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perspectivas

‘Investidor estrangeiro quer carimbo sustentável’, diz presidente do BNP Paribas

Para Sandrine Ferdane, queda de braço diplomática com França em 2019 foi a oportunidade para o Brasil sentir a preocupação do mundo com a questão da sustentabilidade

Imagem: Shutterstock

A queda de braço diplomática entre Brasil e França, travada diretamente pelos presidentes Jair Bolsonaro e Emmanuel Macron em 2019, envolvendo sobretudo a preservação da Amazônia, não passou despercebida pelos investidores do franceses, que concentram quase um terço dos aportes estrangeiros diretos por aqui, segundo dados do Ministério da Economia.

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A presidente da Câmara de Comércio França-Brasil e das operações brasileiras do banco BNP Paribas, Sandrine Ferdane, afirmou, em entrevista ao Estadão/Broadcast, que os europeus buscam projetos com "carimbo" de sustentabilidade.

"Essa crise foi a oportunidade de o Brasil sentir a preocupação do mundo com a questão da sustentabilidade. O investidor, lá fora, busca investimento carimbado como sustentável. E essa lógica ainda não chegou ao Brasil", disse.

Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista:

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Dados do Ministério da Economia mostram que, até o 3º trimestre de 2019, 32% dos investimentos estrangeiros diretos no Brasil vieram da França. Qual sua avaliação sobre a atual relação entre os países?

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Foi um ano de turbulências na relação, mas também de repensá-la. A presença francesa no Brasil é de longo prazo. Cem por cento das empresas do CAC 40 (principal índice da bolsa de valores de Paris) estão no Brasil. Ao longo do período de crise que passamos, as empresas não pararam de investir. Um evento de destaque esse ano que foi a compra da TAG (gasoduto que era controlado pela Petrobrás) pela Engie, por quase US$ 9 bilhões.

Apesar das turbulências políticas, na hora de decidir um investimento o pragmatismo sempre leva a melhor?

Não podemos considerar que o econômico se separa do político. Não existe esse descolamento. Mas existe o papel central, que foi da Câmara de Comércio França-Brasil, de manter as relações. Essa crise teve dimensão emocional. Foi oportunidade de o Brasil sentir a preocupação do mundo de hoje com a questão da sustentabilidade. O investidor, lá fora, busca investimento carimbado como sustentável e essa lógica ainda não chegou ao Brasil.

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Mas esse momento de "repensar a relação" já passou ou o desconforto ainda está presente?

O primeiro legado (da crise entre os dois países) é a conscientização. O segundo é a imagem do Brasil, que foi afetada. O papel de uma empresa francesa aqui no Brasil é vender a visão do País, não só o potencial econômico. Falou-se muito mal do País - em parte de forma exagerada, obviamente. Então existe, agora, um trabalho de reconstrução de imagem.

O investidor francês está animado com a agenda de reformas em andamento no Brasil? Como isso pode ter impacto em decisões de investimentos em 2020?

Se eu tiver de responder sim ou não, diria que sim. Tivemos um fim de ano com uma dinâmica boa. Muitos setores estão recuperando a atividade, mas a maioria deles ainda não voltou a níveis pré-crise. Vemos concessões, privatizações. São razões concretas para o otimismo. É importante lembrar que a gente está no meio do caminho de transformação. Vamos medir cada vez mais o impacto das reformas, da queda dos juros, que alavanca as empresas. Tudo isso é recente e não está ainda materializado no cenário, mas olhando no futuro a gente vê impacto ainda mais positivo. Mas isso não quer dizer que o ano vai ser fácil, já que as incertezas existem e existirão.

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As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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