Menu
2020-03-09T09:40:40-03:00
Seu Dinheiro
Seu Dinheiro
entrevista

‘Nunca estive em um período de tanta ansiedade como agora’, diz conselheiro de famílias ricas

Prestes a lançar livro no Brasil, Charles A. Lowenhaupt avalia que o momento vivido pelos investidores atualmente chega a ser pior que a crise de 2008

9 de março de 2020
9:39 - atualizado às 9:40
Olhos em notas de dinheiro
Imagem: Shutterstock

Conselheiro de investimentos e sucessão patrimonial para famílias muito ricas ao redor do mundo, Charles A. Lowenhaupt avalia que o momento vivido pelos investidores atualmente chega a ser pior que a crise de 2008. "Estou neste ramo há 40 anos e nunca estive em um período de tanta ansiedade", afirma. Ele é o presidente da Lowenhaupt Global Advisor, um family office americano, além de sócio do Lowenhaupt & Chasnoff, que diz ser o primeiro escritório de advocacia dos Estados Unidos a focar seu trabalho em tributação - o escritório foi fundado por seu avô, em 1908.

Lowenhaupt afirma que, em um momento como o atual, os investidores devem organizar seu portfólio para suportar melhor a volatilidade. Neste mês, ele lança no Brasil seu livro Freedom from Wealthy. Aqui, terá o título de Patrimônio e Liberdade e tem parceria de Leonardo Wengrover, sócio-fundador da W Advisor que, entre outras medidas, trabalhou para adaptar o conteúdo à realidade brasileira. A seguir, trechos da entrevista.

Em 2008, em entrevista ao jornal "The New York Times", o sr. falava sobre a crise e como aconselhava seus clientes. Agora estamos vivendo um momento tenso, com as Bolsas mundiais em razão do coronavírus. O que muda?

Estou neste ramo há 40 anos e nunca estive em um período de tanta ansiedade entre pessoas do mundo todo. Não é só o coronavírus, é a incerteza sobre estarmos deixando a globalização, o que as pessoas sentem que está acontecendo. É a incerteza sobre o que vai acontecer daqui para a frente. Acho que o que estamos vivendo agora é mais dramático. As pessoas não estão certas de para onde o mercado está indo.

Está pior que em 2008?

Sim, porque em 2008 as pessoas sentiam que havia líderes ao redor do mundo, que os bancos centrais poderiam lidar com o que estava acontecendo. Havia muita insegurança, não me entenda mal, mas hoje o problema parece muito grande e difícil de lidar.

As taxas de juros no mundo todo estão cada vez mais baixas e as economias não voltam a crescer. A impressão é de que a política monetária dos bancos centrais não está funcionando.

Esse é um risco que precisa ser levado em conta na gestão de patrimônio. Assim, a primeira pergunta é: você tem dinheiro suficiente para cobrir despesas por um ano? Quando você tem caixa, a grande questão não será buscar uma taxa de juros máxima mas, sim, como manter esse patrimônio seguro. Temos visto mais famílias perderem dinheiro por aderir a altas taxas de juros em títulos de crédito, do que por investir em boas empresas. Para investir, você tem de saber se aquele é um bom negócio. Um portfólio bem construído de ações tem ido extraordinariamente bem num horizonte de longo prazo. Se eu estivesse aconselhando brasileiros, diria: certifique-se de que tem caixa suficiente, então diversifique algo em torno de 20% ou 30% em títulos (de governo ou dívidas) e ponha o resto em boas ações. Diria ainda: não ponha mais que 2% ou 3% do seu patrimônio em cada um dos papéis. Compre ações de empresas globais.

Por que é tão importante investir em empresas globais?

Este é o caminho para lidar com alguns desafios. Por exemplo, sei sobre negociar moedas. Mas não importa o quanto eu saiba, uma empresa internacional sabe mais sobre isso. Logo, comprar ações, cotas dessa empresa, faz mais sentido do que comprar moedas estrangeiras.

No último ano, a Bolsa brasileira registrou recorde de CPFs ativos. Que conselho o senhor daria para esses novos investidores?

As lições a serem aprendidas são lições de governança. As pessoas acham que podem comprar ações e títulos quase intuitivamente, mas não é assim. Você tem de ter um processo e a diversificação é importante. É preciso reconhecer que haverá volatilidade e se certificar de que tem dinheiro em caixa, nas moedas corretas, para atravessar esses momentos.

*Com informações do jornal O Estado de S. Paulo e Estadão Conteúdo

Comentários
Leia também
INVISTA COMO UM MILIONÁRIO

Sirva-se no banquete de investimentos dos ricaços

Você sabe como ter acesso aos craques que montam as carteiras dos ricaços com aplicações mínimas de R$ 30? A Pi nasceu para colocar esses bons investimentos ao seu alcance

Em pronunciamento

Bolsonaro defende hidroxicloroquina e diz respeitar autonomia de governadores e prefeitos

“Todos devem estar sintonizados comigo”, afirmou Bolsonaro, dizendo que tem a responsabilidade sobre decisões do país de forma ampla usando a equipe de ministros que escolheu

Seu Dinheiro na sua noite

Um risco a menos

Caro leitor, No início do ano, antes de o coronavírus se espalhar pelo mundo, virar de cabeça para baixo todas as projeções para o futuro próximo e talvez mudar o nosso modo de vida para sempre, o principal risco citado por analistas e gestores para os mercados em 2020 eram as eleições presidenciais americanas. Alguns […]

Dinheiro à vista

Raia Drogasil aprova pagamento de R$ 20 milhões em dividendos

O pagamento dos dividendos será realizado até 31 de maio de 2020, sem correção monetária, informou a Raia Drogasil em comunicado ao mercado

Crypto News

Quando e como ter dólar e bitcoin na carteira

A despeito dos 10 milhões de desempregados nos EUA, o S&P500 está subindo quase 20% desde o último fundo. Isso faz sentido para você? Para mim, não

Cuidado com o fiscal

Secretário diz que situação fiscal do Brasil exige ‘cautela e serenidade’

Secretário de Política Econômica Adolfo Sachsida disse que a situação fiscal exige cautela e serenidade ao se adotar medidas no contra coronavírus

Mortes sobem 20%

Brasil registra 800 mortes pelo novo coronavírus

São Paulo concentra o maior número de pessoas mortas pela covid-19

Pegando carona

Ibovespa engata a terceira alta e vai ao maior nível em quase um mês, puxado por Wall Street

O fortalecimento dos mercados americanos impulsionou o Ibovespa nesta quarta-feira, levando-o para além dos 78 mil pontos. O dólar à vista caiu pelo terceiro dia, voltando ao nível de R$ 5,14

BC americano

Fed vê como adequado manter juro parado até que membros estejam ‘confiantes’ com economia

Juro americano prosseguirá entre 0% e 0,25% até que formuladores da política monetária estejam confiantes de que a economia “resistiu a eventos recentes” e “estava no caminho certo”

Alívio depois do tombo

Após chegarem às mínimas desde 2011, ações da Cielo disparam mais de 20%

Desde o começo da semana, os papéis da Cielo já sobem mais de 25%, aproveitando a onda de otimismo vista na bolsa para se afastar das mínimas

Saída de dólares

Saída de dólar supera entrada em US$ 13,079 bilhões no ano até 3 de abril, diz BC

Fluxo cambial até 3 de abril foi negativo em US$ 13,079 bilhões, informou o BC. No mesmo período de 2019, dado era positivo em US$ 2,729 bilhões

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements