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2020-05-20T18:12:03-03:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa e UBS Escola de Negócios. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência CMA, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico.
Mercados tranquilos

Ibovespa fecha em alta e dólar cai a R$ 5,68, embalados pela recuperação do petróleo

A valorização do petróleo deu força às bolsas globais e tirou pressão do câmbio. Como resultado, o Ibovespa voltou a encostar nos 82 mil pontos, enquanto o dólar à vista ficou abaixo de R$ 5,70 pela primeira vez desde 5 de maio

20 de maio de 2020
18:11 - atualizado às 18:12
Selo Mercados FECHAMENTO Ibovespa dólar
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

O cenário político doméstico assumiu uma característica peculiar de uns tempos para cá: não há alívio, mas também não há deterioração extra — digamos que o nervosismo virou o novo normal. E, de certa maneira, o Ibovespa e o dólar parecem se acostumar com esse cenário, pouco reagindo ao noticiário local e dando mais atenção ao exterior.

Desde o início da semana, os fatores externos têm dado as cartas para os ativos domésticos, e a sessão desta quarta-feira (20) seguiu a tendência: apesar da escalada do coronavírus no Brasil e do noticiário sempre turbulento em Brasília, o clima lá fora acabou se sobrepondo — e o tom foi positivo nos mercados globais.

O Ibovespa passou quase toda o pregão em alta, fechando o dia com ganho de 0,71%, aos 81.319,45 pontos; no câmbio, o dólar à vista também teve uma sessão tranquila: caiu 1,17%, a R$ 5,6890 — é a primeira vez desde 5 de maio que a divisa americana termina abaixo de R$ 5,70.

  • Eu gravei um vídeo para explicar melhor a dinâmica por trás dos mercados nesta quarta-feira. Veja abaixo:

Mas, ao contrário dos últimos dias, o que sustentou o bom humor dos investidores globais não foi o otimismo em relação à reabertura das economias, a perspectiva de novos pacotes de estímulo nos EUA ou uma possível vacina contra o coronavírus. Desta vez, o protagonista foi o petróleo, que se valorizou nesta quarta-feira.

Tudo porque a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e a China firmaram um acordo de cooperação — o gigante asiático é o maior consumidor global da commodity. Uma espécie de união entre a oferta e a demanda, buscando a normalização do mercado.

A novidade trouxe alívio aos investidores e aumentou a esperança de estabilização dos preços do produto num patamar mais alto. E, como resultado, o petróleo WTI para julho fechou em alta de 4,79%, a US$ 33,49 o barril, enquanto o Brent para o mesmo mês avançou 3,17%, a US$ 35,75.

A valorização do petróleo acabou gerando uma onda de otimismo nas bolsas internacionais: as principais praças da Europa fecharam em alta e, nos EUA, o Dow Jones (+1,52%), o S&P 500 (+1,67%) e o Nasdaq (+2,08%) tiveram ganhos firmes.

As ações da Petrobras também estiveram entre as beneficiadas da recuperação da commodity: os papéis PN da estatal (PETR4) avançaram 3,32%, enquanto os ONs (PETR3) subiram 3,01%.

Fora a questão do petróleo, os mercados também repercutiram a ata da última reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central americano). O documento, contudo, não trouxe grandes surpresas: a instituição se disse comprometida a usar todas as ferramentas para apoiar a economia — algo que o presidente da autoridade monetária, Jerome Powell, já repetiu em outras ocasiões.

Sem novidades na ata do Fed, as bolsas globais tiveram poucas oscilações durante a tarde — e, com isso, o Ibovespa também teve tranquilidade para se sustentar em alta.

Cautela doméstica

O bom humor global ditou o rumo das negociações, mas as turbulências no cenário doméstico continuaram sendo monitoradas pelos investidores. Mais cedo, o ministério da Saúde divulgou um novo protocolo que prevê o uso da cloroquina ainda nos primeiros sinais do coronavírus.

A medida ocorre após o Brasil registrar um novo recorde de mortes em decorrência da doença em 24 horas: de segunda (18) para terça (19), foram 1.179 óbitos — ao todo, 17.971 já faleceram no país por causa da Covid-19, com mais de 270 mil infectados.

A ausência de nomeação de um novo ministro da Saúde após a saída de Nelson Teich do cargo continua gerando desconforto em Brasília, assim como a falta de articulação entre os poderes para o combate à pandemia — um cenário que, naturalmente, eleva a percepção de risco político nos mercados.

Juros em alta

Apesar do alívio visto no dólar, as curvas de juros futuros fecharam em ligeira alta nesta quarta-feira, numa sessão marcada por um baixo volume de negociações. Ainda assim, os DIs mais curtos continuam precificando novos cortes na Selic na reunião de junho:

  • Janeiro/2021: de 2,52% para 2,54%;
  • Janeiro/2022: de 3,39% para 3,42%;
  • Janeiro/2023: de 4,53% para 4,57%.

Top 5

Além das ações da Petrobras, também se destacam na ponta positiva do Ibovespa as ações da companhias aéreas Gol e Azul, impulsionadas pela queda no dólar e pela perspectiva de reabertura gradual da economia em São Paulo a partir de junho. Veja abaixo as cinco maiores altas do dia:

CÓDIGONOMEPREÇO (R$)VARIAÇÃO
AZUL4Azul PN15,33+12,31%
GOLL4Gol PN12,68+8,84%
IRBR3IRB ON7,61+7,94%
CVCB3CVC ON13,23+6,87%
ECOR3Ecorodovias ON11,19+5,67%

Confira também as cinco maiores baixas do índice:

CÓDIGONOMEPREÇO (R$)VARIAÇÃO
BTOW3B2W ON88,53-3,94%
SUZB3Suzano ON40,25-3,62%
LAME4Lojas Americanas PN26,84-3,49%
BEEF3Minerva ON13,16-3,24%
MRFG3Marfrig ON13,06-3,12%
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