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2020-05-04T18:45:54-03:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa e UBS Escola de Negócios. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência CMA, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico.
Mercados sob pressão

Em dia de cautela e correção, Ibovespa cai mais de 2% e dólar sobe a R$ 5,52

Tensões entre Estados Unidos e China, somadas à deterioração do cenário político brasileiro, trouxeram cautela aos investidores e derrubaram o Ibovespa

4 de maio de 2020
18:18 - atualizado às 18:45
Selo Mercados FECHAMENTO Ibovespa dólar
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

Passado o feriado do Dia do Trabalho, os mercados brasileiros voltaram a operar normalmente nesta segunda-feira (4). E a reabertura das negociações foi marcada por um tom bem mais pessimista por parte dos investidores, tanto no Ibovespa quanto no dólar à vista.

Também, pudera: o noticiário doméstico e internacional esteve carregado de fatores de riscos nos últimos dias. E, para completar, os ativos locais começaram a semana com um peso nos ombros: a necessidade de correção, já que os mercados brasileiros estiveram fechados na última sexta-feira (1) — e, lá fora, o primeiro de maio foi bastante negativo.

O resultado não poderia ter sido diferente: o Ibovespa passou o dia em queda e fechou o pregão em baixa de 2,02%, aos 78.876,22 pontos, enquanto o dólar à vista subiu 1,51%, a R$ 5,5208 — e olha que a moeda americana chegou a bater os R$ 5,6123 na máxima (+3,19%).

  • Eu gravei um vídeo para explicar a dinâmica dos mercados brasileiros nesta segunda. Veja abaixo:

A forte onda de aversão ao risco vista por aqui foi desencadeada por fatores internacionais e domésticos. Lá fora, declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, inspiraram cuidado e reacenderam os temores de novas turbulências geopolíticas, mesmo em meio à pandemia de coronavírus.

Desde a última sexta-feira, Trump voltou a culpar a China pela disseminação da doença e afirmou que os EUA não vão mais cortar as tarifas comerciais impostas ao país, descumprindo os acordos feitos antes do surto global.

A fala do presidente americano provocou fortes perdas em Wall Street já na sexta passada e contaminou os demais mercados globais neste início de semana: na Europa, onde as bolsas também estiveram fechadas no 1º de maio, as principais praças tiveram baixas de mais de 2% hoje.

E mesmo nos Estados Unidos, o tom dos investidores continuou sendo de cautela: o Dow Jones (+0,11%) e o S&P 500 (+0,42%) apenas flutuaram ao redor da estabilidade ao longo do dia, conseguindo exibir um leve desempenho positivo no fim da sessão.

Tensão doméstca

Além de toda a cautela externa, os mercados brasileiros também tiveram que lidar com uma forte prudência vinda do cenário local: o noticiário político contribuiu para manter os investidores em estado de alerta, altamente sensíveis a qualquer novidade vinda de Brasília.

Há dois pontos de turbulência: em primeiro plano, aparece a deterioração cada vez mais nítida nas relações entre o presidente Jair Bolsonaro e os demais poderes — nos últimos dias, ele tem centrado fogo no Supremo Tribunal Federal (STF).

No domingo (3), Boslonaro participou novamente de atos anti democracia e que pediam o fechamento do Congresso — uma postura que rendeu mais uma enxurrada de notas de repúdio de outras lideranças políticas e aumentou a percepção de crise em Brasília.

Ainda na capital federal, destaque para a aprovação, pelo Senado, do pacote de auxílio financeiro emergencial para Estados e municípios, no montante de R$ 125 bilhões — uma pauta que vem sendo chamada de 'bomba fiscal', dada a cifra elevada e a falta de contrapartidas para governadores e prefeitos.

Como o texto foi alterado pelos senadores, ele deve ser analisado novamente pela Câmara. E, considerando o estado das relações entre governo e Congresso, deve-se esperar pouca disposição para aliviar o tom do projeto.

Essa combinação de fatores domésticos e externos provocou a forte alta do dólar à vista. Apesar disso, o mercado de juros futuros mostrou-se relativamente comportado, com um ligeiro viés de alta nos vencimentos de médio e longo prazo.

As curvas curtas, por outro lado, fecharam em baixa, em meio à percepção de que a fraqueza na economia forçará o Banco Central a continuar cortando a Selic — mais cedo, o boletim Focus mostrou que o mercado trabalha com um cenário de juros em 2,75% ao fim do ano:

  • Janeiro/2021: de 2,77% para 2,70%;
  • Janeiro/2022: de 3,66% para 3,60%;
  • Janeiro/2023: de 4,81% para 4,90%;
  • Janeiro/2025: de 6,55% para 6,61%.

Balanços em foco

No front corporativo, diversas empresas que compõem o Ibovespa reportaram nesta manhã seus resultados trimestrais, com destaque para a Gol — a companhia aérea viu seu prejuízo disparar a R$ 2,28 bilhões no período, pressionada pelo dólar em alta e pelo coronavírus.

Como resultado, as ações PN da empresa (GOLL4) despencaram 10,08% nesta segunda e apareceram entre as maiores quedas do índice — veja abaixo a lista com os cinco papéis de pior desempenho:

CÓDIGONOMEPREÇO (R$)VARIAÇÃO
AZUL4Azul PN15,16-12,87%
EMBR3Embraer ON7,72-10,75%
GOLL4Gol PN11,15-10,08%
CSNA3CSN ON8,23-8,15%
BRML3BR Malls ON9,35-6,87%

No lado oposto, destaque para os papéis do setor de telefonia e telecomunicações, com Telefônica Brasil PN (VIVT4) e Tim ON (TIMP3) liderando os ganhos:

CÓDIGONOMEPREÇO (R$)VARIAÇÃO
VIVT4Telefônica Brasil PN48,33+5,87%
TIMP3Tim ON13,45+5,41%
ABEV3Ambev ON11,76+3,70%
MGLU3Magazine Luiza ON51,44+3,50%
VVAR3Via Varejo ON9,50+3,49%
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