Menu
Dados da Bolsa por TradingView
2020-02-06T15:28:58-03:00
Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril.
Que horas ele volta?

Recuperação do grau de investimento chegou a levar dez anos em países similares ao Brasil

Segundo Shelly Shetty, diretora sênior da agência Fitch, esse foi o prazo para Uruguai e Colômbia; retorno do grau de investimento depende de avanço e profundidade das reformas, bem como de estabilização da dívida pública

6 de fevereiro de 2020
15:28
Fachada da Fitch Ratings
Imagem: Shutterstock

Afinal, quando o Brasil vai recuperar seu grau de investimento? Será que já não era hora, já que estamos em trajetória de crescimento e aprovamos a reforma da Previdência?

Para o investidor brasileiro, recobrar o selo de bom pagador pode tornar o país atrativo para investimentos internacionais, alavancando ainda mais os ativos locais.

Mas, segundo a diretora sênior e co-head de ratings soberanos das Américas da agência Fitch, Shelly Shetty, pode ser que a gente precise esperar sentado.

Em conferência nesta quinta-feira (6), Shetty disse que o prazo médio para um país recuperar o grau de investimento após perdê-lo é de seis anos, mas que países com histórico parecido com do Brasil, como Uruguai e Colômbia, chegaram a levar dez anos.

O Brasil perdeu o selo de bom pagador conferido pela Fitch em dezembro de 2015. Atualmente, a classificação de risco do Brasil pela agência é BB- com perspectiva estável, dois degraus abaixo do grau de investimento (BBB-). Assim, se repetirmos os passos dos nossos vizinhos, só em 2025.

É claro que, para recuperar o grau de investimento, o Brasil tem que continuar fazendo o dever de casa. E embora estejamos num bom caminho, para a Fitch há ainda importantes desafios que precisamos endereçar.

Crescimento insuficiente

Shetty destacou que o Brasil vai bem nas finanças externas, que o governo está na direção certa (no sentido das reformas) e que de fato a economia parece estar dando sinais de recuperação. A Fitch espera um crescimento em torno de 2% para o Brasil neste ano, talvez um pouco abaixo.

Além disso, a inflação baixa e a reforma da Previdência são boas notícias, bem como a queda nos juros, que barateou a dívida pública. A estrutura da dívida também melhorou, com pouca dívida em moeda estrangeira e prazos não muito longos, o que permite, por enquanto, refinanciamento a taxas menores.

A executiva da Fitch elencou, no entanto, os pontos que ainda “pegam” para o Brasil, e o que o país ainda precisa mostrar para voltar a ter o selo de bom pagador.

  • Crescimento: apesar da retomada da economia, o potencial de crescimento do Brasil ainda é baixo. É menor do que o de outros emergentes, então precisamos começar a mostrar serviço nessa área;
  • Reformas: apenas continuar aprovando reformas - como a tributária e a autonomia do Banco Central - não é suficiente; é preciso também que elas sejam suficientemente abrangentes e profundas;
  • Dívida pública: apesar de estar mais controlada, a dívida pública ainda está elevada e em crescimento. Segundo Shetty, a dívida precisa pelo menos se estabilizar no médio prazo;
  • Governabilidade: a Fitch considera a governabilidade do Brasil baixa por conta do Congresso muito fragmentado, o que teria potencial de atrapalhar o andamento das reformas;
  • Gastos: o governo ainda trabalha com perspectiva de déficit fiscal até 2022, o que demonstra que não está sendo “agressivo” no controle de gastos, diz Shetty. O orçamento público também é muito engessado, como excesso de gastos obrigatórios e aperto nos gastos discricionários (não obrigatórios e que abarcam o investimento, elemento essencial para o crescimento). Seria necessário haver reformas também nesta parte.

“O Brasil tem um perfil externo muito bom, mas um perfil fiscal muito fraco”, concluiu a executiva da Fitch.

Comentários
Leia também
Um self service diferente

Como ganhar uma ‘gorjeta’ da sua corretora

A Pi devolve o valor economizado com comissões de autônomos na forma de Pontos Pi. Você pode trocar pelo que quiser, inclusive, dinheiro

Quem quer dinheiro?

Gerdau (GGBR4) anuncia R$ 2,7 bilhões em dividendos e JCP e ainda dá tempo de garantir o dinheiro na conta

O pagamento dos proventos, que também inclui os acionistas da Metalúrgica Gerdau, tomará como base a posição acionária em 5 de novembro

Forte como sempre

Na Weg (WEGE3), a história se repete: o terceiro trimestre superou (mais uma vez) as expectativas

A Weg (WEGE3) mostrou um crescimento de quase 30% na receita líquida; o bom desempenho do mercado doméstico deu força aos resultados

Um pé lá, outro cá

Agora é oficial: Nubank pede registro para IPO duplo nos Estados Unidos e Brasil com oferta de BDRs na B3

O banco digital optou por listar seus papéis em uma bolsa norte-americana, mas, simultaneamente, também fará uma oferta de recibos de ações por aqui

COLUNA DO JOJO

Bolsa hoje: sim, tudo continua ficando mais caro

No Brasil, o IBGE divulga o resultado do desemprego no último trimestre, encerrado em agosto, e o Tesouro Nacional divulga o resultado das contas do governo central de setembro, bem como o Relatório Mensal da Dívida de setembro. O grande destaque do dia, porém, em paralelo à temporada de resultados, é a decisão sobre a Selic, a partir das 18h30

MERCADOS HOJE

Balanços animam negócios mas Ibovespa desacelera alta com a proximidade da decisão do Copom e dólar opera próximo à estabilidade

Além da inflação acima do esperado, o mercado de trabalho brasileiro mostrou uma recuperação mais lenta do que a projetada, o que também pesa sobre o Ibovespa

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies