Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos

Estadão Conteúdo

Tá na hora de pensar fora da caixa

Em crise, montadores buscam reinvenção

Planos das empresas incluem desde venda de operações deficitárias ou de baixo retorno financeiro até aplicação de novas tecnologias

Estadão Conteúdo
25 de março de 2019
14:09
Montadora de carros e veículos
Demissões estão no radar das montadorasImagem: Shutterstock

O processo de reestruturação global da indústria automobilística que fez da Ford do ABC paulista sua primeira vítima no Brasil já levou ou levará em breve ao fechamento de pelo menos 20 fábricas, a maior parte na Europa e nos EUA. Em busca de receitas para aplicar em tecnologias e produtos para atender a uma nova demanda de consumidores, as multinacionais estão se desfazendo de operações deficitárias ou de baixo retorno financeiro. Novas baixas vão ocorrer nos próximos anos.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O efeito sobre o emprego será "brutal", diz o presidente da Associação Europeia de Fabricantes de Veículos (Acea), Carlos Tavares, também presidente da francesa PSA Peugeot Citroën.

Segundo ele, só neste ano, foram anunciadas 30 mil demissões. Para Tavares, as mudanças estão sendo feitas rápido demais para atender as novas legislações, principalmente, nos países europeus.

Paralelamente, as montadoras se preparam para acompanhar as mudanças tecnológicas se juntando a empresas que dominam mais o tema. Na última década, adquiriram 443 startups em especial dos setores de manufatura 4.0, eletrificação, compartilhamento e conectividade.

Um exemplo é a General Motors, que vai fechar dez fábricas na América do Norte, Ásia e Austrália. Por outro lado, investiu em 44 startups, das quais 22 ligadas à eletrificação e manufatura digital, segundo estudo da consultoria KPMG.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

No Brasil, após concluir negociações com governos, funcionários, revendas e fornecedores para reduzir custos, a GM anunciou, semana passada, novo plano de investimento de R$ 10 bilhões.

Leia Também

Em janeiro, a presidente mundial da empresa, Mary Barra, disse que não continuaria investindo na América do Sul "para perder dinheiro" e exigiu a volta da lucratividade este ano.

Para o economista e sócio da MB Associados, José Roberto Mendonça de Barros, "a indústria automobilística mundial passa por um furacão e trava uma luta pela sobrevivência".

O que impressiona, diz ele, é que o setor enfrenta quatro ameaças simultâneas: a posse do carro já não é desejo de muitos jovens; o modelo de negócios deixa de ser só de produção e venda de carros e inclui prestação de serviços; a mudança do motor a combustão para os elétricos e, depois, autônomos; e o uso maior da tecnologia embarcada. "São quatro linhas de mudanças globais definitivas que exigem desafio gigantesco".

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ociosidade

Além de atender a uma nova demanda voltada a utilitários-esportivos (SUVs) e picapes, e no médio e longo prazos à produção voltada a elétricos e autônomos, o movimento de reestruturação tenta aliviar a alta ociosidade das fábricas.

Dados da PricewaterhouseCoopers (PwC) mostram que, neste ano, 41,8 milhões de veículos vão "sobrar" nas fábricas de todo o mundo (ver quadro). Desse total, 2 milhões são no Brasil, onde a indústria tem capacidade para 5 milhões de veículos.

No mundo, as montadoras têm capacidade para 139,7 milhões de automóveis e comerciais leves, mas a produção prevista para este ano é de 98 milhões. A ociosidade de 40% começará a regredir até chegar em 28% em 2025.

Ainda assim, haverá "sobra" de 32 milhões de veículos, pois a capacidade produtiva continuará crescendo, ainda que em ritmo menor. Segundo Mendonça de Barros, mesmo sem o fenômeno dos elétricos e autônomos, que exigirá profunda mudança no jeito de se produzir veículos, "teria de ocorrer uma concentração porque há mais fábricas do que demanda, no Brasil e no mundo".

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Novo negócio

"Há uma necessidade das grandes fabricantes de se reposicionarem para um ambiente de negócios muito diferente do atual", afirma Ricardo Bacellar, diretor da KPMG. "Elas precisam buscar novos negócios para oferecer serviços de mobilidade e, para crescer numa área precisa tirar de outra."

No caso da Ford, a decisão da matriz foi abandonar a produção de sedãs e focar em SUVs e picapes, modelos mais atraentes ao consumidores e mais lucrativos. Também desistiu dos caminhões, o que levará ao fechamento da fábrica do ABC.

"Infelizmente estamos vendo a indústria automotiva mundial num processo de reestruturação, com fechamento de unidades, o que é muito preocupante", diz Valter Sanches, secretário-geral do IndustriALL, entidade que reúne 608 sindicatos de 140 países. "O impacto vai muito além dos trabalhadores e suas famílias, pois impostos deixam de ser arrecadados, o que é ruim para os países."

