso. Era possível ouvir também ouvir gritos contra o presidente do STF, Dias Toffoli.

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Na conversa com os apoiadores hoje pela manhã, o presidente criticou a imprensa por ter noticiado que ele participou do ato em Brasília ao lado de cartazes que defendiam o fechamento do Congresso. "Essa imprensa mentirosa aí, capas dos jornais dizendo que eu tô falando para fechar o Congresso. Eu nunca falei isso. Nada, nada. Tudo é mentira."

Resposta a Maia

Bolsonaro reagiu às críticas feitas pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), após o chefe do Planalto ter participado das manifestações pró-governo no domingo. Bolsonaro foi ao ato, apesar da orientação do Ministério da Saúde para evitar aglomerações de pessoas e da orientação de médicos e auxiliares.

O presidente da Câmara classificou a atitude como um "atentado à saúde pública". Em resposta, Bolsonaro declarou ter sofrido um "ataque frontal" de Rodrigo Maia. E ainda lembrou que o parlamentar, assim como o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), participou de evento no Parque do Ibirapuera com 1,3 mil pessoas.

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"Maia me chamou de irresponsável, fez um ataque frontal. Nunca tratei ele dessa maneira. É um jogo. Desgastar, desgastar, desgastar. Tem gente que está em campanha até hoje para 2022, dando pancada em mim o tempo todo", declarou Bolsonaro em entrevista à Rádio Bandeirantes.

"O (ministro da Saúde, Luiz Henrique) Mandetta esteve em São Paulo com o governador Doria e depois que terminou a entrevista o Doria começa a descer o cacete no governo. A elite política se reuniu em 1,3 mil pessoas na oca do Parque Ibirapuera e eu não posso chegar perto das pessoas na rua."

O presidente da República relatou ainda ter conversado com Rodrigo Maia e dado a receita para o presidente da Câmara reduzir as críticas que recebe. De acordo com Bolsonaro, o parlamentar precisaria começar a trabalhar por pautas que interessam ao conjunto do povo brasileiro. No domingo, Maia foi um dos alvos dos manifestantes.

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