Menu
Gabriel Casonato
Cannabusiness
Gabriel Casonato
É editor da Empiricus e entusiasta do mercado de cannabis
2019-03-02T16:19:14-03:00
Cannabusiness

Brasil terá sua fatia do bilionário mercado da maconha

O governo brasileiro está deixando de arrecadar uma fortuna aos cofres públicos porque mantém o comércio do canabidiol sendo realizado de forma onerosa e burocrática. Isso em plena crise fiscal

3 de março de 2019
6:01 - atualizado às 16:19
Maconha e Canabidiol
Imagem: shutterstock

Lá se vão mais de 4 anos quando, pela primeira vez no Brasil, uma família conseguiu autorização da Anvisa para importar legalmente o canabidiol, o extrato natural da cannabis utilizado no tratamento de inúmeras doenças.

A luta de Katiele e Norberto Fischer ganhou repercussão nacional quando o casal conseguiu permissão para realizar o tratamento da filha, diagnosticada com uma síndrome rara, a CDKL5.

Por conta das frequentes crises de epilepsia provocadas pela síndrome, Anny, na época com 7 anos, tinha até 80 convulsões por semana. Seu desenvolvimento regrediu e a pequena não falava, não andava, não tinha controle de pescoço e de tronco.

Após fazer o uso do óleo extraído da maconha, as crises passaram a ser extremamente raras, perdendo espaço para uma nova rotina marcada pela redescoberta de uma vida com possibilidades. Algo que até então a família Fischer desconhecia.

Sua luta na Justiça fez com que a Anvisa retirasse o CBD – a sigla do canabidiol – de uma lista de substâncias proibidas, transferindo-a para a de medicamentos controlados. Meses depois, a Receita Federal simplificou o processo de importação e retirou os impostos cobrados.

Era a primeira grande vitória dentro de uma disputa que foi crescendo e passou a ser marcada por pequenos avanços. Desde janeiro de 2015, quando o uso terapêutico da substância foi liberado, cerca de 4 mil brasileiros já obtiveram autorização para importar o CBD.

A maioria deles se dispõe a pagar um preço alto pelo produto, com o tratamento podendo chegar a 3 mil reais por mês. Não por acaso, muitos pacientes estão tendo que recorrer novamente à Justiça, desta vez para que o SUS arque com os custos da medicação.

O sonho destes brasileiros é de que um dia o país se aproxime dos Estados Unidos, onde o canabidiol, cada vez mais próximo de ser totalmente legalizado, já é comercializado nos mais diversos estabelecimentos por um preço muito mais acessível.

Os pacientes americanos dizem que o usam o derivado da maconha para tudo, desde dores musculares e ansiedade à artrite, epilepsia e transtorno de estresse pós-traumático. Por lá, já existe óleo de CBD até para cachorros – e com sabor de bacon!

É uma indústria que espera faturar globalmente US$ 5,7 bilhões em 2019 e US$ 22 bilhões até 2022, segundo a consultoria Brightfield Group. E embora ainda muito incipiente, os números apontam para um possível mercado relevante do canabidiol também no Brasil.

De acordo com levantamento de empresas especializadas, como a New Frontier Data, o número de consumidores no país pode chegar a 3,4 milhões em apenas três anos após a liberação da venda legalizada.

Com isso, o segmento poderia movimentar sozinho cerca de R$ 4,4 bilhões. Para se ter uma ideia do que isso significa, o valor equivale a 6,3% do total do faturamento da indústria farmacêutica no Brasil, que de acordo com os dados do último Anuário Estatístico do Mercado Farmacêutico, foi de R$ 69,5 bilhões em 2017.

Ou seja, o governo brasileiro está deixando de arrecadar uma fortuna aos cofres públicos porque mantém o comércio do canabidiol sendo realizado de forma onerosa e burocrática. Isso em plena crise fiscal.

São números que, em conjunto com a onda de legalização cada vez mais forte no exterior, darão mais fôlego aos defensores e inevitavelmente ampliarão os debates sobre a viabilidade de uma liberação irrestrita de medicamentos à base de CBD no Brasil.

Veja bem que não estou falando do mercado recreativo de maconha, muito mais polêmico e ainda sem nenhuma perspectiva de avanços no país. É importante separar isso, já que o uso para fins medicinais conta com uma aceitação muito maior da sociedade e, consequentemente, tende a evoluir para a liberação muito mais cedo.

A própria Organização Mundial da Saúde, há cerca de um mês, exigiu que a maconha e seus principais componentes sejam formalmente reclassificados para fins medicinais nos tratados internacionais sobre drogas. Uma medida que pode marcar o início do fim da proibição global da cannabis após quase 60 anos de restrição.

Também vale ressaltar que a maioria das empresas do setor de maconha com ações negociadas em Bolsa foca as operações justamente no mercado medicinal, o que por si só já reduz consideravelmente os riscos associados ao investimento, principalmente quando o horizonte para retorno é focado no médio/longo prazo.

É o caso, por exemplo, dos dois ETFs – sigla para Exchange Traded Funds – que mencionei na coluna de 3 de fevereiro. Tendo em vista que o mercado recreativo de maconha ainda está deixando a fase embrionária, ambos adotaram a estratégia de dar um peso maior às empresas que atuam focada no desenvolvimento de medicamentos e outros produtos voltados à saúde e qualidade de vida.

Na medida em que a legalização do consumo recreativo for avançando pelo mundo, esta relação tende a ficar mais equilibrada. Até porque os estudos mostram que este mercado possui potencial de movimentar muito mais dinheiro do que o medicinal.

Mas não é isso que você precisa ter em mente agora.

O que eu quero que você entenda é que, daqui um tempo, a maconha será um produto cotidiano. Que a legalização em esfera global decorrente dos avanços nos países desenvolvidos é um caminho sem volta.

Compreender isso e se despir do preconceito é o primeiro passo para lucrar alto com um dos setores mais promissores da atualidade.

Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

App da Pi

Aplique de forma simples, transparente e segura

PNAD contínua

Taxa de desemprego fecha 2020 sendo a maior da série histórica e renda familiar cai

Os dados da PNAD Contínua mostram uma queda nos postos de trabalho e taxas de desemprego históricas

novata na bolsa

Assaí vai estrear na B3 após ver lucro alcançar R$ 1 bilhão em 2020

Atacarejo foi separado das outras operações do Pão de Açúcar para destravar valor e permitir melhor acesso a financiamento

conteúdo XP

XP promove evento online e gratuito com experts do mercado para discutir ESG – entre os convidados estão Yuval Harari, Jean Case e Luiza Trajano

Promovido pela XP Investimentos, a “Expert ESG” acontecerá entre os dias 2 e 5 de março e reunirá os principais experts do mercado financeiro para debater investimentos sustentáveis; confira a programação completa e faça a sua inscrição

Dragão gringo

Bolsas têm alívio após divulgação de dados de inflação e gastos nos EUA

Logo após a divulgação dos dados, os índices futuros do S&P500 e o Nasdaq aceleraram a alta em Nova York. Por aqui, o Ibovespa também passou a operar firme no azul

Exile on Wall Street

Comprar ou vender Petro?

Sou uma pessoa muito mais “humanas” do que “exatas”. Na escola, tinha especial curiosidade sobre como seria ter aulas de Filosofia, o que só foi acontecer no segundo ano do colegial. Lembro bem da minha ansiedade ao abrir o livro “Convite à Filosofia”, de Marilena Chaui, aquele que seria meu passaporte para finalmente descobrir do […]

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies