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O presidente do Credit Suisse no País, José Olympio Pereira, acredita que o presidente Jair Bolsonaro tem cacife eleitoral para levar o projeto adiante
O investidor estrangeiro precisa de sinais mais claros de que a reforma da Previdência será aprovada para fincar os pés no Brasil, diz o presidente do Credit Suisse no País, José Olympio Pereira. Ele afirma acreditar que o presidente Jair Bolsonaro tem cacife eleitoral para levar o projeto adiante. Para o executivo, parte da reticência do estrangeiro é reflexo da forma como Bolsonaro foi apresentado pela imprensa internacional. Pereira admite, porém, que a postura do presidente no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, de não dar entrevista e falar pouco, não ajuda a desfazer a imagem negativa. “Temos de dar crédito. É uma equipe nova. Ter cabeçadas é normal.”
Leia a seguir os principais trechos da entrevista, concedida durante o Latin America Investment Conference, promovido pelo banco em São Paulo.
Jornal O Estado de S. Paulo: Como o sr. vê a chegada de uma equipe liberal ao governo?
José Olympio: Nós estamos vivendo um novo momento. Temos, pela primeira vez, um governo assumidamente liberal, com objetivo de resolver o problema fiscal, reduzir o tamanho do Estado e melhorar o ambiente de negócios. O ministro da Economia, Paulo Guedes, usa uma imagem muito boa: o empresário brasileiro tem duas bolas de ferro amarradas nos seus pés e a gente tem de eliminá-las ou reduzi-las. Apesar desses impedimentos, temos empresários de qualidade. Imagina se melhorarem as condições.
Os investidores estrangeiros continuam céticos...
O Brasil é estruturalmente atraente, tem população grande e renda relativamente baixa, portanto tem potencial de crescimento. Essa atratividade tem trazido investimento estrangeiro direto. Nesse novo Brasil, o potencial de atração vai crescer exponencialmente.
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Cresce independentemente de reforma da Previdência?
Não. A reforma é uma condição. Os gestores ainda estão esperando para ver.
O sr. crê que a reforma passa, apesar do corporativismo?
Estou convencido de que passa. Bolsonaro, na campanha, colocou que esse era um objetivo. Ele foi eleito legitimamente, o que lhe dá grande cacife eleitoral. Ele vai encontrar resistências de grupos de interesse, mas curiosamente os sinais que estamos vendo dos militares são até positivos. O governo tem um trabalho de comunicação amplo com a sociedade brasileira para convencê-la dos benefícios da reforma.
É possível colocar as privatizações em prática já neste ano?
Via venda de empresas já abertas (subsidiárias da Petrobrás, por exemplo), acho que terá um volume grande de ofertas. Haverá também aberturas de capital de empresas estatais. O Pedro Guimarães, presidente da Caixa, tem falado disso, da Caixa Seguridade e da área de cartões do banco.
Há ainda muita contradição no governo. Como o investidor vê isso?
Temos de dar um crédito. É uma equipe nova. Ter cabeçadas é normal e acho que é um processo de aprendizado. Esses desencontros são lições, que são rapidamente incorporadas e aprendidas. A equipe de uma forma geral é muito boa.
Recentemente, Martin Wolf, colunista e editor do jornal britânico ‘Financial Times’, escreveu sobre a responsabilidade da elite na ascensão de dirigentes autoritários ao poder e comentou o caso do Brasil. Como o sr. avalia essa posição?
Discordo da maneira com a qual Bolsonaro foi apresentado ao mundo pela imprensa internacional. Houve uma campanha internacional de difamação. O comparam a Trump. Conheci muito cedo Bolsonaro...
Quando?
Em 2017. Meu julgamento foi o seguinte: ele não tem nada a ver com Trump. O Trump tem opinião sobre tudo. Bolsonaro tem convicções sobre um número relativamente restrito de temas. Ele admitiu que não era especialista em economia e que ia buscar se cercar das melhores pessoas. Fiquei bem impressionado porque reconhecer suas necessidades é importante. Meu encontro com ele foi anterior ao convite ao Paulo Guedes (para elaborar o projeto econômico), e a orientação dele já era liberal. Não temo uma mudança para o autoritarismo. Não vi indício de ele ser uma pessoa não comprometida com as instituições ou com a democracia. A mídia internacional está pintando um Bolsonaro que não existe.
Os investidores internacionais estão comprando essa visão?
Sem dúvida. Parte dessa reticência que vemos dos investidores internacionais é por conta do que eles leem na imprensa internacional.
A postura do Bolsonaro em Davos, de não dar entrevista, não corrobora essa visão?
Não corrobora, mas não ajuda a desfazer. Corroborar é ele chegar lá e falar de forma que os veículos sustentassem aquele retrato que estavam pintando dele. Ele simplesmente falou pouco.
E falou bem?
Não vou emitir opinião.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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