Além do Brasil, a Ford fechará fábricas em vários países. Em 2018, o grupo fez uma aliança global com a Volkswagen para o desenvolvimento de picapes, vans e novas tecnologias.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Trabalho de pai para filho

Tomas Ormundo tinha um ano quando o pai, migrante recém-chegado da Bahia, conseguiu emprego na Ford como supervisor de manutenção e lá trabalhou por 30 anos até se aposentar. Ele sempre admirou o trabalho do pai e, aos 20 anos, seguiu seu caminho e ingressou na montadora como mecânico de manutenção.

Hoje, aos 51 anos, é analista de processos e teme a demissão. É com seu salário e o da mulher, Alessandra, que consegue manter o sustento da família, da casa e da escola dos quatro filhos: Rafaela, de 9 anos, os gêmeos Pedro e Maria Júlia, de 10, e Isabela, de 19.

Toda a família, quando pode, acompanha Ormundo nas manifestações contra o fechamento da fábrica e pela manutenção dos empregos dos cerca de 3 mil funcionários diretos e 1,5 mil terceirizados. "Conversamos abertamente com as crianças sobre a situação e elas sabem dos problemas que podemos ter."

Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, o salário médio dos funcionários é de R$ 6 mil, similar ao de outras montadoras da região.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Quem também seguiu o exemplo do pai - operário da Ford por 18 anos - e do tio - na empresa há 28 anos - é o montador Ramon Voga, de 38 anos. Formado em Farmácia, trabalhou por sete anos na área, mas sonhava em produzir carros. Em 2008, conseguiu a vaga e, desde então, vinha crescendo profissionalmente. "Eu amo o que faço", diz. "A notícia do fechamento chocou a todos, pois muitos sonhos serão interrompidos." Pai de gêmeas de 3 anos, Voga teme pela perda de renda e diz que a direção da empresa é desrespeitosa com os trabalhadores da forma como está agindo.

Jailson dos Santos, de 48 anos, trabalhou em três fábricas da Ford nos últimos 24 anos. Começou em 1995 na unidade de fundição em Osasco (SP), que fechou as portas três anos depois. Foi transferido para a de caminhões no bairro do Ipiranga, onde ficou até 2001, quando a Ford vendeu a área e concentrou a produção em São Bernardo. Hoje, teme pelo que vem pela frente, pois não há mais chance de transferência. "Se perder esse emprego dificilmente consigo outro igual", diz.

Ele mora em Carapicuíba (SP) com a mãe e três irmãos, um deles especial. "Me preocupo muito, pois pago caro por um convênio bom para ele e, sem trabalho, o impacto nas despesas será grande."

*Com o jornal "O Estado de S. Paulo".

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
GIGANTE ASIÁTICO

Tecnologia chinesa no Brasil: como 99, AliExpress e Midea ‘importaram’ a inovação para o mercado nacional

16 de abril de 2026 - 19:05

Durante o evento VTEX Day 2026, executivos das empresas explicaram que é necessário fazer adaptações para conquistar o público brasileiro

DE PROMESSA À REALIDADE

Dividendos e JCP: Petrobras (PETR4) dá sinal verde para R$ 41,2 bilhões em proventos; orçamento de 2026 também recebe aval

16 de abril de 2026 - 18:15

Além da bolada aos acionistas, estatal aprovou plano bilionário de investimentos para este ano e mudanças no conselho

INVESTIMENTO SUSTENTÁVEL

BTG Pactual avança em estratégia florestal na América Latina e capta US$ 370 milhões em primeiro fechamento

16 de abril de 2026 - 18:02

O movimento marca o início de uma captação mais ampla, que tem como meta atingir US$ 1,5 bilhão ao longo dos próximos cinco anos

ACABOU O GELO?

Ambev (ABEV3) amarga na mesa de bar, UBS BB fecha a conta e recomenda venda da ação; preço-alvo também muda

16 de abril de 2026 - 14:01

O banco suíço cita uma desconexão entre lucro e valuation para a nova avaliação das ações, que agora tem potencial de queda de 8,40%

ALÍVIO PARA PACIENTES

Oncoclínicas (ONCO3) garante empréstimo de emergência para retomar atendimentos; Bruno Ferrari deixa o conselho

16 de abril de 2026 - 9:37

Em fato relevante, a empresa comunicou ao mercado sua decisão de aceitar a proposta da MAK Capital Fund LP. e da Lumina Capital Management.

