Menu
2020-06-18T18:01:52-03:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa e UBS Escola de Negócios. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência CMA, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico.
Pressão no câmbio

Corte nos juros e tensão política fazem o dólar subir mais de 2%, cravando a sétima alta seguida

O dólar à vista já acumula um salto de quase 7% somente nesta semana, voltando a se aproximar da faixa de R$ 5,40. Os sinais emitidos pelo Copom, somados ao noticiário político turbulento, elevaram a cautela em relação à divisa — o Ibovespa, por outro lado, teve um dia tranquilo e fechou em leve alta

18 de junho de 2020
18:01
Dólar
Imagem: Shutterstock

O dólar à vista passou por uma forte onda de alívio na segunda metade de maio, saindo de níveis próximos aos R$ 6,00 e chegando a ser negociado abaixo dos R$ 5,00 no começo de junho. Essa calmaria, no entanto, durou pouco: a moeda americana cravou hoje a sétima alta consecutiva — e motivos não faltaram para estressar o mercado de câmbio.

Em meio ao novo corte de 0,75 ponto na Selic — e à possibilidade de novas baixas na taxa de juros no curto prazo — e à escalada nas tensões políticas domésticas, o dólar à vista fechou a sessão desta quinta-feira (18) em alta de 2,09%, a R$ 5,3708. Somente nesta semana, o salto acumulado da divisa já chega a 6,51%.

A bolsa, por outro lado, teve um dia relativamente tranquilo: o Ibovespa até abriu a sessão no vermelho, mas virou para alta ainda durante a manhã e terminou o pregão com ganhos de 0,60%, aos 96.125,24 pontos. Lá fora, o dia também foi ameno nos principais mercados acionários, com os índices da Europa e dos EUA não se afastando muito da estabilidade.

  • Eu gravei um vídeo para explicar um pouco melhor a dinâmica dos mercados nesta quinta-feira, incluindo as reações ao Copom e ao noticiário político. Veja abaixo:

A decisão do Copom, no início da noite passada, pode ser divida em duas partes: a atuação momentânea e as sinalizações para os próximos passos. No lado imediato, o corte de 0,75 ponto na Selic veio em linha com as projeções do mercado — as curvas de juros de curto prazo já precificavam esse movimento.

No quesito das indicações futuras, o BC promoveu algumas mudanças em sua comunicação: por mais que a autoridade monetária tenha dito em maio que o corte de ontem seria o último do ciclo, o Copom deixou a porta aberta para mais uma "redução residual".

Ou seja: uma eventual nova baixa na taxa de juros, se concretizada, será menos intensa — provavelmente de 0,25 ponto. E, considerando as menções à ociosidade da economia e à recuperação lenta do nível de atividade, a perspectiva é de manutenção da Selic em níveis baixos por algum tempo.

Esse quadro traz algumas implicações para a bolsa e para o câmbio. A Selic mais baixa diminui a rentabilidade das aplicações em renda fixa, estimulando uma migração de recursos para o mercado de ações, que pode oferecer retornos mais atrativos. Assim, o corte nos juros tende a dar impulso ao Ibovespa e à bolsa.

Por outro lado, a queda na Selic provoca uma redução no chamado "diferencial de juros" entre EUA e Brasil — a subtração entre as taxas brasileira e americana. E, quanto menor esse número, menos atrativas são as aplicações no país para os investidores que buscam retornos fáceis.

Claro, esse é um dinheiro de caráter mais especulativo. Ainda assim, é um montante relevante de moeda estrangeira que deixa de entrar no país — o que diminui a oferta de dólares por aqui e acaba pressionando a taxa de câmbio.

O cenário de mais cortes na Selic também provocou reações no mercado de juros futuros. Os DIs mais curtos caíram, ajustando-se às sinalizações do Copom, enquanto as curvas mais longas subiram, dada a percepção de que o BC terá que subir as taxas no longo prazo:

  • Janeiro/2021: de 2,08% para 2,05%;
  • Janeiro/2022: de 3,05% para 3,10%;
  • Janeiro/2023: de 4,11% para 4,23%;
  • Janeiro/2025: de 5,66% para 5,86%.

Dito tudo isso: o Copom não foi o único fator de influência para as negociações nos mercados brasileiros nesta quinta-feira. O noticiário político turbulento inspirou cautela, embora a bolsa tenha ignorado esses fatores de risco — ao menos, por enquanto.

