Reforma abrirá portões para retorno do crescimento econômico, diz Guedes
Guedes discursou contra corporações do funcionalismo público que se opõem à proposta do governo de reforma previdenciária

O ministro da Economia, Paulo Guedes, voltou a defender nesta quarta-feira, 22, que a reforma da Previdência abrirá os portões para o retorno do crescimento econômico e disse estar confiante de que a proposta do governo será aprovada pelo Congresso Nacional com uma potência fiscal de R$ 1 trilhão em dez anos. "Não há alternativa para a Previdência, o regime antigo quebrou. Temos uma bomba demográfica, não podemos seguir com essa ameaça", afirmou, durante palestra de mais de uma hora de duração no Seminário Previdência, organizado pelo jornal Correio Braziliense.
Guedes admitiu que a comunicação da reforma é o grande desafio do governo, mas voltou a dizer que sem ela será inviável garantir os benefícios e aposentadorias no futuro. "A reforma da Previdência reduz desigualdades e remove privilégios, sem atingir os mais frágeis", enfatizou.
Mais uma vez, Guedes discursou contra corporações do funcionalismo público que se opõem à proposta do governo de reforma previdenciária. "As aposentadorias dos funcionários do legislativo são 20 vezes maiores que as dos trabalhadores comuns. É evidente que lobby contra reforma da Previdência está em Brasília. Não é o Brasil que é contra a reforma da Previdência, é Brasília", acrescentou.
Para o ministro, essas corporações estariam estão usando os pobres como escudo contra a reforma, ao alegarem que a proposta retira direitos dos menos favorecidos. "Isso é 'fake news'", acusou.
Ele também rebateu críticas de que a alíquota contribuição previdenciária de 22% proposta para quem ganha mais R$ 30 mil seria uma medida confiscatória. "Se algum juiz reclamar de alíquota de 22% para quem ganha mais do que o presidente da República, é melhor ficar quieto. Não chateia", alfinetou.
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Estouro do Orçamento
O ministro da Economia avaliou ainda que a reforma da Previdência livrará o País de ameaça de estouro do Orçamento pelos próximos 15 ou 20 anos. Ele repetiu estar confiante na aprovação do projeto do governo com economia de R$ 1 trilhão em uma década. "Se a reforma for pouco potente, servirá apenas aos próximos dois governos. Se a reforma tiver de R$ 500 bilhões a R$ 700 bilhões de efeito, não lançaremos um novo regime (de capitalização). Não enviaremos os jovens em um foguete para a lua se não tivermos o combustível", afirmou.
Para Guedes, a reforma da Previdência abre um horizonte de crescimento de 3% ao ano para a economia brasileira por mais de dez anos. "Essa visão de estabilidade financeira à frente é o que traz de volta os investimentos", completou.
O ministro elogiou o apoio do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), à reforma e disse não poder "reclamar nada" da ajuda do presidente Jair Bolsonaro sobre o tema. "Não adianta cobrar tudo do presidente, ele já faz coisas além do que se poderia pedir", afirmou.
Guedes ainda brincou ao dizer que o governo é criticado por não ter habilidade de comunicação, e lembrou que governos que eram reconhecidos por essa habilidade não conseguira aprovar correções nos sistema de aposentadorias. "A antiga forma de fazer política morreu. Não sabemos qual é a nova, porque ainda a estamos construindo. Mas estou seguro de que a classe política fará a parte dela na reforma da Previdência", completou.
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