OPERAÇÃO COMPLIANCE ZERO

Caso Banco Master: PF prende ex-presidente do BRB após detectar caminho da propina

16 de abril de 2026 - 9:10

Além do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, o advogado Daniel Monteiro, considerado próximo a Daniel Vorcaro, foi preso em São Paulo nesta manhã

DINHEIRO PINGANDO

Dividendos e JCP: Telefônica (VIVT3) aprova R$ 365 milhões em proventos; Marcopolo (POMO4) também paga

15 de abril de 2026 - 19:55

Telefônica paga R$ 0,11421932485 por ação, enquanto Marcopolo distribui R$ 0,085; confira datas de corte e quando o dinheiro cai na conta

A HORA DA VERDADE

Depois de dobrar de valor, a Eneva (ENEV3) ainda está barata? O que levou a Empiricus a elevar o preço-alvo para a ação

15 de abril de 2026 - 15:40

Após vencer leilões e reforçar o portfólio, companhia ganha mais previsibilidade de caixa; analistas veem potencial adicional nos papéis

MAIS SAÚDE PARA O VAREJO

Todo mundo quer um pedacinho das farmácias, do Mercado Livre aos supermercados; entenda qual é o segredo

15 de abril de 2026 - 14:30

Para aumentar margens, algumas varejistas, como supermercados e até o Mercado Livre, estão dando alguns passos na direção da venda de medicamentos

ANTES DO BALANÇO

WEG: vem decepção por aí? JP Morgan diz o que está no caminho de WEGE3 — e o que fazer com a ação

15 de abril de 2026 - 13:20

Com real valorizado e dados fracos de exportação, banco vê pressão nas receitas e risco de revisões para baixo

FIM DA LINHA?

Oncoclínicas (ONCO3) está ficando sem tempo, seus pacientes também; o que acontece agora, com o fim das negociações com Fleury e Porto

15 de abril de 2026 - 12:17

Seu prazo para conseguir novas injeções de capital ou mesmo entrar em recuperação judicial ou extrajudicial está cada dia menor. E quem sofre são médicos e pacientes

FASE FINAL

Agora vai? CSN (CSNA3) iniciará fase vinculante de venda da unidade de cimento em um mês, diz agência

15 de abril de 2026 - 10:47

A CSN poderá arrecadar mais de R$ 10 bilhões com a venda de sua unidade de cimento, que também é garantia de um empréstimo feito com bancos

MONITORAMENTO SÍSMICO

O projeto de R$ 2,2 bilhões da Petrobras (PETR4) que pode multiplicar os ganhos no pré-sal

14 de abril de 2026 - 19:50

Sistema funciona como um “raio-x” do subsolo marinho, melhora a leitura dos reservatórios e eleva o potencial de extração

NOVA FRONTEIRA

Amazon desembolsa US$ 11,57 bi para comprar a Globalstar e entrar de vez na briga com a Starlink

14 de abril de 2026 - 19:02

Com compra da Globalstar, empresa quer acelerar internet via satélite e ganhar espaço em um mercado dominado pela SpaceX

DE OLHO NA RENDA

Petrobras (PETR4) ainda é uma máquina de dividendos? XP responde após alta de 60% das ações

14 de abril de 2026 - 17:30

Mesmo abrindo mão de parte do lucro no Brasil, estatal compensa com exportações e sustenta geração de caixa; entenda o que está por trás da tese da corretora

EFEITOS CONTÁBEIS

Aegea refaz as contas do seu balanço e acaba reduzindo R$ 700 milhões do patrimônio líquido da Itaúsa (ITSA4); entenda

14 de abril de 2026 - 16:45

A holding informou que o valor não é substancial para suas contas, mas pediu um diagnóstico completo do ocorrido e um plano para melhoria da governança

DONA DO CHATGPT

Estratégia em revisão levanta dúvidas sobre valuation de US$ 852 bilhões da OpenAI

14 de abril de 2026 - 15:39

Mesmo após levantar US$ 122 bilhões no mês passado, em uma rodada que pode se tornar a maior da história do Vale do Silício, a OpenAI tem ajustado com frequência sua estratégia de produtos

A VISÃO DA LIDERANÇA

Sanepar (SAPR11): CEO abre o jogo sobre precatório bilionário, dividendos e privatização

14 de abril de 2026 - 13:15

Após frustração com o precatório bilionário, Wilson Bley detalha como decisão pode afetar dividendos e comenta as perspectivas para o futuro da companhia

NEGÓCIO DE LUXO

Aquisição de peso: JHSF (JHSF3) compra o Enjoy Punta del Este, ícone entre os maiores cassinos da América Latina

14 de abril de 2026 - 12:18

O complexo fica situado próximo à Playa Mansa, uma das regiões mais sofisticadas da cidade uruguaia

EM RECUPERAÇÃO EXTRAJUDICIAL

Credores da Raízen (RAIZ4) querem 90% da empresa em troca de dívida, diz agência; o que está na mesa?

14 de abril de 2026 - 11:46

A alta participação negociada demonstra uma insegurança do mercado em relação à companhia

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar
Jul.ia
Jul.ia
Jul.ia

Olá, Eu sou a Jul.ia, Posso te ajudar com seu IR 2026?

FAÇA SUA PERGUNTA
Dúvidas sobre IR 2026?
FAÇA SUA PERGUNTA
Jul.ia
Jul.ia