Tensões em Brasília

Ainda no front doméstico, os agentes financeiros reagiram à notícia da prisão de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro — a ação faz parte do desdobramento da investigação que apura o esquema de "rachadinha" na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

O noticiário é especialmente delicado porque Queiroz foi preso num imóvel pertencente à Frederick Wassef, advogado dos Bolsonaro — ele disse estar no local há cerca de um ano.

Os possíveis desdobramentos da operação e eventuais envolvimentos da família do presidente em atividades ilícitas podem deteriorar o ambiente político, que vinha passando por uma trégua recente. Por enquanto, a leitura do mercado é a de que o apoio demonstrado pelo Centrão ao governo tende a se tornar mais difícil com os eventos de hoje.

Além disso, a leitura dos investidores é a de que a operação poderá provocar reações agressivas por parte do presidente, reativando as tensões entre governo, Congresso e STF — o que, naturalmente, traria ainda mais incerteza a Brasília e colocaria qualquer pauta econômica em segundo plano.

Por fim, uma segunda notícia abalou a administração Bolsonaro no meio da tarde: o ministro da Educação, Abraham Weintraub — um importante aliado do presidente e homem forte dentro da chamada ala ideológica do governo — deixou o cargo.

Exterior cauteloso

Lá fora, as bolsas da Europa fecharam em queda, enquanto os índices americanos tiveram oscilações tímidas: o Dow Jones (-0,15%), o S&P 500 (+0,06%) e o Nasdaq (+0,33%) apenas flutuaram entre perdas e ganhos.

Novamente, foi vista uma dualidade entre os potenciais pacotes de auxílio econômico nos EUA e a percepção de que um novo avanço da Covid-19 poderia provocar retrocessos na reabertura econômica do mundo.

Só que, nesta quinta-feira, tivemos um fator extra de tensão: os dados mais fracos que o esperado no mercado de trabalho americano. Na semana encerrada em 13 de junho, foram 1,5 milhões de novos pedidos de seguro-desemprego, número acima das projeções de analistas.

Top 5

Veja abaixo as cinco ações de melhor desempenho do Ibovespa nesta quinta-feira:

CÓDIGONOMEPREÇO (R$)VARIAÇÃO
BPAC11BTG Pactual units69,90+9,12%
CIEL3Cielo ON5,63+8,69%
CSNA3CSN ON11,65+4,39%
SULA11SulAmérca units43,74+4,14%
UGPA3Ultrapar ON18,86+4,09%

Veja também as cinco maiores quedas do índice:

CÓDIGONOMEPREÇO (R$)VARIAÇÃO
MULT3Multiplan ON21,81-3,45%
CMIG4Cemig PN11,36-3,07%
ENGI11Energisa units47,60-3,05%
AZUL4Azul PN21,93-3,05%
RAIL3Rumo ON23,46-2,66%
Comentários
Leia também
CUIDADO COM OS ATRAVESSADORES

Onde está o seu iate?

Está na hora de tirar os intermediários do processo de investimento para deixar o dinheiro com os investidores

Novo nome no MEC

Bolsonaro anuncia pastor Milton Ribeiro como novo ministro da Educação

Decreto presidencial nomeou professor para o cargo nesta sexta-feira

Investimento para o cliente

Corretora Warren recebe aporte de R$ 120 milhões para investimento em plataformas digitais

Fintech visa multiplicar por cinco patrimônio sob gestão até o fim de 2021 e aumentar alcance da marca: ‘Nossa meta é seguir investindo em tecnologia’

Chegou lá

E o Ibovespa, quem diria, voltou aos 100 mil pontos. O que isso significa?

Depois de mais de quatro meses, o Ibovespa finalmente reconquistou o patamar dos três dígitos. Algumas boas notícias da economia doméstica ajudam a explicar o otimismo na semana, mas há mais fatores que influenciaram esse movimento

Crise se afastando?

Barômetros globais sinalizam retomada gradual da economia mundial, diz FGV

Melhoras ainda estão condicionadas a um ‘grau elevado’ de incerteza diante da pandemia, pondera pesquisador

desconfiança justa?

Amazon pede que funcionários excluam TikTok por questões de ‘segurança’

Segundo uma captura de tela obtida pelo The New York Times, a empresa de e-commerce enviou um e-mail solicitando a exclusão do app

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements