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Banco de fomento vem se desfazendo de suas posições, cumprindo meta estabelecida por Gustavo Montezano no início de sua gestão, em julho do ano passado
Em meio a um cenário de maior volatilidade dos mercados, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) fez mais uma venda de ativos de sua carteira de renda variável, seguindo o plano de enxugar o portfólio de ações. Na última quinta-feira, se desfez de uma de suas maiores posições - a participação de 11% na gigante de papel e celulose Suzano - e colocou no caixa mais R$ 6,9 bilhões. Com isso, ao longo da pandemia, os desinvestimentos do banco de fomento já somam R$ 16 bilhões. Antes, o BNDES já havia vendido papéis da Vale e da AES Tietê.
A demanda pelos mais de 150 milhões de papéis da Suzano postos à venda pelo banco atingiu três vezes a oferta, segundo fontes. Os coordenadores da oferta são JPMorgan, Bank of America, Bradesco BBI, Itaú BBA e XP Investimentos.
O interesse pelas ações tem razão de ser, já que a alta do dólar ante o real aumenta as receitas de exportação da Suzano. Além disso, a perspectiva para o preço de celulose para este fim de ano é positiva: a commodity deve ter valorização, após meses de desaceleração.
Apesar de a operação ter sido bem recebida pelo mercado, a Suzano teve uma leve queda no pregão de ontem da B3, a Bolsa paulista. O principal papel da companhia fechou em queda de 0,37%, a R$ 46,33. No dia, o Ibovespa, índice que reúne as principais ações do mercado, teve desvalorização de 1,56%.
A presença do BNDES na base acionária da Suzano é antiga - e cresceu muito com uma operação de salvamento do setor. Em 2009, o BNDES financiou a criação da Fibria, originada da fusão entre a Aracruz e Votorantim Celulose após as duas empresas quase quebrarem por causa da compra de derivativos cambiais. Em 2018, já recuperada do baque financeiro, a Fibria foi incorporada pela rival Suzano - ampliando a participação no banco na companhia.
Acelerar a redução da carteira de ações era uma das metas do presidente Gustavo Montezano desde o início de sua gestão no BNDES, em julho de 2019. No início deste ano, o banco fez a venda de suas ações ordinárias da Petrobrás - a maior transação no mercado acionário em 2020, de R$ 22 bilhões.
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No fim do ano passado, havia feito outra venda de ações, que marcou a saída do banco público da empresa de alimentos Marfrig. O movimento foi considerado simbólico, uma vez que, no início da década passada, o setor de frigoríficos cresceu contando com forte financiamento do BNDES.
O início da crise do coronavírus, em março, congelou as vendas do banco. Mas o movimento foi retomado assim que a Bolsa começou a se recuperar. O primeiro passo para testar as águas do mercado veio no fim de julho, com uma operação relativamente pequena: a venda de participação na AES Tietê, de energia, por R$ 1,27 bilhão.
Em agosto, o banco de fomento capitaneou o maior leilão em Bolsa da história da América Latina, com a venda de parte de suas ações da mineradora Vale, uma operação que girou R$ 8,1 bilhões.
A instituição financeira, a partir de novembro, terá disponível ainda mais ações da Vale para vender, depois do fim do acordo de acionistas da empresa. Os planos para 2020 incluem mais vendas de ativos, como a venda das ações da Klabin e de papéis da preferenciais da Petrobrás.
Ainda na lista para desinvestimento está sua participação na JBS, que também fez várias aquisições financiadas pelo banco na época da política das "campeãs nacionais" dos governos petistas.
A operação estava sendo conduzida no início do ano, mas foi atropelada com a chegada da pandemia. Agora, a aposta é que essa venda fique para 2021.
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