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Julia Wiltgen
O melhor do Seu Dinheiro
Julia Wiltgen
2020-10-07T20:50:13-03:00
SEU DINHEIRO NA SUA NOITE

2020 tá difícil? Então prepare-se para os próximos 5 anos

7 de outubro de 2020
20:20 - atualizado às 20:50
Selo O Melhor do Seu Dinheiro; investimentos
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

A pandemia de coronavírus e suas consequências econômicas já renderam a 2020 muitas comparações às mais famosas distopias da literatura e do cinema, fora os memes e piadinhas sobre como no futuro as coisas podem ficar ainda piores. Eu sempre me lembro do tuíte do @marcurelio:“

‘Na época do corona…’
[pausa longa]
[olhar perdido]
‘Ê, época boa! Se eu soubesse o que ia vir depois, teria aproveitado mais…’
[mastiga a barata, pensativo]”

Brincadeiras cínicas à parte, se antes já era difícil tentar prever o futuro - com o mundo em franca desaceleração econômica, a ascensão de líderes populistas e uma nova realidade de juros e inflação extremamente baixos - agora a visão ficou ainda mais embaralhada.

A gestora global Pimco - uma das maiores do mundo, com quase US$ 2 trilhões sob gestão - aceitou o desafio e publicou, nesta quarta, seu relatório “Secular Outlook”, em que projeta o cenário para investimentos nos próximos três a cinco anos.

A visão da gestora não é a das mais otimistas. Eu poderia comparar o mundo projetado pela Pimco a uma das já citadas distopias, mas fazer isso a essa altura do campeonato seria um pouco cafona.

Basta dizer que, para a Pimco, os próximos anos não devem ser muito melhores do que 2020 do ponto de vista do desafio em torno dos investimentos.

Os riscos ligados a fatores climáticos, populismo, protecionismo, nacionalismos e avanços tecnológicos devem ser exacerbados, e o investidor talvez precise baixar um pouco as expectativas quanto à rentabilidade dos ativos: os retornos serão mais baixos mesmo, e se lançar ao risco de peito aberto pode ser pior.

O Ivan Ryngelblum explica a tese da Pimco nesta matéria. Recomendo muito a leitura!

MERCADOS 

 A volatilidade deu o tom das negociações hoje. O Ibovespa começou o dia seguindo o bom humor externo, mas o temor com as contas públicas fez o índice se descolar das bolsas americanas, fechando em leve queda. O dólar subiu 0,5%, a R$ 5,62.

 As ações da resseguradora IRB Brasil tiveram mais um dia de queda intensa na B3, depois da baixa de mais de 17% ontem. O movimento começou por causa da decisão do UBS BB de rebaixar a recomendação para os papéis da companhia de compra para venda.

 A Sequoia, companhia de logística, e-commerce e tecnologia, estreou em baixa de pouco mais de 1% na B3. A empresa já havia precificado os papéis abaixo da faixa indicativa no IPO. 

INVESTIMENTOS 

 O ano de 2020 até que não está tão ruim para o mercado de capitais. O volume captado em ofertas de ações até setembro de 2020 supera em 20,5% a cifra do mesmo período do ano passado. Já o número de IPOs realizados e previstos é o maior desde o ano recorde de 2007.

O Brasil não tem espaço para financiar um programa de renda básica com mais gastos, diz a Verde. Na sua última carta aos investidores, a gestora de Luis Stuhlberger publicou um estudo detalhado sobre os impactos do auxílio emergencial na economia e nas contas do governo.

EMPRESAS 

 A Smiles apresentou sinais de retomada. A empresa informou que o faturamento total aumentou em 24 pontos percentuais (p.p.) entre o segundo e o terceiro trimestre. A companhia não revelou valores. 

 A Oi inaugurou hoje sua primeira operação comercial de internet móvel de quinta geração (5G), no Plano Piloto de Brasília. A empresa se junta às rivais Claro, Vivo e TIM, que estão começando a ativar a rede em outras cidades do país.

ECONOMIA

 O Parlamento Europeu manifestou reprovação à ratificação do acordo comercial entre União Europeia e Mercosul por preocupações com a política ambiental do governo de Jair Bolsonaro.

COLUNISTAS 

 A magnitude e a frequência dos erros e acertos no mercado - dos ganhos e das perdas - fazem diferença para o investidor. O caminho percorrido pelos fundos de investimento é tão importante quanto o resultado final que o gestor obtém. Na sua coluna de hoje, o Bruno Merola narra três situações que comprovam isso.

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